Professora da UFSC participa de painel que atualiza dados do relatório mundial do clima

03/07/2026 09:30

Professora Regina participou de painel em Londres

A professora da coordenadoria de Oceanografia da UFSC, Regina Rodrigues, participou do painel de lançamento do documento Indicators of Global Climate Change 2026: A Climate Science Briefing for Policymakers, um briefing para tomadores de decisão na área de clima que atualiza dados do relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas. O evento ocorreu durante a London Climate Action Week, no final de junho, e contou com a presença da Ministra do Clima do Reino Unido, Katie White.

A pesquisadora pode comentar dados e evidências apontadas no relatório, que destaca que o aquecimento global induzido pelo homem atingiu 1,37°C em 2025. Além disso, o documento traz o desequilíbrio energético da terra como o principal medidor da crise. “Ele aumentou mais do que a física levaria a esperar, e os autores afirmam isso explicitamente”, explica, referindo-se ao documento. Esse desequilíbrio é mensurado pelo balanço entre a energia que o planeta recebe do sol e a energia que ele consegue irradiar de volta para o espaço.

Regina Rodrigues participou do evento ao lado de Piers Forster, autor do estudo anual que atualiza os dados do IPCC. “Esse ano eles incluíram ondas de calor marinha como um dos indicadores. No lançamento eu pude falar sobre a importância disso”, explica a professora. De acordo com a análise de Regina, a frequência desses eventos triplicou desde 1991, com impacto nos ecossistemas.

Essas ondas representam o aquecimento nas águas oceânicas e indicam a absorção do calor pelo oceano. “Elas se situam na interseção de três funções que o oceano desempenha de forma singular: ele absorve cerca de 90% do calor excedente do planeta, possui memória suficiente para integrar esse aquecimento em um sinal claro e traduz esse sinal em impactos que se propagam pelos ecossistemas, pela biogeoquímica e pelo clima em terra firme”, comenta. No evento, a professora lembrou que elas são como um elemento integrador que torna tangível o fato de os oceanos absorverem 90% do excesso de calor da Terra. Só em 2024, houve um pico de 82 dias desses eventos extremos.

Já quanto ao desequilíbrio energético, que seria o medidor terrestre, o aumento de de 40% é mais do que o dobro do registrado há duas décadas. “Um salto inexplicável nesse indicador tem consequências ainda mais desastrosas, pois indica que mais calor do que o esperado está se acumulando no sistema climático. E o pior é que ainda não entendemos cientificamente o porquê”, disse. A avaliação dos cientistas é de que, sob as tendências atuais, o planeta possa ultrapassar o limite de 1,5°C de aumento na temperatura por volta de 2030.

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Estudo da UFSC na Nature registra aumento de eventos extremos e ameaça a espécies e à pesca

16/04/2025 08:00

Um estudo inédito liderado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) traz novos dados alarmantes sobre as mudanças climáticas e seus impactos nos ecossistemas marinhos, desta vez relacionados ao Oceano Atlântico Sul. A pesquisa Extreme compound events in the equatorial and South Atlantic foi publicada nesta quarta-feira, 16 de abril, na Nature Communications, liderada pela professora da coordenadoria especial de Oceanografia Regina Rodrigues e com a participação de estudantes da UFSC, Universidade de Sorbonne, Universidade de Bern, Universidade de Bergen e da Organização de Ciência e Pesquisa Industrial da Commonwealth da Australia.

Os pesquisadores usaram dados de 1999 a 2018 para entender a ocorrência de três eventos extremos que atingem os oceanos: as ondas de calor marinhas, extremos de alta acidificação e de baixa clorofila. Os resultados mostraram que houve um aumento na intensidade e ocorrência simultânea desses eventos extremos durante o período analisado.

Pesquisa analisou diferentes dados do Atlântico Sul (Pixabay)

O estudo também identificou que desde 2016 esses extremos combinados têm ocorrido todos os anos, colocando em xeque a capacidade de sobrevivência dos ecossistemas marinhos. Isso afeta diretamente a atividade pesqueira e maricultura, tendo um efeito negativo na segurança alimentar de países da América do Sul e África adjacentes ao Oceano Atlântico Sul, onde o estudo foi feito.
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