Pesquisadores da UFSC identificam fatores de risco para a saúde mental de pós-graduandos

02/07/2026 14:20

 

Imagem ilustrativa (Divulgação/Agecom)

A  pressão por produtividade, prazos cada vez mais apertados e a instabilidade profissional estão entre os principais fatores associados ao adoecimento mental de estudantes de pós-graduação, aponta o artigo Risk factors associated with mental health outcomes and related conditions in graduate students: a systematic review. O estudo integra a tese de doutorado de Pablo Antonio Bertasso de Araujo, do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob orientação do professor Guilherme Fleury Fina Speretta, do Laboratório de Pesquisa CardioVasc Lab.

Além da revisão sistemática, o grupo de pesquisa investigou a realidade dos estudantes de doutorado da UFSC. Neste estudo, foram observados índices aproximados de 20% de sintomas de ansiedade, 18% de sintomas de depressão e 17% de estresse. A pesquisa também analisou como atividades físicas e a meditação podem colaborar no processo.

Publicado na revista científica internacional da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Brazilian Journal of Psychiatry, um dos artigos da tese reúne estudos realizados em diferentes países para identificar os principais fatores associados aos desfechos de saúde mental em estudantes de pós-graduação.

Na etapa da tese realizada na UFSC, os resultados mostraram que níveis mais elevados de estresse estavam associados a pior qualidade do sono, ao aumento dos sintomas depressivos e a menor prática de atividade física. “Nosso objetivo com a revisão sistemática foi compreender o cenário global da saúde mental na pós-graduação e compará-lo com a realidade dos estudantes de doutorado da UFSC”, explica o professor Guilherme.

O professor Guilherme explica que os artigos com os resultados da UFSC estão em fase final de preparação para a submissão de periódicos especializados ainda este ano. No estudo de intervenção sobre os impactos das atividades físicas e de meditação, os participantes do estudo foram acompanhados durante 12 semanas, com sessões remotas realizadas três vezes por semana.

Os acadêmicos foram distribuídos em três grupos: exercício físico, meditação e controle, que manteve a rotina habitual. Antes e após o período de intervenção, foram avaliados indicadores de saúde mental, qualidade do sono, função cardiovascular e desempenho cognitivo. “Observamos que tanto o exercício físico quanto a meditação reduziram a percepção de estresse e melhoram o desempenho cognitivo. Além disso, a meditação apresentou efeitos positivos na qualidade do sono, enquanto o exercício físico contribuiu para a melhora do estado emocional”, explica o professor.

Para o pesquisador, os achados reforçam que mudanças no estilo de vida podem ser estratégias acessíveis e eficazes para promover o bem-estar emocional e cognitivo de estudantes de doutorado.

Cenário preocupante

Segundo os pesquisadores, o ambiente acadêmico também tende a deixar em segundo plano aspectos relacionados ao bem-estar dos estudantes. Um exemplo é que, diferentemente de outras categorias profissionais, estudantes de pós-graduação geralmente não possuem direito a férias formais, o que pode contribuir para o desgaste físico e emocional ao longo da formação.

A pesquisa identificou índices significativos de sofrimento psicológico entre estudantes de pós-graduação. “O cenário de saúde mental entre estudantes de pós-graduação é preocupante. Estudos apontam prevalências de até 75% de sintomas de ansiedade, 88% de percepção de estresse e 89% de sintomas depressivos. Embora esses instrumentos não sejam diagnósticos, os resultados indicam um sofrimento psicológico importante, com impacto na qualidade de vida e potencial aumento do risco de outras doenças, incluindo as cardiovasculares”, explica o pesquisador Guilherme.

Além disso, entre 1,8% e 9,9% dos estudantes apresentaram desfechos relacionados ao suicídio, e problemas ligados ao comportamento alimentar foram encontrados em 5,8% a 29,9% dos participantes.

Relações acadêmicas também influenciam o bem-estar

Outro aspecto identificado pela pesquisa foi a influência das relações interpessoais no ambiente universitário. De acordo com os achados, a qualidade da interação entre orientadores, orientandos e colegas pode contribuir para a experiência acadêmica e para a saúde mental dos estudantes. Os pesquisadores destacam que as universidades precisam ampliar o debate sobre a saúde mental de toda a comunidade acadêmica, discutindo não apenas as relações entre orientadores e orientandos, mas também as condições de trabalho e estudo na pós-graduação. Essas discussões são fundamentais para a criação e o aprimoramento de políticas institucionais voltadas à promoção da saúde mental.

“Na UFSC, já existem iniciativas nessa direção, mas esse é um tema que merece atenção contínua. Também é importante destacar que a maior parte dos estudos da nossa revisão foi realizada no exterior. Em um estudo do nosso laboratório, conduzido na UFSC com estudantes de doutorado, observamos que a maioria avaliou sua relação com o orientador como boa ou muito boa, sugerindo que outros fatores também podem impactar a saúde mental nessa população”, explica o pesquisador Guilherme. 

Os autores destacam que a saúde mental dos estudantes de pós-graduação é influenciada por uma combinação de fatores acadêmicos, psicológicos, sociais, financeiros, biológicos, relacionados aos hábitos de vida e às condições de saúde preexistentes.

Rosângela Matos | agecom@contato.ufsc.br
Estagiária da Agecom| UFSC

 

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Reitoras divulgam carta de boas-vindas aos estudantes da UFSC

12/08/2014 10:25

Seja bem-vindo! Seja bem-vinda!

Sejam todos muito bem-vindos à nossa Universidade para mais um semestre que se inicia. Para aqueles que estão retornando, esperamos que tenham desfrutado do recesso junto a seus familiares e que estejam renovados para mais esta etapa que começa hoje.

Aos que estão iniciando sua história na UFSC neste semestre, depois de tanto esforço para estar entre nós, nosso alegre abraço de boas-vindas. Desejamos que encontrem, em nossa Universidade, o integral cumprimento de suas expectativas. Convidamos todos e todas a se informarem ao máximo das oportunidades acadêmicas que oferecemos, tais como programas culturais, assistência estudantil, refeições subsidiadas, biblioteca de excelência, atenção à saúde, bolsas de estudos para o Brasil e para o exterior, projetos de pesquisa e extensão, além de um amplo leque de possibilidades para seu crescimento tanto como intelectual quanto como cidadão brasileiro.

Durante o recesso, enquanto esperávamos por você, trabalhamos duro para recebê-lo com uma intensa agenda de planejamento de ações institucionais. Nosso foco é o avanço das fronteiras do conhecimento através da apropriação da ciência, tecnologia e da formação do pensamento crítico, contribuindo com a elaboração de novas formas e práticas, da qualidade crescente do ensino de graduação e de pós-graduação e do compromisso com a construção de um país mais justo e solidário.

Para isso trabalhamos, para isso contamos com cada um dos nossos estudantes como parceiro especial na construção propositiva de uma universidade preparada para dar respostas à sociedade que a mantém, cumprindo com a sua responsabilidade social, inovando a cada dia, aperfeiçoando suas práticas, ampliando suas possibilidades como comunidade acadêmica de fomento à arte, ciência, tecnologia e justiça.

Roselane Neckel e Lúcia Helena Martins Pacheco

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