Rodrigo de Haro lança Poemas pela Editora da UFSC

12/12/2011 14:53

Esqueça-se a Teia.

Observe-se a aranha,

suas pernas concêntricas

de estrela. A vetustez

enorme da surda

aranha na parede.

Esqueça-se a vã

literatura que a per-

segue com patas

ligeiras. Traz muita

fortuna a filha

de Saturno.

(Rodrigo de Haro, “Inseto”, de Folias do Ornitorrinco)

 Aos 72 anos, Rodrigo Antônio de Haro trabalha com paixão e afinco entre a palavra e a imagem. Empoleirado desde cedo em um andaime de alumínio no atelier de sua casa na Lagoa da Conceição, o multiartista executa uma grande tela de quatro metros quadrados para o altar-mor de uma Igreja em Curitiba depois de ter entrado a madrugada revisando os originais de seus dois novos livros de poesia. E assim o artista sai do cavalete e volta para a escrivaninha, criando, criando… “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano”, bem fala o próprio Rodrigo no poema Invenção do olfato”. O verso integra os dois volumes inéditos do conjunto “Poemas” que o artista lança pela Editora UFSC no dia 20 de dezembro, às 19h30min, na Fundação Cultural Badesc, na rua Visconde de Ouro Preto, em uma noite de festa para a arte e a literatura.

Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco integram uma única e primorosa edição, embalados como um presente para o público desta fase de jorro criativo de Rodrigo -, que tem mais cinco livros na gaveta. São obras manuscritas em folhas de papel amarelo onde o autor desenha e lapida poemas, contos, novelas, ensaios, que vão compor cadernos ilustrados por gravuras, envoltos na beleza e raridade de um pergaminho. Além da compreensão cada vez mais plural e aberta da vida e da arte, o peso dos anos só deu mais urgência a esse monge da arte, consagrado além das fronteiras do estado e do país pela palavra, pela pintura e pela erudição. Com o “álbum duplo” de poesia, a Editora UFSC encerra um ano de grandes lançamentos e comemora o aniversário de 51 anos da universidade.

O menino artista de São Joaquim deixou a escola aos 16 anos para formar-se por conta própria aproveitando os estímulos de casa, onde os pais, artistas e intelectuais, estavam sempre mergulhados no mundo da sensibilidade e do conhecimento. Difícil encontrar uma expressão artística que ele não tenha experimentado: roteiro para cinema, dramaturgia, novela, conto, poesia, aquarela, mosaico, pintura — até ator de rádio-novela ele foi. Integrante transgressor do grupo sulista que trouxe o modernismo para Santa Catarina na década de 40 e do grupo de poetas (Roberto Piva, Cláudio Viller) que consolidou o surrealismo no Brasil a partir dos anos 60, Rodrigo bateu de frente com a Ditadura Militar. Como uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira, na avaliação do Editor Sérgio Medeiros, seus poemas guardam uma musicalidade poética serena e trágica ao mesmo tempo: “Primeiro amar os dados,/tutores das moradas. Sempre/com malícia atirá-los/sobre a mesa sem ocupar-se/de outras faces – Onde vais?/ Agito o copo,/atiro as pedras./Tantos tactos sono- /rosos trato – dados por/vertigem lado a lado./Furtar sem felonia,/abrir última porta.” (Folias do Ornitorrinco)

Retornando eternamente ao lar e ao mistério sagrado da vida, o filho do pintor Martinho de Haro produz sua arte de uma concepção nada linear, nada dicotômica sobre os seres e as coisas. O maldito e o sublime, o sagrado e o profano compõem uma única dimensão do presente, que busca sua força ontológica na tradição. Nesse tempo anacrônico do poeta, a ousadia estética se alicerça no legado clássico. “Sim, abre as janelas, as janelas cegas./Deixa cair a chuva misturada ao vinho/sabático da Beladona. Espia. Ouve/os fatigados rios do mundo e saúda/Dona Urraca, a intrépida, girando/a chave do abismo”. (Espelhos do Melodrama).

Conforme rezam as escrituras sobre a cena bíblica, onde o apóstolo S. Pedro recebe de Cristo as chaves da Igreja, a mesma cena que inspirou artistas célebres como Velásquez: “…com estas chaves aquilo que ligares na Terra, será ligado nos céus; aquilo que desligares na Terra será desligado nos céus…”. Enquanto dá ao ramo de oliveira a última pincelada, Rodrigo fala sobre sua obra poética:

  1. 1.       Que motivações éticas e estéticas têm movido a sua poesia?

Rodrigo de Haro: Todo poeta almeja cativar a matéria, dominar, fazer cantar a energia adormecida nas coisas. Precipitar a metamorfose das coisas é missão do poeta, conferir asas ao inanimado. A poesia, disse Balthazar Gracian, consiste em preservar o espanto: – o caderno alado que voa…

2.       Como um multiartista, você desafia a manifestação mais recorrente entre os criadores, que é dominar bem apenas uma ou no máximo duas modalidades literárias e mesmo artística. E você transita pela poesia, conto, ensaio, novela e também por várias expressões das artes plásticas. Como é esse trânsito da literatura para as artes plásticas?

