Professora da UFSC participa de painel que atualiza dados do relatório mundial do clima
A professora da coordenadoria de Oceanografia da UFSC, Regina Rodrigues, participou do painel de lançamento do documento Indicators of Global Climate Change 2026: A Climate Science Briefing for Policymakers, um briefing para tomadores de decisão na área de clima que atualiza dados do relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas. O evento ocorreu durante a London Climate Action Week, no final de junho, e contou com a presença da Ministra do Clima do Reino Unido, Katie White.
A pesquisadora pode comentar dados e evidências apontadas no relatório, que destaca que o aquecimento global induzido pelo homem atingiu 1,37°C em 2025. Além disso, o documento traz o desequilíbrio energético da terra como o principal medidor da crise. “Ele aumentou mais do que a física levaria a esperar, e os autores afirmam isso explicitamente”, explica, referindo-se ao documento. Esse desequilíbrio é mensurado pelo balanço entre a energia que o planeta recebe do sol e a energia que ele consegue irradiar de volta para o espaço.
Regina Rodrigues participou do evento ao lado de Piers Forster, autor do estudo anual que atualiza os dados do IPCC. “Esse ano eles incluíram ondas de calor marinha como um dos indicadores. No lançamento eu pude falar sobre a importância disso”, explica a professora. De acordo com a análise de Regina, a frequência desses eventos triplicou desde 1991, com impacto nos ecossistemas.
Essas ondas representam o aquecimento nas águas oceânicas e indicam a absorção do calor pelo oceano. “Elas se situam na interseção de três funções que o oceano desempenha de forma singular: ele absorve cerca de 90% do calor excedente do planeta, possui memória suficiente para integrar esse aquecimento em um sinal claro e traduz esse sinal em impactos que se propagam pelos ecossistemas, pela biogeoquímica e pelo clima em terra firme”, comenta. No evento, a professora lembrou que elas são como um elemento integrador que torna tangível o fato de os oceanos absorverem 90% do excesso de calor da Terra. Só em 2024, houve um pico de 82 dias desses eventos extremos.
Já quanto ao desequilíbrio energético, que seria o medidor terrestre, o aumento de de 40% é mais do que o dobro do registrado há duas décadas. “Um salto inexplicável nesse indicador tem consequências ainda mais desastrosas, pois indica que mais calor do que o esperado está se acumulando no sistema climático. E o pior é que ainda não entendemos cientificamente o porquê”, disse. A avaliação dos cientistas é de que, sob as tendências atuais, o planeta possa ultrapassar o limite de 1,5°C de aumento na temperatura por volta de 2030.











