Evite o ‘Aedes aegypti’: UFSC intensifica campanha durante verão

12/01/2017 14:36

Para evitar focos do mosquito Aedes aegypti na UFSC durante o verão, quando aumenta a probabilidade de desenvolvimento do mosquito,  a Universidade relança a “Campanha de prevenção e controle da dengue nos campi da UFSC”. O Aedes aegypti também é o transmissor dos vírus causadores da febre Chikungunya e da febre Zika o que reforça a necessidade de medidas preventivas. A melhor forma de erradicar a doença é eliminando a água parada limpa ou suja, são nesses locais que as larvas do mosquito desenvolvem-se. campanha-aedes_redes_sociais-04

Caso você encontre algum local na UFSC propício ao desenvolvimento do mosquito, informe pelo e-mail:   Para locais externos à UFSC comunicar pelo e-mail , no município de Florianópolis a ocorrência deve ser comunicada também a ouvidoria municipal pelos telefones: (48) 3239-1537 ou 3239-1569.

Medidas preventivas podem ser acessadas nos no site da Fundação Oswaldo Cruz e no site da Vigilância Sanitária de Santa Catarina.

Mais informações sobre a campanha, a doença, medidas de prevenção e o plano de ação da Universidade no combate à doença podem ser consultadas no Plano de Prevenção e Controle da Dengue.

O cartazes da campanha estão disponíveis na página da Coordenadoria de Gestão Ambiental.

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Governo Federal orienta população para o combate ao ‘Aedes aegypti’

12/02/2016 13:14

O Governo Federal realiza uma grande mobilização nacional contra o Aedes aegypti neste sábado, 13 de fevereiro, com a participação de 220 mil militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. Junto com profissionais dos estados e municípios, incluindo Florianópolis, Blumenau e Joinville, eles vão às ruas orientar a população sobre o combate aos criadouros do mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e do vírus Zika. O reforço das Forças Armadas estará distribuído entre cerca de 350 municípios das 27 unidades federativas.

Com caráter educativo, esta ação visa intensificar a conscientização da população para a importância de erradicar os criadouros do mosquito Aedes. Durante todo o dia, serão distribuídos materiais informativos, com explicação das medidas de prevenção, além de orientações aos moradores sobre a importância do envolvimento de todos nessas ações.

Entre os dias 15 e 18 de fevereiro, haverá uma nova ação de combate ao foco dos mosquitos com a participação de 50 mil militares que estão sendo treinados para atuar nas regiões a serem indicadas pelas prefeituras e pelo Ministério da Saúde. Esta ação será de combate ao mosquito, e não apenas de orientação, e deverá incluir a aplicação de larvicidas e inseticidas.

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Como eliminar criadouros

Para erradicar o Aedes aegypti e todos os seus possíveis criadouros, o Ministério da Saúde recomenda à população a adoção de uma rotina com medidas simples para eliminar recipientes que possam acumular água parada. Quinze minutos de vistoria são o suficiente para manter o ambiente limpo. Pratinhos com vasos de planta, lixeiras, baldes, ralos, calhas, garrafas, pneus e até brinquedos podem ser os vilões e servir de criadouros para as larvas do mosquito. Outras medidas de proteção individual também podem complementar a prevenção das doenças, como o uso de repelentes e inseticidas para o ambiente.

Campanha

Em dezembro a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) lançou uma campanha de combate ao Aedes aegypti. A Comissão de Prevenção da Dengue e Controle de Vetores, ligada à Coordenadoria de Gestão Ambiental, participa de reunião na segunda-feira, 15 de fevereiro, para traçar novas estratégias e intensificar os esforços no combate ao mosquito.

Além dos cartazes, que já estão espalhados pela UFSC, e dos meios de comunicação, a Comissão trabalha também com capacitação dos profissionais para identificar e neutralizar os focos de reprodução do mosquito.

Mais informações no site www.gestaoambiental.ufsc.br.

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UFSC na mídia: o surto do Zika e o combate ao Aedes aegipty

03/02/2016 12:49

O professor Carlos Brisola Marcondes, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC, falou ao New York Times e à Science News sobre a proliferação do Zika, o combate à reprodução do Aedes aegipty e as consequências neurológicas para os fetos quando o vírus infecta mulheres grávidas.

O texto do New York Times fala de novas estratégias para o enfrentamento do mosquito, com recursos de engenharia genética. Menciona também a recomendação a que mulheres evitem ir a áreas infestadas se estiverem grávidas, e a reavaliação a respeito do uso do inseticida DDT, após este ter sido banido em vários países por seus danos ao meio ambiente. Marcondes alerta para a gravidade da situação atualmente.

Na matéria da Science News, ele observa que a possibilidade de o Zika causar danos cerebrais em fetos não surpreende, dados os efeitos observados em laboratório e, ocasionalmente, em adultos infectados. Reafirma também que, para o país se livrar do Zika, Chukungunya, dengue e febre amarela – é fundamental se livrar do mosquito. A reportagem classifica o presente surto do Zika como possivelmente o mais assustador a ser causado por um vírus tropical, por causa da ligação com a microcefalia.

