Pesquisadores da UFSC apontam que uso controlado do fogo pode mitigar incêndios em campos de altitude

25/09/2026 15:02

Manejo do fogo pode até ser benéfico para o ecossistema dos campos de altitude. (Fotos: Divulgação Peld/Bisc)

Grandes incêndios em campos podem ser evitados com o manejo adequado do fogo. É isso que demonstram os estudos desenvolvidos por pesquisadores do Programa Ecológico de Longa Duração sobre Biodiversidade de Santa Catarina (PELD-BISC), vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). As pesquisas orientaram a primeira operação de Manejo Integrado do Fogo no Parque Nacional de São Joaquim (SC), realizada neste ano.

A reserva ambiental, situada na região serrana do estado, é uma área de Mata Atlântica composta por “mosaicos campestres florestais”, ou seja, manchas de floresta em meio a uma paisagem de campos, como explica Rafael Barbizan, doutor em Ecologia pela UFSC e vice-coordenador do PELD-BISC. Nesses campos a queima pode ser não só benéfica, mas essencial.

A biomassa – material orgânico como folhas mortas – é um combustível natural para o fogo que, se não aplicado de forma prescrita, isto é, com planejamento, pode ser devastador. Os pesquisadores alertam  que a queima deve ser realizada em áreas específicas para que a biomassa não se acumule e contribua para a ocorrência de incêndios.

O coordenador do programa Eduardo Giehl aponta, no terceiro episódio do podcast Pod[e] Bisc, que políticas de fogo zero não são adequadas para todos os ecossistemas. Também enfatiza que a queima não deve ser feita por qualquer pessoa. No caso do Parque Nacional de São Joaquim, profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram a operação seguindo protocolos rígidos que garantiram a segurança da operação.
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Pesquisadores da UFSC denunciam degradação dos campos de altitude em nota na ‘Science’

11/07/2025 14:19

Ecossistemas protegidos por legislação federal e integrantes do bioma da Mata Atlântica, os campos de altitude de Santa Catarina estão sendo ameaçados por conta de legislação estadual que restringe a proteção dessas áreas a regiões com mais de 1,5 mil metros de altitude. O alerta foi publicado na revista Science nesta quinta-feira, 10 de julho, assinado por um grupo de pesquisadores de instituições catarinenses e gaúchas, entre eles os professores João de Deus Medeiros e Fernando Joner, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

De acordo com a nota publicada na Science, os campos de altitude têm 1.620 espécies de flora catalogadas, das quais pelo menos 25% são endêmicas, o que revela grande biodiversidade. A região é hábitat de 13 espécies de aves global e nacionalmente ameaçadas de extinção, além de espécies igualmente em risco como o lagarto Contomastix vacariensis e o veado-campeiro.

Leia a carta publicada na Science (em inglês)

A destruição dos campos de altitude em território catarinense, segundo a nota, é capitaneada por empresas florestais que se promovem como sustentáveis. Entre 2008 e 2023, cerca de 50 mil hectares de vegetação nativa foram substituídos por plantações de pínus, pois as empresas se valem do conceito estabelecido no Código Estadual do Meio Ambiente que determina a proteção para as áreas acima de 1,5 mil metros. Para os pesquisadores signatários da nota, os dispositivos estaduais que colocam esse ecossistema em risco deveriam ser considerados ilegais, já que se contrapõem à Constituição de 1988 e efetivamente vêm permitindo o processo de degradação.

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