 Rodrigo de Haro: Não acho que desafie. Acontece simplesmente que o mundo é um laboratório mágico, uma gruta de ressonâncias e apelos, onde se entremostram tentações e miragens. Nada é impossível para esta arte combinatória – a poesia – capaz de acordar (sim…) os mortos. Literatura, conto, ensaio e novela? É tudo poesia, se for de – fato coisa real.

Sim, sou também pintor – logo desenhista. Apenas pintor e desenhista.  Às vezes me aventuro no conto, é verdade. Tenho mesmo participado de algumas antologias até fora do País. O som, a palavra, começa na alma. Pois só a poesia é familiar do sagrado.

3.       Que autores têm mais inspirado sua obra poética?

Rodrigo de Haro:  Acima das divergências (só aparentes) está a unidade da inspiração e da busca. Na verdade ouso me aproximar de uma ilustre família, aquela de Michelangelo, Blake que se manifestaram no desenho e na pintura e na escrita e na pintura e tantos outros. A criação desconhece fidelidade partidária. O preconceito difuso (que de fato existe) contra a multiplicidade é uma inovação recente, desconhecida na China e no Japão, por exemplo. Utamaro sentia-se tanto poeta quanto aquarelista. E gostaria de reconhecer minha dívida com Rilke e o poeta expressionista alemão Georg Trackl e o grande G. Sarcer de la Cruz.

4.       O sagrado sempre esteve presente na sua pintura e na sua obra literária, mas você também é normalmente discutido em relação aos poetas malditos. Como você vê essa relação entre o sagrado e o profano – ou maldito – no seu trabalho poético?

Rodrigo de Haro:  Malditos? Quem são? Maldito é título de nobreza, é ser politicamente incorreto? É possível. No mundo midiático, mecânico, em que vivemos é uma grande honra: Dante, Villon, os místicos, foram malditos também em seus dias, não é verdade?

5.       O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… De uma certa forma esses elementos são sempre recorrentes na sua poesia… Você acredita que eles ainda ajudam a compreender o mundo hoje?

Rodrigo de Haro:  A verdadeira poesia aproxima-se demais do ominoso para não provocar arrepios em alguns momentos. “Aqueles que levantam o véu….”. O sagrado, que nos ultrapassa está na essência da ordenação poética. Meu trabalho é aquilo que é. Sou apenas o servidor de uma força maior que, de um modo ou de outro, com esforço e trabalho tento dominar, ordenar, logo que sou tomado por esta visitação dos espaços exteriores ao pragmatismo. A pulsação do sangue, a respiração e a dança são parte integrante das forças ativas da memória e da nostalgia operante. A poesia solicita liturgia, algo que o surrealismo intuiu (e também explorou) com bastante inteligência. Breton-Hudini, por exemplo, foi um agente muito perspicaz…

6.       E sua obra poética e pictórica é também sempre classificada ao lado do grupo de poetas surrealistas, com quem de fato você escreveu uma trajetória. Você se identifica com esse rótulo?

Rodrigo de Haro: Sou irredutível a grupos, exceto socialmente. As escolas são sempre provisórias e o surrealismo me parece como estética ter perdido a inocência: Frida Kahlo, por exemplo, riu-se do movimento quando em Paris. Sua realidade, o seu entorno, o México coberto de caveiras de Jaguar em obsidiana, colocou o surrealismo. Dentro de medidas bastante discretas. O fantástico de Buñuel é sempre maior quando ele se afasta do surrealismo. Viridiana, Nazarin, Los olvidados. Mas… naturalmente agrada-me o discurso surrealista.

7.       O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… Esses elementos estão sempre gerando sua poesia e sendo gerados por ela… Você acredita que essas dimensões clássicas ainda ajudam a compreender a vida no mundo em que vivemos?

 Rodrigo de Haro: Sim, uma certa tradição hermética me fecunda. Acredito que os valores do sagrado e só eles poderão salvar o mundo. Este mundo em que vivemos.  É preciso reencantar o mundo através do apelo ao silêncio e também a outros ritmos compatíveis com a expansão do ser. O ético e o social devem expandir-se sem coerção, sem decretos, mas segundo o desabrochar da consciência de cada homem: pois todos sabemos de nossos deveres, todos podemos comunicar da mesma alegria. Basta abrir a porta.

8.       Vejo que sua obra é povoada por esposas vegetais, animais contemporâneos ou míticos, seres heterogêneos. Nos originais do livro Folias do Ornitorrinco que estão no prelo da Editora da UFSC, vi alguns versos que evocam o caráter trans-humano da arte, como em “Invenção do olfato: “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano/ seu rosto modelado por visível piedade/ Fala também com os répteis do lobo e sonha”. O filósofo francês François Lyotard cita em O inumano uma frase de Apollinaire segundo a qual “a Arte mantém-se fiel aos homens unicamente por sua inumanidade para com eles”. O que você pensa dessa relação entre a arte e o não humano?

 Rodrigo de Haro: Devemos acreditar na comunhão dos seres, das coisas. O olhar da criança é um olhar cúmplice dos anjos, logo fala com as coisas e os bichos. “O olho da flor da arnica amarela à minha porta, piscou-me esta manhã. Toda poesia de verdade será trans-humana por definição, pois cabe a ela restabelecer uma corrente rompida na queda, o antigo elo solidário entre as coisas e as criaturas.