Matéria do New York Times: “Nova Arma para combater o Zika: o Mosquito”.

Matéria da Science News: “Rápida propagação do vírus Zika nas Américas desperta alarme”.

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‘UFSC Explica’: Vírus Zika e Chikungunya

26/01/2016 10:29

O lançamento da campanha de combate ao Aedes aegypti na UFSC, no dia 9 de dezembro, faz parte de uma série de atividades desenvolvidas por diversas instituições para prevenir a proliferação do mosquito e controlar as doenças que ele transmite. Além da dengue e a febre amarela, que já têm registros de epidemias no Brasil há mais de um século, o Aedes dissemina também os vírus da febre chikungunya, que teve os primeiros casos notificados no país em 2010, e o Zika, que chegou em 2015. O UFSC Explica pediu à professora Célia Regina Monte Barardi, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (CCB/UFSC), que respondesse a questões sobre essas doenças e sua disseminação. 

O que é o Zika?
O Zika é um vírus da família Flaviviridae, gênero Flavivírus, a que também pertencem outros vírus como os da dengue, febre amarela, encefalite japonesa, entre outros. São também chamados de arbovírus porque são transmitidos por artrópodes (“ar” vem da palavra inglesa oriunda do grego arthropod – artrópode – e “bo”, da também inglesa born – nascido; ou seja, vírus “nascidos dos artrópodes”). Nesse caso (artrópode), falamos do conhecido mosquito urbano Aedes aegypti e também de outra espécie silvestre de mosquito – o Aedes albopictus. Ambos podem transmitir todos esses vírus. O vírus Zika só circulava na floresta Zika, em Uganda, África, e por isso foi batizado assim. No ano de 1956 infectou um pesquisador que trabalhava nessa floresta, mas demorou muito tempo para o vírus se adaptar ao mosquito Aedes aegypti e se propagar para outros lugares do planeta.

Como esse vírus que estava no continente africano chegou até a América do Sul?
É difícil fazer uma cronologia precisa, mas até 2007 o Zika só causava infecções na África e na Ásia, sem grandes proporções e sem gravidade. Em 2007 foi relatado um grande surto nas Ilhas Yap, na Micronésia; em 2013, irrompeu na Polinésia Francesa e foi se espalhando de forma silenciosa, sem ser diagnosticado ou sendo erroneamente diagnosticado como dengue. Chegou ao Brasil muito recentemente; foi diagnosticado no país pela primeira vez em abril de 2015 na Bahia, e, meses depois, já apareceram casos na Colômbia, México, Paraguai e Venezuela.

O que o vírus Zika causa?
Os sintomas são muito parecidos com os da dengue, embora sejam normalmente mais brandos e desapareçam mais rapidamente (em torno de uma semana no máximo). São eles: febre, dores articulares e mialgia. Também pode causar conjuntivite e manchas vermelhas pelo corpo.

O que há de concreto na relação entre Zika e microcefalia?
Aí está um ponto delicado. Apesar de os fatos apontarem fortemente para uma associação real entre mulheres grávidas infectadas e bebês nascendo com microcefalia, ainda não podemos afirmar com 100% de certeza que a correlação é verdadeira. As análises são ainda preliminares, e a associação parece ocorrer quando a mulher é infectada pelo vírus durante o primeiro trimestre da gestação. Uma coisa já se comprovou: o vírus foi isolado no líquido amniótico das mulheres grávidas, o que mostra que ele pode atravessar a placenta. Como atravessa a placenta, pode chegar até a corrente sanguínea do feto em formação. Mas o resto dessa história e a chegada do vírus ao sistema nervoso central do feto ainda são interrogações, e há muito que estudar. O que tem que acontecer agora é a proteção das mulheres grávidas para evitar ao máximo o contato com os mosquitos que estão circulando por toda parte, não somente no Nordeste do Brasil. Uma coisa está intrigante: o número de casos de microcefalia está aumentando muito – o Ministério da Saúde já notificou 1.761 casos, 513 a mais em relação ao último boletim, divulgado no dia 30 de novembro de 2015.

O que há de concreto na relação entre o Zika e a síndrome de Guillain-Barré?
Outra investigação ainda preliminar, mas também muito preocupante: a síndrome de Guillain-Barré é uma doença neurológica que afeta o sistema nervoso e pode provocar fraqueza muscular e paralisia, normalmente temporária, nos braços e pernas, além de atingir a face e, em casos muito graves, músculos ligados à respiração. Tudo ainda é preliminar, mas é intrigante notar que o vírus parece ter um tropismo pelo sistema nervoso, tanto nos casos dos fetos quanto nos dos indivíduos acometidos. Como as ocorrências dessa síndrome aumentaram em locais onde  estão notificando muitas ocorrências do Zika, a correlação parece fazer sentido.

Como se faz o diagnóstico do Zika?
Os diagnósticos clássicos são sempre imunológicos (sorológicos) e buscam no sangue do paciente a presença de anticorpos neutralizantes contra o vírus. Mas, se, por exemplo, o paciente já tiver tido dengue, e possui nesse caso anticorpos contra ela em seu soro, esses anticorpos podem fazer reação cruzada e atrapalhar o diagnóstico definitivo. Testes mais específicos, buscando, por exemplo, o genoma do vírus, podem ser feitos, mas são ainda caros e mais demorados.

