Colóquio ‘Uma Antropologia da Práxis: homenagem a Jean Langdon’

27/04/2015 10:10
 antropóloga Esther Jean Langdon

Antropóloga Esther Jean Langdon. Foto: divulgação

O  Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Brasil Plural  promovem o colóquio “Uma Antropologia da Práxis: homenagem a  Jean Langdon“, que será será realizado nos dias 28 e 29 de abril, na sala Silvio Coelho dos Santos – número 110 do prédio D do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da UFSC.

A ideia é lembrar e comemorar a trajetória acadêmica da professora e pesquisadora Esther Jean Langdon e suas contribuições a diversas áreas da Antropologia, pela voz de alunos, ex-alunos, colegas e demais pessoas que, por sua atuação com ela, têm encontrado no trabalho da professora inspiração, motivação e desafios para suas próprias trajetórias profissionais e pessoais.

Os promotores convidam quem quiser participar da homenagem a deixar seu recado à professora Langdon no mural do evento no Facebook , ou via inbox, para ser lido ou exposto no varal de mensagens que será fixado no coquetel de comemoração do dia 29 de abril.

Programação

28 de abril:
– das 16h às 18h30, Sessão de Abertura: círculo de conversa com professores, alunos e colegas de Jean.

29 de abril:

– às 10h, Mesa Saúde;

– às 14h, Mesa Xamanismo;

– às 16h30, Mesa Performance;

– às 18h30, fala de encerramento da professora Jean Langdon e lançamento do livro La Negociación de lo Oculto: chamanismo, medicina y familia entre los Siona del bajo Putumayo.

 

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Robert Crepeau apresenta pesquisa sobre Kaingang de Santa Catarina nesta quinta-feira na UFSC

11/12/2013 09:04

O professor Robert Crépeau, do Departamento de Antropologia da Universidade de Montreal, apresenta, nesta quinta-feira, 12 de dezembro, o projeto que é um retorno de dados etnográficos de sua pesquisa realizada em colaboração com os Kaingang de Santa Catarina. Com o título “Fica pouco, mas o que sobra vai sustentar o resto”, a palestra, promovida pelo Instituto Brasil Plural, será realizada às 14h, na Sala 110 do Departamento de Antropologia da UFSC.
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Professor de universidade da Colômbia participa do Seminário de Antropologia da Saúde nesta quinta

14/11/2013 13:11

Dando sequência às atividades que a Rede de Pesquisa Saúde: práticas locais, experiências e políticas públicas realiza durante o mês de novembro deste ano, o Instituto Brasil Pluralda UFSC recebe nesta quinta-feira, 14 de novembro, o professor Hugo Portela, da Universidad del Cauca, Colômbia. Ele participa do Seminário de Antropologia da Saúde, a partir das 18h30, na Sala 110, do Departamento de Antropologia, Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH). O evento é gratuito e aberto ao público.
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Seminário de Antropologia da Saúde tem presença de pesquisadores do México

07/11/2013 11:13

O Instituto Brasil Plural recebe nesta quinta-feira, 7 de novembro, a partir das 18h30min, na sala 110 do Departamento de Antropologia da UFSC, os professores Eduardo Menéndez (CIESAS/México), Rosa Maria Osório (CIESAS/México) e Jesus Armando Haro (Programa de Salud y Sociedad, Colégio de Sonoro/México), para participar do Seminário de Antropologia da Saúde.
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Coletânea sobre Etnobiologia é lançada na UFSC

01/11/2013 14:37

Com o apoio do Instituto Brasil Plural, acaba de ser lançado o livro “Etnobiologia e Saúde de Povos Indígenas”, organizado por Moacir Haverroth, reunindo textos de vários pesquisadores sobre saúde indígena e a relação que esta população estabelece com o meio ambiente, com foco nos aspectos culturais e étnicos, a etnobiologia. Um desses trabalhos, “Medicina tradicional: reflexões antropológicas sobre a atenção diferenciada”, é de autoria da coordenadora do IBP, Esther Jean Langdon, professora do Departamento de Antropologia da UFSC, que também assina o prefácio da coletânea.
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Instituto Brasil Plural no ‘UFSC Entrevista’ desta segunda

22/07/2013 09:59
TV UFSC exibe documentário Brasil Plural

Cena de Brasil Plural

Nesta segunda, dia 22, às 20h, o programa UFSC Entrevista traz a coordenadora executiva do Instituto Nacional de Pesquisa Brasil Plural, Sônia Weidner Maluf, para falar um pouco dos projetos do instituto, que reúne uma rede de pesquisadores de diversas instituições universitárias brasileiras, entre elas as Universidades Federais de Santa Catarina, do Amazonas e a Universidade do Estado de Santa Catarina.
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Instituto Brasil Plural lança documentário sobre pesquisas realizadas