9.       Espelho dos Melodramas e Folias do ornitorrinco: como se pode falar dessas obras que você lança pela Editora da UFSC?

 Rodrigo de Haro: E esses dois volumes de poesia acompanham Voz, Idílios vagabundos e Lanterna mágica, outros inéditos que produzi nos últimos tempos, neste voluntário recolhimento do Morro do Assopro. O primeiro deles representa minha adesão ao campo lírico, ao drama – pois trata (por vezes) do excesso, dos movimentos violentos ou dolorosos do espírito, mas com humor. Já Folias do Ornitorrinco obedece a um caráter sintético. São dois livros diferentes, mas compostos pelo mesmo homem. Estão próximos.

10.   Quais são os grandes autores da literatura brasileira e qual a melhor contribuição que deram, no seu ponto de vista, à renovação literária?

 Rodrigo de Haro: Guimarães Rosa, Lúcio Cardoso.

11.   Na convivência com o multiartista Rodrigo de Haro, percebe-se que estamos diante de um homem de 72 anos com uma rotina de trabalho diria até rigorosa, obstinada. Como é essa rotina e o que o move dessa forma ao trabalho artístico? Você se sente tomado por um sentimento de urgência de criação?

Rodrigo de Haro: Trabalho artístico ou simplesmente trabalho… Com o tempo, estabelecida a rotina, torna-se impossível fugir a ela. O trabalho de um atelier-escritório é riquíssimo. É tudo a fazer o tempo todo. Os quadros te arrastam para o cavalete, os cadernos sussurram nos ouvidos. Impossível aproximar-se do material sem ser de novo absorvido pelo visgo da invenção, do retoque, de alguma nova sugestão.

12.   Que outros projetos ainda estão saindo do atelier multiartístico de Rodrigo de Haro? A propósito, qual a importância do ambiente de trabalho no seu processo de criação?

  1. Rodrigo de Haro: Sempre são muitos os projetos, pois o hábito contínuo da reflexão se resolve em sonhos de realização urgentíssimos. Nada é mais importante do que sonhar para materializar.

Texto e entrevista a Raquel Wandelli

Lançamento: Livro-embalagem “Poemas”

(Folias do Ornitorrinco e Espelho dos Melodramas)

Autor: Rodrigo de Haro

Editora UFSC

Quando: 20 de dezembro, às 19h30min

Onde: Fundação Cultural Badesc

Entrada aberta ao público

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

Fones: 37218729 e 99110524

raquelwandelli@yahoo.com.br

www.secarte.ufsc.br

www.agecom.ufsc.br

 

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Editora UFSC encerra 2011 com três grandes lançamentos

09/12/2011 08:22

Nova obra poética de Rodrigo de Haro

Edições primorosas de Homo academicus, obra-prima do sociólogo Bourdieu, Linha direta: estética e política, de Mário Perniola e dois volumes poéticos de Rodrigo de Haro, fecham a aplaudida safra deste ano

A Editora UFSC chega a dezembro com três grandes lançamentos encerrando o ano. Um deles é o aguardado livro Homo Academicus, de Pierre Bourdieu, um dos maiores intelectuais do século XX, que se notabilizou ao se debruçar sobre as estruturas do pensamento do próprio campo intelectual.

O segundo livro é o ensaio “Ligação direta: estética e política”, de Mario Perniola, um dos filósofos italianos mais referenciados na atualidade, também traduzido pela primeira vez em língua portuguesa. Ao lado desses dois grandes pensadores de repercussão internacional, a Editora lança, no dia 20, o livro-embalagem “Poemas”, com dois volumes de poesias do multiartista catarinense Rodrigo de Haro.

Primando pela expressividade autoral e pela qualidade gráfica, as três edições consolidam o novo projeto editorial da EdUFSC, iniciado em 2010, e cumprem dois objetivos, segundo o editor Sérgio Medeiros. Um deles é o de ampliar seu catálogo, incluindo grandes nomes internacionais cujas obras sejam essenciais para a formação dos alunos desta universidade. O outro é o de pesquisar e experimentar novas texturas, cores, formatos de capa, de papel e de livros, a fim de oferecer aos leitores livros com altíssimo acabamento, comparável aos melhores publicados pelas grandes editoras universitárias do país.

Ligação direta

Os lançamentos consolidam o novo projeto editorial da EdUFSC

Essa trajetória de inovação do livro culmina no dia 20 de dezembro, às 19h30min, no Centro Cultural do Badesc, na Rua Vitor Konder, com uma festa de lançamento da nova obra poética de Rodrigo de Haro. A caixa-presente “Poemas” traz Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco,dois livros inéditos do poeta e artista plástico catarinense que é, na avaliação de Medeiros, uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira. Aos 73 anos, Rodrigo está em sua fase mais produtiva, alternando-se no talhe da palavra e da pintura.

