UFSC na mídia: pesquisadores brasileiros vencem competição de ferramentas para projetos de chips

09/04/2013 15:47

Equipe do Instituto de Informática da UFRGS/Departamento de Informática e Estatística da UFSC, integrante do INCT Namitec, vence desafio organizado pela Intel em simpósio nos EUA

Durante o ACM International Symposium on Physical Design 2013, realizado entre os dias 24 e 27 de março, na Califórnia, EUA, foi anunciado o resultado da competição de Dimensionamento discreto de Portas Lógicas, promovida por pesquisadores da Intel, para a análise de ferramentas de software (CAD) aplicadas ao desenvolvimento de chips de alto-desempenho. Representando algumas das melhores universidades de todo o mundo, principalmente dos EUA e Ásia, 25 equipes se inscreveram. Destas, nove chegaram até a etapa final de avaliação. A equipe da UFRGS/ UFSC, integrante do INCT Namitec, obteve o primeiro lugar na classificação principal, que considera a qualidade do resultado final. Esse é o segundo ano consecutivo em que o grupo de pesquisadores brasileiros se destaca na competição. Em 2012, a equipe da UFRGS alcançou a primeira colocação em um dos critérios avaliados e a segunda posição em outro.

Promovido pela ACM/SIGDA e tendo co-promoção técnica da IEEE CAS Society, o International Symposium on Physical Design (ISPD) tem como temas centrais todos os aspectos do projeto físico de circuitos integrados, ou chips, como são popularmente conhecidos, abordando problemas de posicionamento, roteamento, comportamento elétrico, consumo de energia, correção e desempenho, especialmente a automação do projeto do leiaute do chip.

A série de competições do ISPD tem por tradição abordar um mesmo tema em dois anos consecutivos. Em 2012, tratou-se do problema de dimensionamento das células lógicas, ou seja, dos transistores que compõem estas células, visando a reduzir a potência estática, que afeta a performance de circuitos de alto-desempenho, como microprocessadores de computadores, por exemplo. As equipes participantes tiveram suas ferramentas avaliadas segundo dois critérios: o resultado absoluto, com medição detalhada do atraso de transmissão de sinais fornecidos por uma ferramenta comercial, e a melhor relação entre tempo e qualidade. Na competição deste ano, foram incluídos os atrasos de interconexão e circuitos mais complexos.

A equipe da UFRGS, que implementou a ferramenta de EDA (Electronic Design Automation), ou Automação de Projeto Eletrônico, a partir de pesquisas efetuadas pela UFRGS e UFSC, teve cerca de três meses para o desenvolvimento do software de automação do dimensionamento. Então, o mesmo foi enviado à Intel, que gerou 16 circuitos usando os softwares submetidos pelas equipes competidoras. Alguns destes circuitos tinham cerca de 2,5 milhões de transistores.

“As chamadas ferramentas EDA tratam da automação do projeto físico de chips e buscam otimizar o particionamento do circuito, o posicionamento, roteamento e dimensionamento de seus componentes, chegando até a uma síntese automatizada do leiaute da rede de transistores”, conta o Prof. Dr. Ricardo Reis, um dos orientadores da equipe participante da competição.

Essa temática tem ganhado crescente importância, já que os projetos de chip são cada vez mais complexos, o que torna a automação do projeto cada vez mais crítica. “Projetos eficientes influenciam diretamente a performance do chip, sua temperatura de operação e confiabilidade. Por isso, as ferramentas de Automação de Projeto Eletrônico têm obtido tanto destaque. A competição serviu para mostrar que a tecnologia desenvolvida no Brasil é original e está no estado da arte”, conclui Reis. Para o Prof. Dr. Marcelo Johann, um dos orientadores da equipe vencedora, a premiação confirma os resultados positivos que o grupo de pesquisadores brasileiros tem gerado e publicado nos últimos anos. “A equipe está de parabéns pelo grande resultado, que confirma sua notável capacidade, empenho e coordenação para fazer pesquisa avançada e gerar uma ferramenta robusta com o trabalho coordenado em grupo”, elogia.

Além de Johann e Reis, integram a equipe vencedora os alunos de doutorado Gracieli Posser, Guilherme Flach e Tiago Reimann, do Instituto de Informática da UFRGS, o professor José Luís Güntzel, o recém-mestre Vinícius Livramento e os bolsistas de IC Chrystian Guth e Renan Netto, do Departamento de Informática e Estatística da UFSC.

O sucesso na competição do ISPD 2013 é resultado de pesquisas que envolvem a colaboração entre a UFRGS e a UFSC, universidades participantes da rede de 27 instituições de pesquisa que compõem o INCT Namitec (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Nano e Microeletrônicos), que atua na área de microeletrônica, com pesquisas e ações no estudo de redes de sensores, projetos de circuitos integrados, estudos de dispositivos, tecnologias de fabricação, ferramentas de EDA e formação de recursos humanos. O INCT Namitec é financiado pelo CNPq, Fapesp e Capes. O trabalho vencedor, além do Namitec, teve apoio de outros projetos financiados pelo CNPq, CAPES e Fapergs.

(Assessoria de Imprensa do Namitec)

Fonte: Jornal da Ciência

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