Doutora pela UFSC recebe prêmio de Antropologia por estudo sobre violência obstétrica
A antropóloga Bruna Fani Duarte Rocha, doutora pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), recebeu o I Prêmio Mariza Corrêa de Gênero, Sexualidade e Intersexualidade na categoria Artigo ou Ensaio Acadêmico, durante a 35ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA). O evento foi realizado entre os dias 13 e 17 de julho, no campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO). A pesquisadora foi reconhecida pelo estudo Onde não há consenso: a categoria ‘mãe’, a Lei Trans e as fraturas do feminismo espanhol, desenvolvido sob orientação da professora Alinne de Lima Bonetti, da UFSC. A premiação é concedida pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e tem como objetivo incentivar e reconhecer produções acadêmicas voltadas aos estudos de gênero, sexualidade e intersexualidade no campo da antropologia brasileira.
A entrega do certificado ocorreu durante a programação da RBA, que neste ano teve como tema Antirracismo e Pluriversidade. O documento foi assinado pela presidenta da Associação Brasileira de Antropologia, Luciana de Oliveira Dias. Para Bruna a premiação representa mais do que um reconhecimento pessoal. “Mais do que um reconhecimento individual, vejo essa premiação como um reconhecimento da potência da antropologia comprometida com a transformação social e das lutas das mulheres que generosamente compartilharam suas histórias comigo.”
Segundo a pesquisadora, a trajetória da pesquisa foi construída a partir do diálogo entre sua experiência pessoal e o interesse em compreender como a violência obstétrica se estrutura e de que forma mulheres transformam essas vivências em mobilização, produção de conhecimento e resistência. “Minha pesquisa nasceu do encontro entre uma experiência profundamente pessoal e o desejo de compreender, por meio da antropologia, como a violência obstétrica se estrutura e como tantas mulheres a transformam em mobilização, conhecimento e resistência. Ao longo desse caminho, aprendi que produzir ciência também é escutar, construir vínculos e assumir responsabilidades éticas com as pessoas que tornam nossas pesquisas possíveis.”
Ela também destacou o significado de receber uma premiação que homenageia uma das principais referências da antropologia feminista no Brasil. “Receber um prêmio que leva o nome de Mariza Corrêa torna esse momento ainda mais especial. Sua trajetória inspira gerações de pesquisadoras e pesquisadores a fazer uma antropologia crítica, feminista e comprometida com as desigualdades e as violências que atravessam nossa sociedade.”