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

Fones: (48) 37218729 e 99110524

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Romance vencedor do Prêmio Salim Miguel será lançado hoje na UFSC

18/11/2011 13:40

“Eu estava na casa de um amigo e ouvi um estrondo. Era um adolescente que tinha se jogado no vão do 12º andar. A primeira cena do livro descreve a imagem do corpo caindo de uma pessoa. A partir dela, comecei a pensar na história da minha vida e da minha região”.

Vencedor do Concurso Salim Miguel 2011 de Romance, promovido pela Editora da UFSC, a obra “Ao que minha vida veio…”, de Alckmar Santos, professor de literatura, chega às livrarias de todo Brasil. O lançamento em Florianópolis ocorrerá no dia 18 de novembro (sexta-feira), às 19 horas, na Sala Aroeira do Centro de Cultura e Eventos da universidade, durante o Simpósio Internacional de Cibercultura da ABCiber. Em seu terceiro romance, Alckmar, grande admirador da obra de Guimarães Rosa, mistura história do Brasil com história de vida e conhecimentos de alquimia.

O romance premiado de Alckmar, que já publicou outras obras como poeta e ensaísta, estreia no site da Editora da UFSC (www.editora.ufsc.br) o projeto de digitalização de obras de acesso público e gratuito. Sempre transitando entre a escrita para formato impresso e meio eletrônico, o autor também apresentará durante o lançamento do romance, a criação digital multiartística, “Volta ao fim”, elaborada em conjunto com o artista Wilton Azevedo.

Brincando com a palavra alquimia no título e com as origens e nome do autor na narrativa, a história inicia-se na década de 1930, ambientada em Silveiras cidade natal do autor, no Vale do Paraíba paulista. Relata a busca do narrador para reconstituir sua trajetória, descobrir quem são seus pais e definir sua própria identidade. Uma característica marcante é a linguagem inovadora, que evoca a oralidade dos contadores de causos do interior, com passagens repletas de detalhes e encantamentos.

O autor conta que o livro começou a nascer há quatro anos, em uma viagem a Belo Horizonte. “Eu estava na casa de um amigo e ouvi um estrondo. Era um adolescente que tinha se jogado no vão do 12º andar. A primeira cena do livro descreve a imagem do corpo caindo de uma pessoa. A partir dessa cena inicial, comecei a pensar na minha história e na história da minha região”.

Se, para o protagonista, a narrativa é um resgate de sua história, para o autor o processo de escrita foi um resgate da linguagem falada na região, das histórias contadas pelo avô, da memória de fatos de sua infância. “O ritmo desse romance, o vocabulário, as imagens, tem tudo a ver com Silveiras”, explica Alckmar.

Baseado em sua experiência como pesquisador de cibercultura e coordenador, há 16 anos, do Núcleo de Pesquisa em Literatura, Linguística e Informática da UFSC, o escritor fez uso de ferramentas como softwares de edição de imagens e de geolocalização para identificar elementos da região referenciada. “Empreendi uma viagem virtual a essa região de Minas Gerais e São Paulo, pelo *Google Maps*, atrás do personagem e do contexto onde ele viveu, examinando estradinhas, nomes dos bairros, de cidades, para nominar tudo com exatidão.” A obra também envolveu pesquisa sobre a história do Brasil, como a participação do país na Segunda Guerra, especialmente a atuação dos pracinhas, os lugares por onde andaram e combateram.

A apresentação do livro é feita por José Luís Jobim, diretor do Instituto de Letras e professor da UERJ e UFF. Ele destaca que não devemos esperar respostas cartesianas nem retas para a pergunta lançada pelo personagem já no título. Ao acompanhar a trajetória do narrador-personagem, o leitor pode ir testemunhando um processo de investigação e as mudanças que as revelações resultantes dessa pesquisa da vida operam na sua mente.

“Ao que minha vida veio…” será apresentado ao público de Santa Catarina, onde Alckmar fez carreira como professor de literatura e pesquisador da UFSC, depois de um lançamento no início do mês na Livraria da Vila, em  São Paulo, estado de origem do autor. Na primeira semana de fevereiro, a EdUFSC lança a obra em Silveiras, onde tudo começou.

Sobre o autor

Alckmar Santos é professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde coordena o Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL). Foi pesquisador convidado na Université Paris 3 – Sorbonne Nouvelle (2000-2001) e na Universidad Complutense de Madrid (2009-2010). É também poeta, romancista e ensaísta. Autor dos livros “Leituras de nós: ciberespaço e literatura”, “Dos desconcertos da vida filosoficamente considerada” (ensaio e poemas, respectivamente – Prêmio Transmídia do Instituto Itaú Cultural), “Rios imprestáveis” (poemas, Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira da revista “Cult”).

