Edgardo Castro discute relação entre governo e regime de exceção

21/05/2012 17:52

“Exceção é sinônimo de governo no ocidente”, diz filósofo que profere conferência no segundo encontro “Malvinas, mar e meio ambiente”, no dia 29 de maio, na UFSC. 

Abertura do ciclo “Malvinas, mar e meio ambiente”

A segunda conferência do ciclo “Malvinas, mar e meio ambiente” traz como palestrante o professor e filósofo Edgardo Castro para debater sobre “Soberania e territorialidade: considerações biopolíticas”. Gratuito e aberto ao público, o evento ocorre a partir das 18h do dia 29 de maio, na Sala Hassis (andar térreo do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC). Estudioso de Foucault e Agamben, Castro oferece em sua obra uma poderosa cartografia de teóricos que ajudam a pensar o funcionamento das formas de poder contemporâneas, baseadas na fusão entre governo e estado de exceção. Na estreia do ciclo, no último dia 10, o diretor da Biblioteca Nacional de Buenos Aires, Horacio Gonzáles, lotou o auditório Henrique Fontes com a conferência “Literatura e política: a partir de Malvinas”.

Edgardo Castro discute soberania e territorialidade

Na conferência, Edgardo deverá explorar os pontos de intersecção e diferenças entre Agamben e Foucault, explica o professor Raul Antelo, pesquisador do Núcleo de Estudos Literários e Culturais (Nelic), que organiza o ciclo ao lado da professora Liliana Reales, coordenadora do Núcleo Onetti de Estudos Literários Latino-americanos. Em recente entrevista para a revista IHU On-Line, de Porto Alegre (http://www.ihuonline.unisinos.br), Edgardo Castro ponderou que as relações entre Agamben e Foucault são permeadas de continuidades e rupturas nem sempre fáceis de discernir. Isso porque, “para Agamben, diversamente de Foucault, a produção da vida nua não é um fenômeno moderno, se não tão velho como a existência do próprio poder soberano”.

Para Agamben, os dois polos da máquina política do Ocidente são a produção da vida nua e sua administração, explica Castro. “A ideia de Agamben é que, na política ocidental, lei e exceção se sobrepõem. Governar no Ocidente é, por isso, exercer o poder na forma da exceção: os decretos-lei, as leis de necessidade e urgência, os poderes especiais delegados ou assumidos pelo executivo”, diz ainda o pensador à Revista do Instituto Humanitás Unisinos. “Em última análise, a vida nua não é, para Agamben, o fundamento da política ocidental que está, antes, no que articula os dois polos da máquina política, o que constitui, segundo a formulação de O reino e a glória, o arcanum imperii, o segredo melhor guardado do poder”.
Tal fundamento é, então, a glória em seu duplo sentido, objetivo e subjetivo, o glorificado e a glorificação, conceito marcadamente teológico, que pode ser traduzido, em termos mais modernos, por consenso, diz ainda Castro. “Soberania e governo, poder de expor a vida à morte e poder de administrar a vida se fundem, então, no consenso. A Agamben, nesse sentido, interessa sublinhar aqui o nexo entre totalitarismo e democracia”.
Em Vocabulário de Foucault, Castro mostra a ideia de governo como condução das condutas do pensador francês. O poder consiste, em termos gerais, em conduzir condutas e dispor de sua probabilidade, induzindo-as, separando-as, facilitando-as, dificultando-as, limitando-as, impedindo-as. Em seus últimos escritos e cursos no Collège de France, aparece um conceito que substitui o de luta, que é o de governamentalidade. A história das práticas, tal como é formulado por Foucault, questiona a ideia da revolução como conceito fundamental da historiografia moderna. “Na realidade, tanto a concepção jurídica liberal como a marxista e a freudiana acerca do poder podem ser vistas como diferentes versões do ideal revolucionário; cada uma delas, a seu modo, constituiu-se como a promessa de uma liberação”, como analisa Pablo Scharagrodsky, professor do Programa de Pós-Graduação Sujeito e Políticas em Educação da Universidade Nacional de Quilmes, que analisa a obra de Castro. Todavia, em Foucault, a substituição do conceito de luta pelo conceito de governamentalidade coloca em xeque a ideia da revolução.
O professor Edgardo Castro é doutor em Filosofia pela Universidade de Freiburg, na Suíça. É professor na Universidad Nacional de San Martín (UNSAM) e já lecionou em muitas Universidades argentinas (Universidad Nacional de La Plata e Rosario). Entre suas obras, constam Pensar a Foucault (Biblos, Buenos Aires, 1995); Penser l’homme et la science. Betrachtungen zum Thema Mensch und Wissenschaft (Friburgo, Presses Univesitaires, 1996); El vocabulario de Michel Foucault (Unqui, Prometeo, 2004), traduzido como Vocabulário de Foucault (BH, Autêntica, 2004), com nova edição (Buenos Aires, Siglo XXI, 2011), um poderoso guia em forma de dicionário alfabético para conhecer os caminhos e pensamentos do teórico e Lecturas foucaulteanas. Una historia conceptual de la biopolítica. (Ed. UNIPE, 2012).
Serviço:
CICLO MALVINAS, MAR E MEIO-AMBIENTE
Conferência (2): “Soberania e territorialidade: considerações biopolíticas”
Edgardo Castro, professor e filósofo
Data: 29 de maio 2012, às 18 h
Local: Sala Hassis- Prédio CCE
Aberta ao publico em geral
Entrada franca
Mais informações com os professores Liliana Reales () e Raul Antelo ()
Raquel Wandelli
Assessora de Comunicação
Secretaria de Cultura (SeCult)
37219459 e 99110524
Tags: cicloEdgardo CastroMalvinasmar e meio ambienteUFSC

