Pessoas com deficiência encontram autonomia e estilo de vida saudável em projetos de extensão da UFSC

27/11/2018 08:01

Kamila Pereira, 31 anos, coleciona medalhas de ouro em competições paralímpicas. Foram três apenas na última edição dos Jogos Paralímpicos Universitários, que aconteceu esse ano em São Paulo. A competidora é uma das participantes do projeto de extensão de atletismo adaptado do Centro de Desportos (CDS) da Universidade Federal de Santa Catarina, com treinos voltados para pessoas com deficiência.

Os projetos de atividade física para pessoas com deficiência da UFSC oferecem, de forma gratuita, treinos e práticas de esportes para a comunidade interna ou externa à universidade. Os praticantes procuram o projeto com diversas finalidades, desde o desenvolvimento de condicionamento físico e melhoria de estilo de vida à treinos mais intensos, voltado para competições.

Para Kamila, além dos treinos para competições, a prática de esportes favorece também a autonomia e integração da pessoa com deficiência na comunidade. A atleta participa de projetos de esportes para pessoas com deficiência há nove anos, iniciado no Centro de Ciências da Saúde e do Esporte da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc), no bairro de Coqueiros. O projeto de atletismo adaptado da UFSC existe desde os anos 1990, mas foi reativado somente em 2017, após as reformas no Complexo Esportivo e a adesão da Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos (Aflodef).

Valéria Gomes, 42 anos, pratica atletismo adaptado há três anos, no mesmo projeto que Kamila e elogia a estrutura das pistas de atletismo da UFSC: “Agora é muito melhor; as pistas, o banheiro… A gente tem até água”. O projeto oferece 30 vagas semestrais para pessoas com deficiência física, visual e, recentemente, têm incluído estudantes com deficiência intelectual. A prática de atletismo adaptado conta atualmente com 16 alunos, a maior parte com deficiência física, com encontros nas segundas, quartas e sextas-feiras.

Apesar das reformas no acesso às pistas terem facilitado a circulação de pessoas com deficiência no lugar, os caminhos dentro da UFSC não são acessíveis para todos. No caso da Kamila, as estradas danificadas e a pouca iluminação dificultam a circulação da atleta pelo campus, que relata casos de queda. Kamila é formada em Pedagogia pela UFSC e, atualmente, faz Biblioteconomia no período da noite e precisa lidar com os caminhos diariamente.

Os projetos de extensão para pessoas com deficiência também aproximam os campos teórico e prático para os alunos da graduação, como ferramenta unificadora das áreas de ensino, extensão e pesquisa do curso de Educação Física, integrando estudantes da graduação como bolsistas e monitores das atividades. Professores de educação física adaptada também utilizam o espaço para apresentar o projeto aos seus alunos, como exercício prático de vivência.

Diego Antunes é professor de atletismo há seis anos e participa do projeto como professor na UFSC desde 2016. Diego faz parte da Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos (Aflodef) e explica que o processo das aulas não difere muito do atletismo olímpico; convencional. As adaptações são pensadas por aluno, conforme as necessidades de cada um, explica.

Na UFSC, cerca de 275 alunos se autodeclararam portadores de alguma deficiência no segundo semestre de 2018. A maior parte declara deficiência física, cerca de 57 estudantes, seguidos por deficiência auditiva, com 47 pessoas e 33 declaram transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), segundo os dados sobre estudantes com deficiência coletados pela Coordenadoria de Acessibilidade Educacional (CAE) no Sistema de Controle Acadêmico da Graduação (CAGR).

Jogos Universitários Paralímpicos

Na última edição dos Jogos Universitários Paralímpicos a UFSC acabou a competição em quarto lugar com 15 medalhas: cinco de ouro, cinco de prata e mais cinco de bronze. Os jogos aconteceram entre os dias 9 e 12 de maio de 2018, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo e contou com a participação de 196 instituições de ensino de 24 estados brasileiros.

Serviço

As inscrições para os projetos de extensão do CDS voltados para pessoas com deficiência são gratuitos e presenciais. Antes de efetuar a inscrição, o participante deve certificar-se de que preenche os requisitos exigidos para a participação de cada atividade.

Mais informações sobre os projetos de extensão podem ser conferidas no site.

Erick Souza / Estagiário de Jornalismo da Agecom / UFSC

Fotos: Henrique Almeida / Agecom / UFSC