Sobre o livro

Romance – Ao que minha vida veio…

Autor: Alckmar Santos

Editora da UFSC

Páginas: 202

Preço: R$ 29,00
Lançamento

Data: dia 18 de novembro de 2011

Hora: 19 horas – Simpósio da ABCiber

Local: Sala Aroeira do Centro de Cultura e Eventos da UFSC/

Contatos do autor:

E-mail: alckmar@cce.ufsc.br

Jornalistas responsáveis:

Raquel Wandelli
Jornalista – SeCArte – UFSC
Fones: 37218729 e 37218910 e 99110524
www.secarte.ufsc.br   www.ufsc.br

Laura Tuyama
Jornalista – Agecom – UFSC
Fone (48) 3237-8506

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Feira de Livros da UFSC é estendida mais uma semana

29/08/2011 10:50

Foto: Camila Peixer/bolsista de Jornalismo na Agecom

A pedido dos alunos da instituição, a Feira de Livros da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina/Liga de Editoras Universitárias alongou o prazo e vai até o dia 9 de setembro. No semestre passado, o evento durou três semanas e agora vai ficar um mês em atividade, disponibilizando 1.670 títulos e mais de quinze mil exemplares com descontos de 50 a 70%. O horário de atendimento é das 9 às 19 horas, mas na última semana a feira vai funcionar todos os dias até às 20h30, na Praça da Cidadania da UFSC.
(mais…)

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“Um percurso psicanalítico pela mística, de Freud a Lacan” será lançado dia 10

05/08/2011 10:12

Na próxima quarta-feira, dia 10 de agosto, será lançado o livro “Um percurso psicanalítico pela mística, de Freud a Lacan”, publicado pela Editora da UFSC (EdFSC), autoria de Marlos Gonçalves Terêncio, mestre e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSC. O evento será realizado às 19h30, na Livraria Saraiva, do Shopping Iguatemi.

Sobre a obra:

“Ainda hoje os estudos realizados por psicanalistas a respeito da religiosidade preferem centrar-se naquilo que Freud denominava “a religião do homem comum”. Poucos dedicaram-se, contudo, de forma específica a analisar a mística ou misticismo, fenômeno que costuma ser equivocadamente absorvido à religiosidade tradicional.

A mística, entendida de maneira ampla como o sentimento de união com uma entidade maior – a divindade ou a natureza, por exemplo -, convoca outra ordem de esclarecimentos, pois pode prescindir da crença em dogmas religiosos e mesmo da intermediação de sacerdotes e suas instituições.

Fundamentado nesta distinção essencial e justificado pela lacuna de análises aprofundadas no ramo, este livro aborda as principais considerações psicanalíticas sobre a mística depreendidas da obra de Sigmund Freud, Jacques Lacan e comentadores.

Para tanto, percorre-se três eixos temáticos: a discussão entre Freud e o escritor francês Romain Rolland a respeito do “sentimento oceânico”; o conceito psicanalítico de gozo (jouissance) feminino, claramente relacionado por Lacan ao êxtase dos místicos; e a relação entre o misticismo e o despertar para além da produção de sentido.

Apresentando diversos conceitos psicanalíticos em estilo claro, o livro também descortina informações curiosas e pouco conhecidas, demonstrando, por exemplo, a apreciação ambivalente de Freud a respeito da mística e o interesse de Lacan pelo misticismo oriental. A obra é, assim, destinada aos interessados nas contribuições da psicanálise a respeito da experiência mística e religiosa em geral.”

“Um percurso psicanalítico pela mística, de Freud a Lacan”

Editora da UFSC, 2011, 227 páginas.

Preço R$ 32,00

Página no portal da EdFSC: http://www.editora.ufsc.br/publicacao/detalhe/id/389

Sobre o autor:

Marlos Terêncio é mestre e doutorando em Psicologia pela UFSC. É psicanalista com atuação em Florianópolis. Também atua como psicólogo no Ministério Público de Santa Catarina.

Outras informações pelo e-mail marlosgt@gmail.com.

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Santa Catarina é a estrela da Feira do Livro em Ribeirão Preto

25/05/2011 17:56

Com a exposição de cem títulos, Editora da UFSC coloca sua nova produção à prova em uma das maiores mostras literárias do país

Santa Catarina é o estado homenageado na 11ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, que acontece de 26 de maio, a 5 de junho, no Parque Maurílio Biagi, em São Paulo. A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina é o carro-chefe na mostra da produção literária do Estado, com cerca de cem títulos e um total de 1.500 livros. Além de obras versando sobre a cultura e a história de Santa Catarina, a EdUFSC expõe no seu estande 65 títulos recém-lançados no aniversário de seu 30º ano de fundação e que representam a mudança no seu projeto gráfico e editorial.

Pela primeira vez a Editora da UFSC está levando para fora do Estado um volume significativo de obras impactantes que expressam a nova política de edição. “Será uma prova de fogo para sentir a repercussão e consolidação desse projeto no mercado nesse grande evento”, aposta o diretor Sérgio Medeiros, lembrando que em novembro do ano passado a EdUFSC participou da Bienal do Livro em São Paulo, mas com uma mostra bem menor de títulos seguindo o novo padrão de qualidade.

Entre os lançamentos que representam a produção literária do Estado estão traduções de obras inéditas em língua portuguesa de autores como Mallarmé, Evaristo Carriego, Franz Kafka, Giorgio Agamben e Paul Claval. Também expõe ensaios inéditos no Brasil de Gonçalo Tavares e traduções comentadas da dramaturgia de Shakespeare, além de obras exclusivas de Linda Hutcheon e Mário Perniola e da co-edição com a Fapemig Pensar/Escrever o Animal, organizada por Maria Esther Maciel.

