Pesquisadores propõem novo termo para representar a diversidade de fungos

08/01/2019 11:49

O professor Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, ligado ao Departamento de Botânica da Universidade Federal de Santa Catarina (Bot/CCB), faz parte da equipe de micólogos responsável pelo artigo propondo a independência do Reino Fungi das categorias “Fauna e Flora”. O artigo foi publicado no dia 18 de dezembro na revista da Associação Internacional de Micologia, apresentando o termo “Funga” para representar a diversidade dos fungos como um grupo equivalente e, ao mesmo tempo, autônomo à Fauna e à Flora.

Segundo o professor a ideia de formalizar um termo para distinguir os fungos de plantas ou do grupo dos microrganismos surge da necessidade de reconhecimento dos fungos. O Reino Fungi têm se tornado mais popular, principalmente quanto a sua importância socioeconômica e socioambiental, na produção de alimentos, medicamentos, recuperação de área e etc. Do ponto de vista acadêmico, será útil no âmbito internacional, porque são poucos os programas de pós-graduação que tratam os fungos como um grupo separado da botânica. O Programa de Pós-graduação da UFSC, por exemplo, foi recentemente alterado e agora é apresentado como Biologia de Fungos, Algas e Plantas, para ser mais inclusivo e representativo.

“É novo e é justo, porque tratar os fungos como plantas ou animais é uma falha grave. Não nos ocorreria dizer que os animais têm caule, nem que as plantas têm fígado (tradução livre)”, comenta a micóloga chilena fundadora da Fundación Fungi, Giuliana Furci. O grupo de pesquisadores acredita que com o pleno reconhecimento desses organismos, serão iniciadas mudanças substanciais nas políticas educativas e agrícolas, como a incorporação da micologia em assuntos de interesse nacional, como conservação, educação e proteção de habitats e de suas espécies.

A publicação foi um esforço conjunto de argentinos, chilenos, brasileiros e o destacado micólogo estadunidense Donald H. Pfister, que propõem o termo Funga como o mais adequado, considerando dentre os demais argumentos, a possibilidade de leitura em várias línguas como “Fauna, Flora e Funga”, abreviado como ‘FF&F’. “É importante usar um termo simples, eufônico e paralelo ao que as pessoas já conhecem (tradução livre)“, mencionou o micólogo argentino Francisco Kuhar. O uso das 3F (Fauna, Flora e Funga) em assembleias internacionais como a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e a Convenção sobre a Diversidade Biológica das Nações Unidas (CDB), proporcionará uma base moderna para servir de referência a um dos maiores grupos de organismos na Terra.

Origem do termo ‘Funga’

As palavras fauna e flora têm sido o padrão de uso desde Carlos Lineu (Carl Nilsson Linnæus), o pai da taxonomia moderna (a classificação dos grupos de organismos). A falta de um nome específico para se tratar dos fungos pode ser devido à antiga concepção dos cogumelos como plantas, ideia mantida até o século XX. Os nomes Fauna e Flora são também utilizados para se referir a seres mitológicos e/ou literários em textos antigos, tendo Flora como a deusa das flores e da Primavera, e Fauna, a deusa esposa, filha ou irmã de Fauno, a versão romana do deus grego Pan.

A primeira imagem de uma entidade relacionada a cogumelos é fruto do trabalho de Schaeffer (1774). A representação faz referência à deusa Diana (equivalente romano de Ártemis), inspirada na sua leitura por Éfeso, em que o culto estava relacionada às ervas, fertilidade e reprodução, em contraste com representações anteriores onde a deusa era retratada como uma caçadora. Originalmente cunhado por Gravesen (2000), o termo Funga costumava ser aplicado para delimitar e definir a taxa de fungo em determinada região, ou associada com comida ou na construção de materiais.

Mais informações sobre o termo no artigo e na página http://micolab.paginas.ufsc.br/.