Entenda as propostas dos Subcomitês para a retomada das aulas na UFSC

25/06/2020 15:08

Há cerca de um mês a Administração Central da UFSC criou uma estrutura e anunciou um plano para definir, de forma democrática e participativa, as condições para a oferta de alternativas a atividades de ensino. Esse plano foi finalizado e começa a ser apreciado nesta semana pelo Conselho Universitário (CUn).

Realizar essa tarefa tem sido a meta de comitês e subcomitês, que reuniram-se dezenas de vezes, realizaram diagnósticos, análises e debates e apresentam agora o resultado dessa discussão: uma proposta para a retomada das aulas na UFSC enquanto a instituição combate a pandemia de Covid-19. As propostas estão delineadas no Relatório Completo que está sendo analisado e começa a ser discutido pelo CUn nesta sexta-feira, 26 de junho conforme anunciado pelo reitor Ubaldo Cesar Balthazar em entrevista

O plano traz princípios norteadores, propostas baseadas em dados epidemiológicos e em pesquisas realizadas com a comunidade. “É um caminho, criado de forma conjunta, a ser seguido nos próximos meses. Ele prevê a volta das atividades de ensino, só que de forma flexível, e não presencial, com oportunidades de acesso às tecnologias para estudantes, professores e técnicos, e alternativas para que ninguém seja prejudicado”, explica o reitor.

“Eu sinto muito orgulho desse plano, e agradeço aos mais de cem professores, técnicos e estudantes que contribuíram com esse importante trabalho”, ressalta o reitor.

>> Assista ao vídeo com o reitor Ubaldo Cesar Balthazar sobre as propostas

Premissas e Princípios

O Cuidado e o Respeito são os dois princípios norteadores das políticas. E esses princípios estão refletidos no compromisso com a preservação da saúde; com a assistência médica, psicológica e social; com as políticas equitativas de inclusão digital; com a oferta de capacitação para professores e técnicos-administrativos; com as ações de responsabilidade e compromisso social da UFSC.

As propostas também partem de um caráter completamente excepcional, o da pandemia. Isso reflete-se no calendário acadêmico, que deve ser dissociado do calendário civil, que normalmente seria seguido, além das providências que darão condições para possibilitar condições de trabalho e de estudo. 

Também vale ressaltar que é a situação excepcional que leva à necessidade de atividades não presenciais neste momento. Elas acontecerão de formas síncronas e assíncronas, utilizando tecnologias de informação e comunicação. Não se trata de transferir atividades que seriam presenciais para não presenciais, e sim planejar algo que seja pedagogicamente possível e adequado, preservando a autonomia dos colegiados de curso e unidades.

A vida universitária em três fases

Enquanto persistir a pandemia de Covid-19, as atividades da UFSC serão organizadas em três fases, que podem ser reversíveis em função de um conjunto de indicadores epidemiológicos.

A Fase 1 aplica-se no período de expansão e pico da pandemia. Nela, todas as atividades pedagógicas e administrativas são realizadas em modo não-presencial, exceto aquelas com impacto no combate à Covid-19 e outras essenciais indicadas pela administração superior.

A Fase 2 aplica-se no período de declínio e controle da pandemia e se dá em dois momentos. No primeiro momento, a estrutura da Universidade é preparada para receber algumas atividades presenciais (ou semipresenciais); uma vez que essa organização esteja concluída, a universidade pode realizar atividades pedagógicas e administrativas em modo semipresencial.

A Fase 3 é de retorno ao conjunto das atividades presenciais, com a manutenção de sistemas de controle necessários à liberação de todas as atividades.

>> Leia mais sobre as recomendações do Subcomitê Científico na matéria e no relatório específico.

Propostas para o trabalho e o ensino

As propostas criadas e delineadas abaixo concentram-se principalmente na Fase 1, na qual estamos atualmente, considerando o alto número de casos e óbitos e a necessidade de isolamento social. Neste momento, as atividades administrativas e acadêmicas são principalmente não presenciais.

Viabilizar o ensino nesse formato requer Recursos Tecnológicos para Aprendizagem (RTAs), considerando as especificidades e necessidades dos diferentes tipos de ensino na UFSC (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Graduação e Pós-Graduação), além de um Calendário Suplementar Excepcional, com vigência enquanto durar a suspensão do calendário acadêmico 2020. 

>> Leia mais sobre as recomendações do Subcomitê Acadêmico na matéria e no relatório específico.

Durante essa primeira fase, os estudantes devem ter assegurado o acesso a equipamentos e à Internet, por meio de empréstimo, aquisição ou doação de computadores além da possibilidade de organizar o uso seguro dos laboratórios de informática, para estudantes que possam acessá-los. Serão fornecidos pacotes de internet (de forma direta ou por meio de um auxílio financeiro), ou ainda por meio da negociação com provedores de internet para concessão de planos. A partir de 1º de julho será possível cadastrar-se para receber esse auxílio. Podem participar os estudantes regularmente matriculados em cursos de graduação presencial, programas de pós-graduação stricto sensu, ensino médio e fundamental do Colégio de Aplicação da UFSC.

