Especial Jogos Educacionais: Humanos contra o lixo espacial

17/09/2012 07:28

As ciências podem ser das mais variadas – humanas, exatas, da saúde – mas os professores em sala de aula têm a mesma preocupação: atrair a atenção e facilitar o entendimento dos conteúdos ministrados. Para isso, muitos deles se desdobram lançando mão da criatividade e, não raro, buscam no lúdico a alternativa para estimular a imaginação dos estudantes e auxiliar na fixação das matérias. A UFSC tem desenvolvido pesquisas sobre jogos educacionais e o Jornal Universitário n°429 trouxe algumas das tantas iniciativas desenvolvidas por seus professores e estudantes. As cinco matérias resumidas no JU estão sendo publicadas na íntegra no site da UFSC durante esta semana.

 

Humanos contra o lixo espacial

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Em uma das fases o jogador deve entender como funciona a transmissão de calor em diversos metais

“O mundo já nos apresenta tantos desafios que não é necessário criarmos vilões”, defende José Eduardo de Lucca. O professor do Departamento de Informática e Estatística (INE) explica a filosofia que sua equipe de dez pesquisadores segue para desenvolver um jogo eletrônico educativo: a verossimilhança.“É factível? Se não for, descartamos, porque foge da verdade científica atual”.

O jogo Universo de Ciências está sendo desenvolvido a partir da parceria entre a empresa Mentes Brilhantes Brinquedos Inteligentes e o Centro de Geração de Novos Empreendimentos em Software e Serviços (GeNESS) da UFSC, do qual de Lucca é coordenador. O edital do Programa de Formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (RHAE) do CNPq e do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) propiciou a união de esforços, iniciada em 2009, e que tem como objetivo estimular a inserção de mestres e doutores nas micro, pequenas e médias empresas.

Wagner Saback Dantas é formado em Ciências da Computação e mestrando em Linguística na UFSC. Gerente do Projeto Universo de Ciências, ele explica que o jogo tem viés público, pois alguns recursos podem ser jogados gratuitamente na web e é todo concebido e executado em softwares livres como Inkscape, MyPaint e GIMP – ferramentas para criação e edição de imagens. Destinado a estudantes de 11 a 14 anos, o primeiro protótipo deverá ser apresentado pela equipe no fim de 2012. Wagner destaca que um dos maiores desafios é “dosar o lúdico e o educativo, conciliando ainda as possibilidades e distintas perspectivas da equipe multidisciplinar”, formada por pedagogos, físicos, designers, biólogos e cientistas da computação.

A missão do jogo – que pode ser atingida individual ou coletivamente, com auxílio de professor ou não – é coletar o lixo que ameaça uma estação espacial. São cinco desafios envolvendo conhecimentos de biologia, física, química e matemática, numa introdução à robótica. A aventura começa ainda em terra, quando o usuário deve construir um foguete, lidando com informações que precisa buscar fora do jogo – resistência de materiais, transmissão de calor –, ou descobrir por tentativa e erro. Já no espaço, os conhecimentos de biologia são requeridos: de que forma funcionam o braço humano, a tromba do elefante, a língua do sapo? A partir das comparações, o estudante pode criar seu próprio braço mecânico para captar o lixo.

Tanto Wagner quanto De Lucca demonstram preocupação com a transposição didática: como falar de ciências instigando a curiosidade e sem ser superficial? “A Física ensinada de maneira tradicional se afasta rapidamente do concreto e passa para o abstrato, o que dificulta o entendimento”, salienta De Lucca. “Os jogos auxiliam a compreensão da ciência, que pode ser vista como criativa e acessível”, completa.

Além de apresentarem vilões reais (como a poluição espacial) e darem ênfase à verossimilhança, os pesquisadores lidam com outras questões em que o lúdico e o educacional procuram, cada qual, seu espaço ideal. Wagner é quem relata: “estamos refletindo acerca do sistema de pontuação. Que mecanismos podemos criar para indicar o progresso do usuário sem recorrer ao sistema clássico de pontos?”.

De Lucca defende ainda que a influência dos brinquedos educativos talvez não seja sentida de imediato, mas faz diferença com o passar do tempo. “Você pode estimular uma criança de sete anos com um brinquedo que reproduza o funcionamento de engrenagens. Quando estudar o tema, na adolescência, o aluno terá principalmente a memória afetiva daquele sistema, e o assunto será mais facilmente assimilado porque é associado a boas lembranças”.

Mais informações: brilhantes.com e univerciencia.mentes-brilhantes.com.

 

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