SIC 2015: Pesquisa avalia desinfecção de dejetos para serem usados como fertilizantes

21/10/2015 19:00

A estudante de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina, Camila Daminelli, parecia apreensiva com o tempo enquanto apresentava o seu trabalho no 25º Seminário de Iniciação Científica (SIC 2015), na quarta-feira, 21 de outubro. Apesar do nervosismo, Camila garante – com empolgação – que desde o início da sua graduação desejava fazer pesquisa e, por isso, trabalha no laboratório de Virologia Aplicada do Centro de Ciências Biológicas (CCB). O objetivo do seu estudo foi avaliar a desinfecção de dejetos de porcos para que a sua biomassa seja utilizada como fertilizante natural.

© Pipo Quint / Agecom / UFSC

Camila Daminelli: a estudante sempre teve vontade de pesquisar questões ambientais. Foto:Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Um dos principais motivos é a suínocultura brasileira: de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país produziu, em 2014, cerca de 3,4 milhões de toneladas de carne suína, sendo o quarto maior produtor mundial. Dessa forma, a reutilização sustentável dos dejetos é uma alternativa para os fertilizantes. Porém, é preciso que esses passem por um processo de desinfecção para evitar o contágio por patógenos, como o Adenovírus Humano-2, que causa infecções respiratórias nas pessoas.

A pesquisadora, com orientação da professora Celia Regina Monte Barardi, realizou a desinfecção de lodo e efluentes, como esgotos, utilizando amônia não-ionizada com adição de ureia. Foram utilizadas três concentrações diferentes de lodo e efluentes. No primeiro, o estudo obteve um índice de, no mínimo, 99% de eliminação do patógeno, em um período que variou entre três e nove dias. Já nos efluentes, a porcentagem obtida foi a mesma, com um tempo entre nove e 15 dias.

A desinfecção também foi feita através de mudanças de temperatura que inativam os patógenos, com resultados de, no mínimo, 99%. Porém, a pesquisadora ressalta que neste processo ocorrem gastos energéticos, sendo menos sustentável do que utilizar a amônia não-ionizada com aditivo de ureia.

O estudo trouxe um grande resultado para o grupo de pesquisa: hoje, no Brasil, ainda não há uma legislação que cuide do destino final dos dejetos de porcos, por isso, o grupo recebeu o convite de um professor para desenvolver a regulamentação, que se iniciará após os términos dos estudos e tem previsão de conclusão de dois anos.

Após o incentivo, Camila conta que pretende continuar nesta área de pesquisa e, inclusive, já se inscreveu para a seleção de mestrado no programa de Biotecnologia e Biociências: “Esse é o meu futuro. Eu aconselho que todos entrem em um laboratório, por que é difícil não se apaixonar”, confessa.

Este e outros trabalhos podem ser conhecidos no 25º Seminário de Iniciação Científica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizado no piso superior do Centro de Cultura e Eventos. O Seminário segue até sexta-feira, dia 23.

 

Ana Carolina Prieto/Estagiária de Jornalismo/Propesq/DGC/UFSC

 

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SIC 2015: pesquisa integra plantas e camarões em cultivo

21/10/2015 13:38

O estudante Lucas Gomes Mendes, da oitava fase de Engenharia da Aquicultura, integra o Laboratório de Camarões Marinhos  (LCM) desde que iniciou o curso na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele fez parte da pesquisa de mestrado de Isabela Claudiana Pinheiro sobre o desenvolvimento de plantas no mesmo tanque que camarões Litopenaeus vannamei e apresentou seus resultados na quarta-feira, 21 de outubro, durante 25º Seminário de Iniciação Científica (SIC) da UFSC. Nela, o pesquisador descobriu que é possível produzir quase dois quilos de Sarcocornia ambigua (conhecida popularmente como Salicornia), vegetal que pode ser uma alternativa ao sal de cozinha, para cada quilo de camarão cultivado. “Se no futuro eu não me tornar pesquisador, serei produtor da Sarcocornia, com certeza”, confessa Lucas.

Lucas Mendes    - foto Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Lucas  G .Mendes  é bolsista do PIBITI desde o primeiro semestre na UFSC- foto Daniela Caniçali/Agecom/DGC/UFSC

Com o auxílio do orientador Walter Quadros Seiffert e outros integrantes do LCM, o estudante cultivou 250 camarões em tanques de 800 litros. Lucas, durante 70 dias, trabalhou em duas produções – uma de tratamento, em que havia a presença da S. ambigua, e outra de controle, sem as plantas. No tanque com o vegetal, a água dos criadores era bombeada para tubos de PVC em que foram colocadas 40 mudas de Sarcocornia ambigua. O consumo da planta é principalmente feito por pessoas hipertensas, já que dela se extrai o ‘sal verde’, com três vezes menos cloreto de sódio que o sal de cozinha. Além disso, a Salicornia é utilizada para descontaminar a água e como matéria prima para a produção de remédios.

O resultado indicou que a S. ambigua pode ser cultivada junto ao camarão e se tornar  uma opção de renda extra para o aquicultor. De acordo com o jovem pesquisador, ainda não há no Brasil o registro de produtores desse vegetal, mas as produções de países como Portugal e Tailândia dão a perspectiva de que esse mercado pode crescer aqui. Quando comparadas as criações de tratamento e controle, o cultivo da planta com os camarões não alterou a qualidade da água ou dos animais nos tanques.

A pesquisa em que Lucas participou é a primeira etapa de uma série de experimentos que o Laboratório de Camarões Marinhos desenvolveu com a Sarcocornia ambigua.

Esse e outros trabalhos podem ser conhecidos na 3ª Feira do Inventor, nesta quarta e quinta, 21 e 22 de outubro, no piso superior do Centro de Cultura e Eventos da UFSC. O  SIC da UFSC segue até sexta-feira, dia 23, no mesmo local da Feira do Inventor.

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