Trabalho produzido na UFSC sobre leitura em ambiente prisional é premiado na Feira Internacional do Livro de Turim, na Itália

25/05/2026 17:12

Autora-Rossaly Beatriz recebeu o prêmio Don Meco Dietro le Sbarre, em Turim, na Itália (Foto: Divulgação)

O ensaio A leitura pode ser uma sentença de liberdade?, inspirado na tese de doutorado da professora Rossaly Beatriz, egressa do Programa de Pós-graduação Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGL/UFSC), recebeu o prêmio do primeiro concurso literário Don Meco – Dietro le Sbarre, na Feira Internacional do Livro de Turim, no dia 16 de maio de 2026. 

A tese deu origem ao livro Leitura e cárcere, que orientou a produção do ensaio selecionado entre mais de 850 inscritos de diferentes países, em uma edição dedicada ao tema Atrás das grades. Como reconhecimento, os textos vencedores foram publicados na coletânea oficial da premiação. 

O livro propõe uma reflexão sobre desigualdade social, funcionamento dos sistemas de segurança e justiça, condições dos espaços de privação de liberdade e os sentidos da pena no Brasil contemporâneo. A obra também relata a experiência da autora em um projeto de extensão de leitura coordenado por ela durante cinco anos no curso de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), a partir de entrevistas realizadas com reclusos no Presídio Regional de Xanxerê (SC).

Durante sua pesquisa na penitenciária, Rossaly reuniu relatos sobre o impacto da leitura no ambiente prisional, incluindo casos de presos que passaram a incentivar os filhos a ler e criaram o hábito da leitura dentro do ambiente prisional.

Em julho de 2025, um exemplar de “Leitura e Cárcere” foi entregue ao Papa Leão XIV pelo arcebispo de Chapecó, Dom Odelir José Magri. Na ocasião, o pontífice também recebeu três cartas assinadas por 58 detentos do presídio de Xanxerê, que destacavam a importância da leitura e o trabalho desenvolvido pela Pastoral Carcerária.

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Projeto Infovírus inaugura exposição virtual: “Covid² – a pandemia nas prisões”

14/07/2022 11:00

O Infovírus, observatório da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sobre o impacto da covid-19 no cárcere, realiza a exposição virtual “Covid² – a pandemia nas prisões”. O memorial está disponível no endereço memorialcovidprisoes.ufsc.br, inaugurado nesta quinta-feira, 14 de julho.

Dividida em três seções principais, a exposição toca nas questões de humanização da justiça penal, invisibilidade da população carcerária e necessidade de valorização da ciência. Na página, que é interativa e multimídia, há dados, documentos, relatos e cartas que testemunham o impacto da doença nos presídios brasileiros. 

O projeto tem sido elaborado coletivamente por grupos de pesquisa em criminologia, que atuaram fazendo denúncias contra violências sofridas pelas pessoas privadas de liberdade e suas famílias no período de restrição da pandemia. Segundo os organizadores, um dos desafios na exploração do tema foi a falta de transparência da informação e dados oficiais sobre covid-19 no Brasil. O trabalho de apuração dos relatórios do observatório Infovírus acontece desde 2020, e está em sua página no Instagram (infovirusprisoes).

A apuração dos dados e o material para constituir o acervo digital, a produção e a curadoria são da equipe de professores e alunos ligados ao departamento de Museologia da Universidade e do grupo de pesquisa Poder, controle e dano social. O projeto tem apoio financeiro do Fundo Brasil de Direitos Humanos.

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