O que é o vírus Chikungunya?
Apesar de ser transmitido pelos mesmos mosquitos citados acima, esse vírus pertence a outra família de vírus (Togaviridae) e outro gênero (Alfavírus), o que lhe confere características de replicação diferentes dos outros vírus mencionados. O nome Chikungunya significa “aquele que se curva” em língua Makonde, falada em várias regiões da África Oriental, em referência à posição curvada que os pacientes adquirem durante o período de doença, devido a intensas dores nas costas e nas articulações.

Como o vírus Chikungunya chegou ao Brasil?
Antes de 2004, não havia relatos de febre Chikungunya no mundo, e a primeira manifestação ocorreu no Quênia; espalhou-se rapidamente e chegou à Índia, infectando mais de um milhão de pessoas em 2006. Em 2007, o vírus foi detectado na Itália a partir de um caso importado da Índia. Em 2010, já havia relatos de casos no Brasil também trazidos por viajantes. Como o Aedes aegypti está abundantemente presente aqui, e as pessoas viajam muito, os surtos podem ocorrer a qualquer momento.

O que a febre chikungunya causa?
Muitos de seus sintomas – febre, dor nas articulações, dor nas costas, dor de cabeça – são também encontrados na dengue e confundem o diagnóstico, embora na febre chikungunya a dor seja muito mais forte e localizada nas articulações e tendões. Outros sintomas mais graves e muitas vezes debilitantes também são relatados – as mãos e pés são muito afetados. As regiões inferiores das pernas e das costas (lombar) frequentemente podem ser acometidas. A grande diferença da febre chikungunya está nas articulações dos infectados: o vírus avança nas juntas dos pacientes e causa inflamações com fortes dores acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local, podendo deixar sequelas de artrose por toda a vida. O vírus também pode causar erupções cutâneas, fadiga, náuseas, vômitos e mialgias.

Como o mosquito Aedes se prolifera?
A fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água (antigamente só se falava em água limpa, mas, atualmente, com a proliferação massiva do mosquito, encontram-se ovos em águas sujas também). Esses ovos são muito resistentes, sobrevivem em superfícies secas, podem ser transportados por longas distâncias e somente quando encontram a água vão se desenvolver em larvas. Depois de saírem dos ovos – após mais ou menos 48 horas na água – as larvas do mosquito permanecem na água por cerca de dez dias até se transformarem nos mosquitos. Somente quando picam pessoas infectadas, adquirem os vírus e assim os transmitem para outros indivíduos. Ou seja, podemos ter o mosquito, mas ele não está necessariamente contaminado por esses vírus. Esses mosquitos adoram altas temperaturas, acima de 30°C, e por isso são mais comuns no verão e nas regiões mais quentes. Somente as fêmeas dos mosquitos precisam de sangue para maturar seus ovos e seguir o ciclo de reprodução.

Quais os cuidados para evitar a infecção por esses vírus?
O mosquito Aedes aegypti é frágil, mede menos de um centímetro e se caracteriza por ter listras brancas no corpo e nas pernas. Seu hábito de repasto sanguíneo é diurno e, como ele tem pouca capacidade de voar alto, tem preferência por picar tornozelos, pés e panturrilhas. As únicas formas de evitar a infecção são combater a proliferação do mosquito e também se proteger das picadas pelo uso de repelentes, roupas, calçados e mesmo mosquiteiros, principalmente nos berços dos bebês, tomando o cuidado de verificar se não ficou nenhum mosquito “aprisionado” dentro do mosquiteiro. Depois da infecção, não tem jeito, a não ser tratar os sintomas e evitar maiores consequências, na medida do possível.

Existem grupos de pesquisa no Brasil desenvolvendo trabalhos com o Zika e Chikungunya?
Temos no Brasil institutos de pesquisa que são laboratórios de referência para atuar nos casos das epidemias. Destacam-se a Fundação Oswaldo Cruz, Instituto Adolfo Lutz, Instituto Evandro Chagas e Laboratórios Centrais de Saúde Pública espalhados por vários estados. Além disso, temos arbovirologistas extremamente conceituados atuando em universidades brasileiras, como USP, Unesp e inúmeras universidades federais no Brasil. Muita pesquisa é feita com a dengue, e todos esses pesquisadores, além dos estrangeiros, possuem plena formação e grande capacidade científica para atuar nessas arboviroses, elucidar as dúvidas que estão surgindo e preocupando a população. Temos vacina eficaz contra a febre amarela, mas ainda não contra a dengue, apesar de já termos trilhado um caminho árduo para esse desenvolvimento. A dengue complica porque são quatro sorotipos de vírus; no caso do Zika e do Chikungunya, talvez seja mais fácil – mas isso também ainda é uma incógnita.

Célia Regina Monte Barardi
Professora titular do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia/CCB/UFSC
Professora das disciplinas de Virologia Básica e Clínica e Biologia de Vírus
Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia

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