Para valorizar a cultura local, a editora levou para a feira os dois volumes de O Fantástico na Ilha de Santa Catarina, com as narrativas do historiador Franklin Cascaes compiladas e organizadas por Gelci Coelho (Peninha) e Franklin Cascaes, o mito vivo da Ilha, obra ensaística de Adalice Maria de Araújo. Também está expondo Folclore Catarinense, de Doralécio Soares. O maior volume de vendas, porém, sempre se concentra em torno da Série Didática, que reúne obras de diversas áreas direcionadas para estudantes universitários e pesquisadores, informa o diretor administrativo da editora, Fernando Wolff.

Reconhecida como uma das maiores mostras literárias do país, a feira homenageia todos os anos um país (Grécia), um escritor (José Saramago), um autor da terra (Saulo Gomes), uma autora (Luciana Savaget) e um patrono (Maurílio Biagi Filho), além de um estado da federação, neste caso, Santa Catarina. O Governo do Estado também participa divulgando a cultura e as festas catarinenses. “Uma feira desse porte abre oportunidade de divulgar e comercializar a produção dos autores, mas também de conhecermos as melhores práticas de venda e valorização do livro”, explica Wolff. A EdUFSC já está se programando para participar também da Bienal do Livro e da Panamazônica, que ocorrerão no segundo semestre respectivamente no Rio de Janeiro, e em Pará.

Publicações da EdUFSC na Feira de Ribeirão Preto:

  • Ética das virtudes – JOÃO HOBUSS (ORGANIZADOR)
  • A coisa perdida – AURORA FORNONI BERNARDINI (ORGANIZAÇÃO E TRADUÇÃO)
  • Breves Notas – Gonçalo Tavares
  • Fundamentação filosófica – GIOVANI LUNARDI • MÁRCIO SECCO
  • Redes locais – MARCELO RICARDO STEMMER
  • Georges Bataille – FRANCO RELLA • SUSANNA MATI
  • Desgostos; novas tendências estéticas – MARIO PERNIOLA
  • Divagações – STEPHANÉ MALLARMÉ
  • Corpo e Performances: As You Like It, de Shakespeare, no século XX – STEPHAN ARNULF BAUMGÄRTEL
  • Do jeito que você gosta, de Shakespeare, RAFAEL RAFAELI (TRAD.)
  • 4 poetas da Catalúnia – LUIS SOLER (ORG.)
  • 28 desaforismos –  FRANZ KAFKA –  SILVEIRA DE SOUZA (TRADUÇÃO)
  • Ecos do porão vol 1 e 2 – SILVEIRA DE SOUZA
  • Educação do corpo em ambientes educacionais – FÁBIO MACHADO PINTO • ALEXANDRE FERNANDEZ VAZ – DEBORAH THOMÉ SAYÃO  (ORGANIZADORES)
  • Edifício Rogério – Textos Críticos 1 e 2 –  ROGÉRIO SGANZERLA
  • Epistemologia da Geografia – PAUL CLAVAL
  • Discussão de novos paradigmas –  JAIME COFRE • KAY SAALFELD (ORGANIZADORES)
  • Pensar/Escrever o Animal – MARIA ESTHER MACIEL
  • Redes locais – MARCELO RICARDO STEMMER
  • Saindo do Armário – MIGUEL DO VALE DE ALMEIDA
  • Uma teoria da Adaptação, Linda Hutcheon (trad. André Cechinel)

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Por Raquel Wandelli – assessora de comunicação da SeCArte/UFSC

raquelwandelli@yahoo.com.br e raquelwandelli@reitoria.ufsc.br

Fones: 37219459 e 99110524

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Editora balzaquiana recebe reconhecimento e admiração da comunidade no seu aniversário

18/05/2011 17:46

Fotos: Cláudia Reis / Agecom e Raquel Wandelli / SeCArte

A senhora livreira e balzaquiana chamada Editora da Universidade Federal de Santa Catarina foi a grande homenageada no lançamento coletivo que marcou as comemorações do seu 30º aniversário de fundação na segunda-feira à noite (16). Cerca de 150 pessoas compareceram ao Centro de Eventos para prestigiar o evento cultural “A Editora da UFSC no século XXI”, promovido pela Secretaria de Cultura e Arte. No hall superior do prédio, a Editora comercializou e expôs em nichos separados por livro, os 65 títulos que publicou no período de 2010 e 2011, envolvendo o trabalho de 350 autores, entre escritores, ensaístas, organizadores, pesquisadores e tradutores, que foram prestigiados com um coquetel e noite de autógrafos. As obras lançadas representam a mudança na política gráfica e editorial da Editora da no último ano. “A EdUFSC é um motor no desenvolvimento intelectual e cultural da nossa universidade e do nosso Estado”, disse o reitor Alvaro Prata.

