UFSC e universidade da Noruega lançam plataforma inédita de monitoramento do Super El Niño

30/09/2026 10:38

Reprodução da plataforma

A Universidade Federal de Santa Catarina está participando de uma iniciativa inédita para o monitoramento do Super El Niño, fenômeno climático de grandes proporções que está no Brasil e atinge diferentes regiões com episódios de extremos climáticos. O Climate News Watch é um painel interativo e gratuito, criado por pesquisadores da Universidade de Bergen, do Bjerknes Centre for Climate Research (Noruega) e da UFSC, que acompanha todos os dias como a imprensa do mundo noticia os efeitos do El Niño. O painel está disponível em: https://ai-observatory.shinyapps.io/theclimatenewswatch/

Na UFSC, a parceria é coordenada pela professora Regina Rodrigues, uma das principais especialistas em clima e El Niño do país e no mundo. “Apenas hoje, com essa tecnologia, a gente consegue fazer esse tipo de levantamento. Não existe nada parecido e é importante porque as pessoas podem consultar e ver a situação atual e quais são todos os impactos globais”, sinaliza a professora.

O sistema coleta milhares de manchetes sobre enchentes, secas, ondas de calor, incêndios, ciclones, tempestades, perdas agrícolas e de pesca, em mais de cem idiomas. Uma inteligência artificial lê cada manchete na língua original, traduz, identifica o país e o tipo de evento e avalia a gravidade do que foi relatado. Essa leitura alimenta o Termômetro das Notícias, um índice que mede o tom da cobertura: quanto mais as manchetes falam em alertas, danos e mortes, mais ele sobe.

Depois, o índice é comparado aos desastres registrados pelo Global Disaster Awareness and Coordination System, o sistema de alerta da ONU e da Comissão Europeia, e mostra quando o “barulho” da mídia é maior ou menor do que o do próprio evento. No mesmo mapa, o usuário cruza as notícias com os dados climáticos do momento, como temperatura da superfície do mar, nuvens, vento e chuva. Uma linha do tempo permite voltar ao dia a dia e acompanhar a evolução das notícias, lado a lado com a do clima.

Por trás do painel vai se formando um banco de dados, e é ele a parte mais importante do projeto para a pesquisa. O fenômeno climático costuma ser estudado separadamente de seus impactos sociais e econômicos, em parte porque essas informações não estão reunidas em nenhuma tabela: elas aparecem espalhadas nas notícias, sem estrutura, em dezenas de línguas. Os modelos de linguagem atuais mudam isso. Eles conseguem ler esse material e organizá-lo automaticamente em uma base de dados, com país, data, tipo de evento, gravidade, número de mortes e a causa apontada pela própria reportagem.

Com essa base, também será possível responder a várias perguntas: quanto os governos investiram para se preparar e quanto gastaram para reparar os danos? Quais foram os impactos na saúde e os prejuízos para as pessoas, e como tudo isso se relaciona, país a país, com a intensidade do El Niño medida pelos dados climáticos? E as notícias estão atribuindo corretamente ao El Niño o que está acontecendo?

Regina explica que a plataforma acompanha todas as reportagens sobre desastres climáticos, em nível global. “Então depois que acabar o El Niño vamos continuar usando. A coleta desses dados pode gerar uma ciência mais avançada e com muita importância para a sociedade, porque a gente vai conseguir identificar melhor esses impactos. Além de tudo, qualquer pessoa pode usar, porque ela também é um produto para a sociedade”.

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