Pesquisador canadense apresenta panorama da disciplina ‘História Ambiental’ ao longo do tempo

06/07/2016 17:58
Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Na palestra “Tempo, espaço e natureza: relações entre Geografia, História e História Ambiental”, o professor canadense Graeme Wynn apresentou um panorama da disciplina “História Ambiental” ao longo do tempo. Graeme abordou as raízes do pensamento geográfico, desde o início do século XX, passando por suas diferentes influências e transformações, até chegar na contemporaneidade. Segundo o pesquisador, por muito tempo a geografia teve como objeto o espaço. Diversos pensadores foram fundamentais para trazer novas perspectivas para a disciplina. “Quando a geografia se restringia ao espaço, a natureza era deixada de lado. Por isso foram muito importantes os autores que apresentaram um novo olhar e consideraram também a relação do homem com o meio ambiente”, explica.

Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

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Graeme destacou a influência da geógrafa norte-americana Ellen Churchill Semple: “Ela disseminou a ideia de que as pessoas são produtos de seus ambientes. Cada um se desenvolve diferentemente, conforme o local onde vive”. Para a autora, a influência do ambiente se dá desde os aspectos físicos do indivíduo — membros de determinada população indígena teriam ombros largos e pernas finas por viverem em ilhas e remarem diariamente — até na espiritualidade — moradores de regiões montanhosas teriam a tendência de venerar muitos deuses, enquanto habitantes de planícies seriam monoteístas. Para Ellen, portanto, inclusive a religião seria determinada pelo ambiente.

Outros autores, entretanto, desenvolveram diferentes formas de pensar a Geografia. Para Carl O. Sauer, não era a natureza que determinava o indivíduo, mas sim o contrário. “Para ele, eram os humanos que interferiam e influenciavam na constituição do ambiente”, explica Graeme. Os desmatamentos e muitas outras modificações na paisagem são exemplos disso. O professor discorreu também sobre outros pensadores, que tiveram uma visão mais holística da relação do ser humano com o meio ambiente. Nesse contexto, surgiram muitos conflitos entre os campos da História e da Geografia na academia — e também sobre a área de atuação da História Ambiental. “Hoje já não existem tantos desacordos entre geógrafos e historiadores ambientais. A História Ambiental se apresentou como um campo de estudos maravilhoso, aberto e que vem agregando cada vez mais pesquisadores”, finalizou Graeme.

Linha do tempo apresentada pelo professor Graeme Wynn durante a palestra.

Linha do tempo apresentada pelo professor durante a palestra.

A atividade foi promovida pelo Laboratório de Imigração, Migração e História Ambiental (Labimha), em parceria com os programas de pós-graduação em História (PPGHistoria) e Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH). O professor Graeme Wynn esteve na UFSC para reunir-se com o reitor e conhecer a universidade que sediará, em julho de 2019, o 3º Congresso Mundial de História Ambiental. O evento é promovido a cada cinco anos e será a primeira vez que ocorrerá fora da Europa. A primeira edição foi realizada em 2009, em Copenhague, Dinamarca. A segunda, em 2014, foi sediada pela Universidade do Minho, em Guimarães, Portugal.

A organização do Congresso ocorre por um consórcio de três instituições internacionais: Sociedade Latino-Americana e Caribenha de História Ambiental (Solcha); American Society for Environmental History (Aseh); European Society for Environmental History (Eseh). Os eventos anteriores reuniram cerca de 800 participantes. A professora Eunice Nodari, integrante do Labimha, ressalta que contribuiu para a escolha da UFSC como sede o fato de haver aqui um grupo de estudos sobre o tema já consolidado e reconhecido internacionalmente.

Daniela Caniçali/Jornalista da Agecom/UFSC

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Inscrições para Simpósio Internacional de História Ambiental e Migrações vão até 26 de julho

06/07/2016 11:12

SimposioO Laboratório de Imigração, Migração e História Ambiental (Labimha/UFSC), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em História (PPGHistoria) e o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) promovem, de 12 a 14 de setembro, o 4° Simpósio Internacional de História Ambiental e Migrações. As inscrições de apresentações orais para simpósios temáticos e pôsteres estão abertas até 26 de julho, terça-feira.

No 4° Simpósio serão tratadas temáticas de História Ambiental e Migrações, contemplando diferentes períodos e regiões do globo. O Simpósio é aberto a pesquisadores de todas as áreas do conhecimento. A língua oficial do evento é o português, mas trabalhos em espanhol e inglês também serão aceitos. As propostas devem ser submetidas por meio de formulário on-line.

Mais informações na página do evento.

Tags: LABIMHALaboratório de ImigraçãoMigração e História AmbientalPPGHistoriaPPGICH)Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências HumanassimpósioUFSC

Abertas inscrições para 4º Simpósio Internacional de História Ambiental e Migrações

17/06/2016 08:30

O Programa de Pós-Graduação em História e o Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, através do Grupo de Pesquisa Laboratório de Imigração, Migração e História Ambiental (LABIMHA), recebem submissão de propostas de trabalho para o 4° Simpósio Internacional de História Ambiental e Migrações. O Simpósio será realizado no Campus Trindade da UFSC, em Florianópolis, de 12 a 14 de setembro.

As inscrições de apresentações orais para Simpósios Temáticos e Pôsteres estão abertas até 10 de julho.

No 4° Simpósio serão tratadas várias temáticas de História Ambiental e Migrações, contemplando diferentes períodos e regiões do globo. O Simpósio está aberto a pesquisadores de todas as áreas do conhecimento. A língua oficial do evento é o português, mas trabalhos em espanhol e inglês serão aceitos também. As propostas devem ser submetidas através de sistema online.

Para mais informações, visite a página do evento.

 

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