Na mesma cerimônia, a Secretária de Cultura e Arte da UFSC Maria de Lourdes Borges e o diretor da EdUFSC Sérgio Medeiros divulgaram o resultado do Concurso Salim Miguel [Romance], cujo vencedor foi o professor de literatura, poeta e escritor Alckmar Luiz dos Santos. Na presença do vice Carlos Alberto Justus, estudantes, professores, funcionários familiares, intelectuais, autores novos e consagrados (como Flávio José Cardozo, Olsen Jr., Cláudio Cruz etc.), a Editora foi reverenciada em todos os discursos pelo seu papel na promoção do conhecimento. “Fico muito feliz ao perceber o cuidado que a editora tem demonstrado não só com o conteúdo, mas com o aspecto físico dos nossos livros”, elogiou o reitor, que se disse orgulhoso por ouvir tantos comentários entusiasmados dentro e fora do Estado quanto à qualidade que a editora vem imprimindo a suas publicações. A secretária lembrou que muitas outras obras de impacto estão sendo preparadas para o decorrer deste ano, de autores como Rodrigo de Haro, Cruz e Sousa, Pierre Bourdieu, Judith Butler, entre outros.

Em seu discurso, o diretor atual da Editora da UFSC enfatizou os três desafios que a instituição está procurando vencer nos seus 30 anos de vida, completados em dezembro passado. O primeiro deles foi implantar uma ampla reforma gráfica, alterando radicalmente o miolo e as capas, ou seja, mudando a diagramação, as fontes e a estética visual. “Conferimos aos nossos livros um formato eficaz e uma identidade ousada, para melhor inseri-los no mercado nacional”. O segundo desafio foi publicar os vários títulos aprovados em gestões passadas, sem prejudicar a edição de livros de impacto, aprovados pelo atual conselho da editora. “Atualizamos o catálogo e ao mesmo tempo ampliamos a oferta de novos títulos de grandes nomes de prestígio mundial, como Giorgio Agamben, Linda Hutcheon etc”.

O terceiro desafio foi divulgar esses livros nacionalmente, expondo-os nas melhores livrarias dos grandes centros e conquistando espaço para resenhas e notas nos melhores jornais do país. Medeiros destacou o apoio financeiro da Reitoria e da Pró-reitoria de Pós-graduação. “Sem ele não poderíamos ter inovado na editoração e impressão, muito menos publicado 65 títulos em 12 meses”. Por último, enfatizou o papel dos funcionários da editora, que compreenderam as reformas e passaram a colaborar ativamente na confecção de livros mais atraentes e contemporâneos.

Fundada em 1980 pelo reitor Ernani Bayer, a Editora da UFSC tem mais de mil títulos no mercado e publica, em média, 50 livros por ano. Em seus 30 anos, recebeu a contribuição de quatro diretores anteriores, todos citados e reverenciados pelo seu trabalho durante a cerimônia. No primeiro ano da fundação teve à frente o professor João Nilo Linhares Dutra, sucedido pelo escritor Salim Miguel, que a consolidou e a dirigiu de 1981 a 1991, conseguindo junto a Fundação Banco do Brasil os recursos para a construção de sua sede atual. No período de 1991 a 2008 o professor e poeta Alcides Buss assumiu a direção e de 2008 a 2010 o professor Luiz Henrique de Araújo Dutra, que estava presente na cerimônia.

Entre suas mais recentes publicações estão traduções pioneiras de obras em língua portuguesa de autores como Mallarmé, Evaristo Carriego, Franz Kafka e Giorgio Agamben. Também lançou ensaios inéditos no Brasil de Gonçalo Tavares e traduções comentadas da dramaturgia de Shakespeare. Através da aquisição de direitos autorais ou da parceria com outras instituições, lançou obras exclusivas de Linda Hutcheon, Paul Claval, Miguel do Vale de Almeida, Luiz da Costa Lima, Luc-Nancy.

Com o Instituto Itaú Cultural reuniu e editou os textos críticos do cineasta catarinense Rogério Sganzerla e prepara a publicação do romance de Glauber Rocha. A editora traz ao leitor o melhor da produção científica, tecnológica e cultural da UFSC através de séries como a Didática, Geral, Nutrição, Ética, Urbanismo e Arquitetura da Cidade, Imagens, Gênero e Relações Internacionais, Pensamento do Fora e livros de Direito em parceria com a Fundação José Boiteux e da publicação dos grandes escritores catarinenses de todas as épocas, como o contista Silveira de Souza. Recentemente foi aprovada pelo Conselho Editorial a Coleção Repertório, que incluirá entre nomes universais de formação, autores catarinenses fundamentais como Rodrigo de Haro, Franklin Cascaes e Cruz e Sousa, todos já em linha de produção.

DA VELHICE À INFÂNCIA, UFSC RELEMBRA TRAJETÓRIA DE SALIM MIGUEL

Para incentivar a produção literária em Santa Catarina, a SeCArte e a EdUFSC lançaram em outubro de 2010 o Concurso Romance Salim Miguel, que homenageia um dos mais representativos escritores catarinenses e já prepara os concursos para livros de conto, poesia, roteiro e dramaturgia para os próximos anos. Durante o evento Editora da UFSC no Século XXI, Salim ouviu a leitura de um texto narrando sua história e carreira literária e recebeu do reitor Álvaro Prata, uma coleção dos últimos lançamentos da Editora.