Ciclo de Estudos em Nutrologia na UFSC discute obesidade e doenças cardiovasculares

19/11/2010 08:59

O conceito de programação metabólica foi introduzido na literatura na década de 70. Nos últimos 40 anos crescem as evidências científicas embasando sua participação na gênese de doenças crônicas muito prevalentes como a obesidade e doenças cardiovasculares. Para discutir estas questões os nutrologistas da UFSC e muitos convidados regionais e nacionais estão reunidos durante dois dias no “VII Ciclo de Estudos em Nutrologia”, no Auditório da Reitoria da UFSC. O evento encerra-se hoje, 19, às 18h. A realização do encontro foi da Menu – Metabologia e Nutrologia e da Divisão de Pediatria do Hospital Universitário Polydoro Ernani de São Thiago.

Com o tema “Crescimento/Desenvolvimento & Consignação”, os profissionais procuram atualizar-se no foco principal das discussões que é a prevenção nas crianças das doenças crônicas do adulto. Assim, esclarece a professora da UFSC Mônica L. Chang Wayhs, da Comissão Organizadora do Ciclo, “salienta-se a importância do monitoramento e de intervenções apropriadas sobre alimentação e estilo de vida em fases precoces da vida (fase intrauterina e primeiros anos) com repercussões positivas na saúde futura”.

A programação deste último dia de encontro no período da manhã será a mini-conferência “Consequências da Transição Nutricional”, com Dr. Mauro Fisberg (SP); mesa redonda “Prevenção das doenças do adulto na infância: Obesidade”, com o Dr. José Augusto Taddei (SP), Diabetes, Dra. Marilza Leal Nascimento (SC) e “Hipertensão”, com o Dr. Maurício Laerte Silva (SC) (SC)”; mesa-redonda “Orientação nutricional: A criança que não come”, com a Dra. Anne Lise Dias Brasil (SP), “A criança que come demais”, com o Dr. Mauro Fisberg (SP) e, “Rotulagem”, com o Dr. José Augusto Taddei (SP).

No período da tarde, a programação tem início com a mesa-redonda “Alergia alimentar – manifestações clínicas: Reações adversas aos alimentos”, com o Dr. Kennedy Shisler (PR); Manifestações gastrintestinais (esofagite/colite), com a Dra. Nilza Perin (SC) e “Manifestações IgE mediadas”, com a Dra. Helena Maria Vieira (SC)”; mesa-redonda “Alergia alimentar – Dificuldades relacionadas ao tratamento: Risco nutricional”, com a Dra. Fabíola Isabel Suano de Souza (SP), “Programas de apoio”, com a Dra. Renata Acelina Pires (SC) e “Encaminhamento – direitos da criança – apoio jurídico”, com o Dr. Maurício Pessutto (SC).

Por Celita Campos/jornalista na Agecom

Tags: ciclonutrologiaobesidade