Estudantes e docentes também devem ter acesso à capacitação adequada sobre plataformas de webconferência ou de ensino não presencial. E deverão ser consideradas as situações excepcionais de estudantes que não tenham privacidade e silêncio para estudar, possibilitando condições flexíveis nos prazos e nos horários de atendimento dos professores aos seus alunos, no equilíbrio de atividades síncronas e assíncronas.

Além disso, será oferecida a garantia da qualidade das atividades pedagógicas, com aumento da oferta de monitoria e auxílio pedagógico, com o atendimento a estudantes com deficiência e com o monitoramento dessas atividades para evitar o desgaste de saúde e socioeconômico dos alunos e a evasão e abandono dos cursos.

>> Leia mais sobre as recomendações do Subcomitê de Assistência Estudantil na matéria e no relatório específico.

A Universidade oferecerá condições para que o trabalho remoto administrativo realizado pelos técnicos-administrativos em Educação e docentes na UFSC possa acontecer adequadamente, com estrutura de tecnologia, capacitação e suporte técnico.

>> Leia mais sobre as recomendações do Subcomitê de Infraestrutura e Administração na matéria e no relatório específico.

Docentes serão incentivados a vacinar-se contra a gripe, além de terem autonomia em seus colegiados para inclusive alterar os calendários. Exigências legais quanto ao Planejamento e Acompanhamento de Atividades Docentes (PAAD) deverão ser discutidas com apoio jurídico, para que os professores não tenham prejuízos em suas carreiras por não poderem realizar atividades de forma presencial. A infraestrutura de trabalho também deve ser adequada, e os Departamentos deverão verificar se os professores têm condições necessárias para desenvolver as atividades não presenciais em casa. Se não for possível trabalhar de casa, o docente deve solicitar junto à direção da Unidade a liberação do acesso ao campus, mas para isso, o servidor deve estar em plena saúde, não ser do grupo de risco e não conviver com alguém do grupo de risco ou infectado por Covid-19.

O acesso às dependências da UFSC deve atender às recomendações epidemiológicas, e seguir também o protocolo de notificação formal à Secretaria de Segurança Institucional (SSI) da UFSC.

As atividades devem ser pensadas para serem síncronas e assíncronas, ou seja, se alguém não consegue acompanhar a aula “ao vivo”, que não seja prejudicado e tenha acesso ao conteúdo posteriormente. O professor poderá alterar o horário da atividade, para um horário em que tenha silêncio no seu ambiente de trabalho em casa. Para isso, é preciso que haja a anuência dos alunos e as atividades devem ficar restritas ao turno definido no Projeto Pedagógico do Curso (PPC).

Programas para Permanência

Os programas de assistência estudantil já implementados devem ser preservados. O cadastro e o apoio financeiro emergencial da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) serão mantidos e poderão receber novos estudantes. 

Calendário

A proposta de Calendário Suplementar Excepcional também será discutida pelo Conselho Universitário. Os planos elaborados pelo Subcomitê Acadêmico levam em consideração a excepcionalidade deste período, a diferença entre o que se compreende como calendário letivo e o calendário civil e a não equivalência das atividades presenciais e não presenciais, além da autonomia relativa dos colegiados.

Criação de comissões permanentes

O plano sugere a criação de comissões permanentes para atuar enquanto durar a pandemia:

Comissão Permanente de Monitoramento Epidemiológico da Covid-19: que tenha um sistema de suporte e acompanhamento dos indicadores epidemiológicos específicos da Covid-19 na comunidade universitária;

Comissão Permanente de Monitoramento da Saúde Psicológica Universitária: com um sistema de suporte e acompanhamento psicológico específico aos efeitos da Covid-19 sobre a comunidade universitária;

Comissão Permanente de Acompanhamento Pedagógico: com um sistema de suporte e acompanhamento pedagógico específico aos efeitos da Covid-19 sobre a comunidade de estudantes e docentes.

>> Leia sobre as Fases 2 e 3 e todas as informações sobre a retomada no Relatório Completo

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Subcomitê Científico oferece critérios e fases para retomada de atividades presenciais

Subcomitê Acadêmico elabora diagnóstico institucional, proposta de Resolução e de Calendário Suplementar Excepcional

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Subcomitê de Infraestrutura e Administração propõe ferramentas de gestão e analisa viabilidade para cumprir orientações científicas

 

Documentação

Relatório Completo do Comitê Assessor (reúne uma síntese das principais propostas)
Relatório Preliminar Subcomitê Acadêmico
Relatório Preliminar Subcomitê de Assistência Estudantil
Relatório Preliminar Subcomitê Científico
Relatório Preliminar Subcomitê de Comunicação
Relatório Preliminar Subcomitê de Infraestrutura e Administração

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