Editora da UFSC relança o ‘homo academicus’ de Pierre Bourdieu 

10/11/2017 12:24

‘Um livro para queimar’? é o capítulo número um de “homo academicus”, livro que chega agora como uma das últimas novidades da Editora da UFSC e mostra a ousadia acadêmica de seu autor, Pierre Bourdieu.

Parte da ideia inicial de que analisar cientificamente o mundo universitário significa eleger como objeto uma instituição que é socialmente reconhecida, que goza de toda legitimidade graças ao seu caráter nacional, que é vista como “mágica” e que se pretende objetiva e universal. Na obra, Bourdieu revela conflitos, contradições, crises, desilusões, interesses, relações de força, hierarquia de prestígios, ruptura de equilíbrios.
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Feira da EdUFSC apresenta versão mais acessível de “Homo Academicus”

01/04/2013 13:15

Esgotado, após sucesso nacional e grande exposição na mídia, o clássico Homo academicus, de Pierre Bourdieu, ganhou uma segunda edição pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC). A obra, que faz uma ferrenha crítica às instituições, sobretudo à academia e seus membros, é uma das estrelas da Feira do Livro da EdUFSC, que vai até amanhã, dia 2 de abril, no Centro de Convivência da Universidade, no Campus Florianópolis. É a primeira vez que Homo academicus é traduzido para a língua portuguesa. A façanha é dos professores Nilton Valle e Ione Ribeiro Valle, ambos do Centro de Ciências da Educação da UFSC.
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Editora da UFSC lança Homo Academicus

08/12/2011 09:51

Considerado um teórico pessimista das instituições sociais, o sociólogo Pierre Bourdieu nem por isso é menos essencial. Reconhecido também pela densidade e coerência de seu pensamento, oferece uma leitura obrigatória para compreender os mecanismos pelos quais as instituições culturais e políticas operam a exclusão dos não eleitos, sobretudo a instituição da qual faz parte como crítico ferrenho e lúcido: a academia.

Homo academicus, que a Editora UFSC acaba de lançar com tradução para língua portuguesa pela primeira vez, está sendo aguardado como a obra que mais exerce a reflexão sobre a violência do poder simbólico do “universo universitário”.

Traduzido do francês pelos professores do Centro de Ciências da Educação da UFSC Ione Ribeiro Valle e Nilton Valle, pela primeira vez em língua portuguesa, Homo academicus é considerado por esses especialistas a obra-prima de Bourdieu. Nela, o sociólogo e filósofo francês questiona profundamente o poder classificatório e autorregulador dos intelectuais, expresso no título do capítulo: “O hit parade dos intelectuais franceses ou quem julgará a legitimidade dos examinadores?”.

Crítico consistente das estruturas capitalistas de poder, Bourdieu faleceu em 2002, deixando uma
vasta obra com pelo menos 25 livros publicados no Brasil. A maior parte desses livros é leitura obrigatória na área de humanas. Entre eles foram traduzidos para o português os famosos O poder simbólico (1992) e O que falar quer dizer: a economia das trocas simbólicas (1998), que tratam sobre como o uso da linguagem e da retórica sustenta fronteiras hierárquicas e estratificações sociais.

O teórico também abordou a questão do poder entre os gêneros na aclamada obra A dominação masculina (1999). Em Sobre a Televisão (1997),muito citado nos cursos de comunicação e ciência política, o teórico analisa a autocensura e a simplificação do conhecimento pela sua própria classe de intelectuais, que pactuam com os veículos de massa para que possa acontecer a divulgação do saber científico de um modo controlado e banalizado.

Mas é desnudando a opressão dos sistemas de ensino e sua face mais perversa na eliminação das classes desfavorecidas que Bourdieu alcança ampla e imediata repercussão no Brasil. Lançado na França em 1984, Homo academicus integra uma série de quatro livros em que o sociólogo elabora sua complexa teoria sobre os mecanismos escolares de exclusão dos desfavorecidos e eleição dos que ele chama de “herdeiros da academia”, impondo uma “aristocracia de méritos” dissimulada. Processo que Homo academicus demonstra não apenas com argumentos teóricos, mas com amplas pesquisas estatísticas e quadros baseados no cruzamento de indicadores como capital de notoriedade intelectual, de prestígio científico e de poder universitário com indicadores de poder político, social e econômico herdado ou adquirido.

A obra compõe uma importante tetralogia sobre a dominação escolar ao lado de Les héritiers (Os herdeiros, publicado na França em 1964); A reprodução (1974), escrita em parceria com Jean-Claude Passeron e única da série com tradução no Brasil antes de Homo academicus, e La noblesse d´Êtat (A nobreza do Estado, 1989). Nesse edifício teórico que disseca o pensamento científico como um campo de poder, a educação aparece como
instauradora de uma cultura escolar que inculca nos indivíduos um pensamento discriminatório com fortes implicações nas sociedades contemporâneas.
Melhor se compreende a radicalidade do pensamento de Bourdieu inserindo-a no calor das tensões que resultaram nos grandes movimentos estudantis contra o autoritarismo das universidades francesas dos anos 60, contexto no qual e contra o qual a obra se insurge.

Bourdieu põe a nu os mecanismos pedagógicos pelos quais a escola efetua um verdadeiro regime de exceção onde o pertencimento a instituições universitárias de grande prestígio social instaura uma superioridade metafísica do indivíduo acadêmico que ele chama de “milagre da eficácia simbólica”. Mostra ainda que a escola é o lugar por excelência da transmissão de uma “lógica secreta”, marcada pela violência simbólica que disfarça seu fundamento “profano” e sua finalidade real de reprodução da sociedade de classes, como esclarece a pedagoga e tradutora Ione Valle, no alentado prefácio a Homo academicus.

– Assim como a “nobreza militar”, a “nobreza escolar” aparece como um conjunto de indivíduos de essência superior, pois, ao selecionar aqueles que a escola designa como mais bem dotados, estabelece-se uma hierarquia no interior das classes juridicamente instituída pelo veredicto escolar, que legitima uma espécie de “racismo da inteligência”, explica a prefaciadora.

Por Raquel Wandelli / Jornalista na SeCArte/UFSC
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