10/07/2013 07:48

O vídeo foi lançado na semana passada, em Brasília, durante o 2º Seminário de Acompanhamento e Avaliação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), e apresenta algumas das pesquisas realizadas pelo Instituto Brasil Plural, enfocando as relações entre saberes locais e políticas públicas. O documentário já está disponível no Youtube.
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Instituto Brasil Plural apoia dissertação indígena da UFAM

02/04/2012 16:41

Momento da defesa de João Rivelino Rezende Barreto/ Foto: Rosilene Corrêa

Com apoio do INCT/Instituto Brasil Plural (IBP), sediado na UFSC, João Rivelino Rezende Barreto defendeu a primeira dissertação indígena no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Manaus.

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Pesquisadores do Instituto Brasil Plural fazem reunião geral na UFSC

06/03/2012 13:03

Após três anos de existência o Instituto Brasil Plural (IBP) faz a primeira reunião geral para avaliar sua trajetória e definir metas para os próximos dois anos.  O Instituto surgiu a partir do esforço conjunto de pesquisadores  de vários campos e especialidades da antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Amazonas (UFAM). As pesquisas desenvolvidas por mais de 200 pesquisadores  visam retratar a diversidade sociocultural do Brasil por meio do estudo de temas como:  Saúde e diversidade, Comunidades tradicionais e modos alternativos de sociabilidade, Novos movimentos  sociais, Gênero, sexualidade e cidadania, Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais, Práticas Rituais e Performances, Violência, Segurança pública, Educação.

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Pesquisadora da UFSC estuda “economias da cultura” de povo indígena da Amazônia

21/12/2011 16:21

Um jovem Matis fotografa os turistas, com outros índios, um guia peruano e Barbara Arisi. Fotos cedidas pela pesquisadora.

Com base em um convívio de 12 meses com os índios Matis, a antropóloga Barbara Maisonnave Arisi defendeu a tese de doutorado “A dádiva, a sovinice e a beleza – Economia da Cultura Matis, Vale do Javari, Amazônia”. Desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da Universidade Federal de Santa Catarina, a pesquisa, financiada pela UFSC, Capes e Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural, teve como foco a “economia da cultura”, mostrando como os índios estabelecem relações econômicas com estrangeiros.

Segundo Barbara, os Matis têm relações de troca, apropriação e roubo de poderes e saberes com animais da floresta, com seres desencorporados (potências a quem eles chamam de tsussin) e com diversos estrangeiros (jornalistas, turistas e também pesquisadores).

A antropóloga conheceu os Matis em 2003 e começou a estudá-los em 2006, para sua dissertação de mestrado, quando viveu com eles durante três meses e meio. Em 2009, para o doutorado, passou mais nove meses na região, a fim de estudar suas economias.

“Os mesmos homens e mulheres que me contaram de quando viviam na floresta, sem os brancos, como cortavam as contas de seus colares de murumuru com os dentes, pois não tinham facas ou limas, explicam como hoje ganham dinheiro com turistas alemães e cineastas sulcoreanos”, conta, fazendo uma comparação entre seu tema de pesquisa do mestrado e o atual do doutorado.

Economias matis

Ao longo dos anos, os Matis conviveram com antropólogos, jornalistas e documentaristas da mídia nacional e internacional

A antropóloga não considera os Matis como índios de “recente contato”. Para provar isso, um dos tópicos de sua tese diz respeito às economias que os Matis têm com os estrangeiros turistas e documentaristas, e índios de comunidades vizinhas no Peru e na Colômbia, além do Brasil.

Ao longo dos anos, os Matis conviveram com antropólogos, jornalistas e documentaristas da mídia nacional internacional – como a Globo, a TV Cultura, a BBC e a National Geographic. Em outubro de 2009 os Matis ajudaram a encontrar um avião das Forças Armadas Brasileiras (FAB), com uma equipe de vacinação, que havia caído na região. Graças a eles, foram resgatados nove dos 11 passageiros.

Para o doutorado, Bárbara tentou acompanhar as transações na “economia da cultura”. Em sua tese, escreveu então sobre a relação que os Matis têm com os animais (especialmente nas festas de bichos ou “nëix tanek”, em língua matis).  Como ocorreu com outros povos amazônicos, muitas “tecnologias” foram aprendidas com os bichos, como a agricultura e as tatuagens faciais. Os Matis são exímios caçadores de queixada (porco do mato), macacos, caititu, mutum e diversos pássaros. As trocas diversas com os seres ou forças desencorporadas (os tsussin, seres que os Matis compreendem como forças vitais que habitam diferentes patamares do cosmos) também foram estudadas pela pesquisadora.