O nome de Salim foi escolhido por unanimidade pelo Conselho Editorial para representar o único concurso público na área de romance hoje em Santa Catarina. Bem humorado, Salim agradeceu dizendo que concursos não devem pautar a vida de um escritor, mas são bons porque ajudam a “massagear o ego”. Autor de 31 obras, Salim é o primeiro escritor de SC a ganhar os dois prêmios nacionais. A trigésima segunda (32º) obra, “Reinvenção da Infância”, será lançada no dia 9 de junho, no Centro Cultural do BRDE, em comemoração aos 60 anos de publicação da obra de estreia, “Velhice e outros contos”, circunscrevendo um novo retorno em sua bela e profícua vida literária, da velhice à infância.

Leia a história de Salim escrita pelo jornalista Moacir Loth:

Nascido no Líbano em 1924, o escritor, jornalista e animador cultural Salim Miguel chegou ao Rio de Janeiro em 1927 com os pais e irmãos imigrantes. Após dois anos, a família mudou para Biguaçu, na Grande Florianópolis, onde morou dos cinco aos 19 anos. Por isso considera-se cidadão líbano-biguaçuense. Em 1943, inicia sua longa e indelével jornada cultural em Florianópolis. Crítico literário e jornalista atuante, Salim amargou 48 dias de cadeia em 1964, durante a ditadura militar. A “experiência” inspirou obras, entre as quais, o livro Primeiro de abril: narrativas da cadeia, e o próximo lançamento (Narrativas de um exílio no Rio). Com a companheira de toda a vida Eglê Malheiros, produziu o argumento e roteiro do primeiro longa-metragem de Santa Catarina: O preço da ilusão. Ainda em Florianópolis criou e liderou o movimento cultural Grupo Sul, que revolucionou o panorama das artes, trazendo para Santa Catarina o movimento modernista.

Ao deixar a prisão, Salim e Eglê seguiram para o Rio de Janeiro, onde Salim atuou durante quase 15 anos em jornais e revistas, seja como colaborador assíduo do Caderno Idéias, do Jornal do Brasil (JB), ou nas empresas do Grupo Bloch como redator, repórter especial e chefe de redação.

Desde a publicação de seu primeiro livro, há 60 anos, o escritor autodidata Salim Miguel vem recebendo merecido reconhecimento. Além de conquistar, aos 87 anos, dois prêmios nacionais com o livro Nur na escuridão, romance sobre seus familiares libaneses no Brasil, o primeiro diretor efetivo da Editora da UFSC foi o autor catarinense homenageado do Circuito Cultural Banco do Brasil. Em 1999, Nur, publicado pela Topbooks-RJ, recebeu o prêmio de melhor romance do ano, uma distinção da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA); e em 2001, dividiu com o escritor Antônio Torres (Meu querido canibal) o Prêmio Zaffari & Bourbon da 9ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (RS).

Ao completar meio século de literatura, Salim foi homenageado pelo Conselho Universitário da UFSC com a honraria máxima que uma universidade pode conferir: o título Doutor Honoris Causa. A mesma distinção foi dada em 99 ao Prêmio Nobel de Literatura José Saramago. Também foi agraciado com o prêmio Juca Pato 2002, conferido ao Intelectual do ano pela União Brasileira de Escritores (UBE) e jornal Folha de S. Paulo. Entre os seus prêmios, destaca-se ainda o da União Brasileira de Escritores (UBE-RJ) para Primeiro de abril – narrativas de cadeia.

Por: Raquel Wandelli – assessora de comunicação da SeCArte/UFSC

raquelwandelli@yahoo.com.br e raquelwandelli@reitoria.ufsc.br

Fones: (48) 3721-9459 e 9911-0524

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Editora lança hoje 65 livros e divulga resultado de concurso de romance

16/05/2011 08:26

Um grande evento literário marcará as comemorações dos 30 anos de fundação da Editora da UFSC e um ano de virada na política gráfica e editorial que a projetou entre as melhores editoras universitárias do país. Em alusão a essas conquistas, a Secretaria de Cultura e Arte da UFSC promove hoje, 16 de maio, às 17 horas, na sala Aroeira do Centro de Cultura e Eventos, o lançamento coletivo: “A Editora da UFSC no século XXI”, que trará a público 65 obras de grande relevância cultural. No mesmo evento, a Editora vai divulgar o nome do vencedor do Concurso Salim Miguel de Romance, o único no gênero hoje em Santa Catarina.
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Editora divulga até maio vencedor do Concurso Salim Miguel

17/02/2011 15:57

O número de inscritos no Concurso Salim Miguel de Romance, promovido pela Secretaria de Cultura e Arte e Editora da UFSC em outubro do ano passado, surpreendeu a Comissão Julgadora pelo número de inscritos. Um total de 26 obras originais foram recebidas pela Editora no término das inscrições, em 15 de dezembro. Os três membros da comissão, cujos nomes serão mantidos em sigilo até a divulgação do resultado, estão trabalhando para concluir a avaliação dos originais no mês de maio. “Considerando a natureza complexa do gênero romance, que exige experiência e volume de trabalho, ficamos muito satisfeitos com a participação dos escritores”, analisa Sérgio Medeiros, diretor da Editora da UFSC.
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