Descoberta nova espécie animal na Fazenda Experimental da UFSC

26/09/2019 12:31

Perto da recém-inaugurada estrutura do aeroporto de Florianópolis, uma nova espécie de lagostim foi descoberta habitando a área da Fazenda Experimental da Ressacada, pertencente à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e localizada no bairro Tapera. De acordo com o histórico relatado pelo engenheiro agrônomo da instituição Marcelo Venturi, o primeiro registro do animal foi feito em 2011. Na ocasião, as imagens foram divulgadas na galeria de fotos da Fazenda Experimental.

Dois anos depois, uma equipe do Laboratório de Carcinologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) visualizou as fotografias e entrou em contato para solicitação de uma visita técnica, uma vez que não havia registro destes lagostins-de-água-doce na parte insular de Florianópolis. A suspeita era de se tratar de um Parastacus brasiliensis. A equipe gaúcha veio, realizou a coleta e a identificação da nova espécie.

O animal cabe na palma da mão e lembra um camarão-pitu ou uma lagosta ou caranguejo. Constrói tocas subterrâneas em locais que eventualmente podem ser alagadiços (água doce), como cursos da água (sangas, arroios e rios) e áreas úmidas (pastos alagadiços, banhados e várzeas). As tocas podem possuir aberturas tipo chaminé, com uma torre de 2 a 30 centímetros de altura, ou com aberturas simples no solo, que parecem um buraco feito por caranguejo.

Esses lagostins se alimentam de larvas de insetos que ficam subterrâneas e raízes de plantas, sem causar prejuízos para cultivos. São animais muito frágeis e normalmente não sobrevivem à interação em áreas muito utilizadas por humanos. Ecologicamente, fazem parte da cadeia alimentar de outros animais, como aves, anfíbios, peixes e pequenos mamíferos, além de promoverem a aeração e circulação de água no solo.

O engenheiro agrônomo Marcelo Venturi destaca que a descoberta só foi possível graças ao trabalho integrado entre a UFSC e a UFRGS, sendo um exemplo concreto de resultados alcançados com as atividades de pesquisa e extensão. Ele afirma que “o registro e a conservação das áreas onde vive a espécie são fundamentais para esses ecossistemas”. Caso você aviste um lagostim ou sua toca na região citada, pode entrar em contato pelo e-mail ou por meio do telefone (51) 3308-7698, do Laboratório de  Carcinologia da UFRGS.

Maykon Oliveira / Jornalista da Agecom / UFSC
Fotos: Divulgação / Fazenda da Ressacada

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