Modos de dar sentido ao mundo
Bárbara participou de rituais, registrou narrativas, mitos, canções e conversas para poder descrever e entender detalhes da cosmologia – modo de dar sentido ao mundo, de ser e viver no mundo dos Matis. Suas tatuagens de listras sobre bochechas, têmporas e testa, seus brincos de concha e bastões faciais de açaizeiro, seus pendentes nasais feito de concha de caramujo, suas zarabatanas de até cinco metros de comprimento, sua destreza no tiro de dardos são exibidos para documentaristas, turistas e admirados mesmo por outros índios, segundo Barbara.

“Os Matis correspondem à imagem que os ocidentais têm de povo exótico”, conta.  “Eles têm sabido usar disso para aumentar sua vitalidade social, construir suas malocas novas, fazer suas festas, seguir tatuando seus jovens.”

A antropóloga defende que eles – como os demais povos indígenas que vivem no Brasil – recebam atenção diferenciada e “não apenas em discursos, slogans e documentos do governo”. Para ela, o governo deveria fiscalizar o desmatamento e a caça predatória no entorno, prestar atenção de saúde de qualidade. “A floresta em pé é muito mais lucrativa do que desmatada ou virada em pasto ou plantação de soja”, afirma a pesquisadora. “É importante compreender que o Vale do Javari é um lugar único no mundo, graças aos povos indígenas que vivem lá”, diz.

As principais conclusões do estudo dizem respeito à “vontade matis de crescer e de tornar-se um povo grande”. Os Matis querem conquistar isso por meio do acesso às novas tecnologias, pela maior convivência com os tsussin, com os animais e também pela maior troca econômica com os estrangeiros. Barbara classifica-os como ”índios 20 ponto 11”, índios contemporâneos e sempre a frente de seu tempo. Muitos deles usam largamente aparelhos eletrônicos como celulares e notebooks. Crescimento e transformação, para os Matis, é possível quando se somam novas tecnologias.

“Os Matis querem conhecer mais, saber mais sobre o mundo não-indígena, controlar mais nossas tecnologias. As tecnologias que apreenderam dos animais e os poderes e saberes que aprendem dos tsussin os ajudam a se fortalecer, embora elas apresentem também riscos. Assim, os Matis também consideram que a economia com os gringos pode trazer-lhes mais tecnologias, saberes e conhecimentos que os farão crescer e serem mais fortes e mais numerosos. Claro que isso tudo está relacionado a transformações e mudanças”, explica Barbara. “Ainda bem, pois para os povos amazônicos, apenas no mundo dos mortos é possível permanecer igual. Tudo que é vivo está em permanente movimento”, conclui.

Mais informações com Barbara Arisi:

Saiba Mais:

A Terra Indígena Vale do Javari
Está localizada na fronteira entre o Brasil e o Peru, no estado do Amazonas. A região abriga aproximadamente 4.000 índios em contato com o governo brasileiro e um número talvez igual, mas ainda desconhecido, de povos que não têm relações com os demais brasileiros. Esses povos são considerados pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) “índios isolados”. Ao todo, a TI Vale do Javari possui 8,5 milhões de hectares.

Povo de “recente contato”
Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), os Matis são considerados um povo de “recente contato”. Essa designação leva em conta que alguns povos indígenas, desde a colonização europeia, mantiveram-se tentando evitar os invasores de suas terras. Para a Fundação os Matis se encaixam nessa classificação pois viveram até meados de 1978 em grande parte isolados do convívio com a sociedade, tendo apenas eventuais contatos com os demais povos que viviam por perto.

Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato
O conhecimento e a dimensão das regiões habitadas por índios isolados são fundamentais para que se possa evitar o confronto e a destruição desses grupos. Essa é a política que vem sendo implementada pela Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato, ligada à Funai. Mas, na visão de Bárbara, há idiossincrasias nessa política.

Realidade de isolamento discutível
A partir do estudo realizado para o mestrado no Vale do Javari, com a população de 330 matis, Barbara pôde concluir que a realidade de isolamento da tribo é discutível. Ela sugere que órgãos como a Funai devem oferecer estrutura para o contato dos povos entre si e com os não-índios. “O governo deve estar pronto para receber os índios e preocupar-se com questões como a fragilidade epidemiológica e os choques culturais decorrentes do contato.”, defende.

Contato trágico
A pesquisadora salienta que o contato é sempre perigoso e os índios são a parte ameaçada. Durante os primeiros contatos realizados pela Funai com os Matis, entre 1976 e 1978, cerca de dois terços da população morreu pela falta de resistência epidemiológica e pela total falta de infraestrutura e preparo do governo brasileiro. Segundo dados da Funai, em 1987, apenas 83 índios Matis haviam sobrevivido.

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