Estudo revela importância econômica e social da UFSC para o estado

27/09/2019 13:13

A crise financeira das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) que afeta toda a estrutura de ensino, pesquisa e extensão, além dos órgãos de fomento à pesquisa científica e de apoio à pós-graduação, vem sendo amplamente noticiada e discutida pela sociedade desde os anúncios dos cortes orçamentários pelo Governo Federal. Para embasar o debate, bem como apresentar os serviços, a extensão, a geração de emprego e o papel cidadão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Núcleo de Estudos de Economia Catarinense (Necat) publicou, em setembro de 2019, estudo preliminar sobre a importância econômica e social da Universidade para o estado de Santa Catarina, elaborado pelo professor Lauro Mattei e pelos estudantes Mateus Victor Fronza e Vicente Loeblein Heinen. Neste espaço serão mostrados alguns tópicos e gráficos e a íntegra do texto pode ser conferida neste link.

Ensino

No que tange ao ensino da UFSC, o estudo traz os números da educação básica e superior. A primeira, que engloba educação infantil, ensino fundamental e médio, atende mais de 1.200 pessoas. Na graduação são 122 cursos e atende a quase 30 mil estudantes. Na pós-graduação são 141 cursos – 85 mestrados e 56 doutorados – que contemplam mais de 10 mil alunos.

No ano de 2018, o trabalho enumera que a UFSC atingiu 41.290 estudantes. Ao correlacionar esse montante com o número de municípios do estado por estratos populacionais, uma das constatações apresentadas pelos autores é que apenas 30 cidades das 295 catarinenses detêm população superior à estudantil do campus Florianópolis. A importância social da Universidade fica evidenciada ao proporcionar qualificação profissional a uma parcela expressiva da população.

Analisando o mesmo ano, o relatório mostra que o número de estudantes envolvidos com os programas chegou a 1.660, considerando-se que a maior parte das bolsas é mantida com recursos próprios da UFSC. Essas atividades, como o de Educação Tutorial (PET) e o de Bolsa Estágio (Pibe), procuram melhorar tanto a formação interdisciplinar como a específica via estágios profissionais. Além disso, os projetos de extensão da Universidade permitem uma maior aproximação com a realidade nas áreas de atuação dos distintos cursos.

Além dessas modalidades, agregam-se ainda as bolsas de Iniciação Científica (Pibic/CNPq). Ao longo de 2018 foram disponibilizadas aos alunos 822 bolsas. O levantamento do Necat registra que esse montante faz parte do convênio financeiro que o CNPq mantém com todas as Ifes visando à formação de jovens pesquisadores.

Conforme os dados de 2018, o valor destinado à política de assistência e permanência estudantil superou a R$ 17 milhões, com destaque para o Programa de Bolsa Permanência da UFSC que atendeu 2.184 estudantes a um valor superior a R$ 13 milhões. O pagamento mensal de bolsas e benefícios aos alunos gera, direta ou indiretamente, efeitos positivos na economia local, enfatiza o estudo.

Pesquisa

Desde sua criação, a UFSC vem contribuindo com a pesquisa nacional em várias áreas do conhecimento, a ponto de ser destaque, recentemente, na última edição do ranking britânico do Times Higher Education (THE). A revista avaliou 1.396 universidades em 92 países e a federal catarinense apareceu entre as sete melhores do país. No ano de 2018 existiam 624 grupos de pesquisa em atuação na Universidade.

Extensão

O Necat ressalta que as ações de extensão são importantes no processo de democratização do acesso ao conhecimento produzido nas universidades, cuja função primordial é contribuir com soluções para os graves problemas enfrentados pela população brasileira. Nesta direção, as ações podem auxiliar na elaboração de políticas públicas, ao mesmo tempo em que possibilita aos estudantes se tornarem profissionais mais conscientes da realidade em que estão inseridos.

Outras contribuições à sociedade foram citadas pelo trabalho, como as atividades da Maricultura envolvendo a Universidade e centenas de famílias. Atualmente essa região litorânea responde por 95% da produção nacional de ostras e mexilhões, sendo que as sementes são geradas pelo Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM) da UFSC. Na esfera social, destaca os serviços oferecidos gratuitamente pelo Hospital Universitário (HU). Na preservação ambiental, o “Projeto Fortalezas” tem papel relevante, cujo patrimônio histórico é gerido pela UFSC há 40 anos. No primeiro domingo de cada mês, entre março e novembro, a taxa de visitação nas três fortalezas – Santa Cruz de Anhatomirim, São José da Ponta Grossa e Santo Antônio de Ratones – é gratuita.

Aspectos orçamentários

Em um cenário de contração do volume de recursos, tanto para custeio como para investimentos, é importante destacar os impactos negativos dos bloqueios e contingenciamentos a partir de maio de 2019. No caso específico das UFSC estão retidos aproximadamente R$ 60 milhões, sendo R$ 47 milhões da rubrica custeio e o restante, R$ 13 milhões, de capital.

Empregos diretos

O funcionamento da UFSC não diz respeito apenas aos estudantes, professores e técnicos-administrativos, como também a uma cadeia produtiva que envolve diversos segmentos profissionais e empresas prestadoras de serviços. A Universidade sozinha gera quase 10 mil empregos diretos. Neste item, o estudo observa que não está sendo considerada a parcela de alunos que trabalham regularmente e que mantém um vínculo formal com a Universidade.

Dos 295 municípios catarinenses, 166 têm população inferior a 10 mil habitantes. Isso significa que o volume de empregos diretos gerado pela UFSC, no Campus Florianópolis, é superior à população de cada uma dessas cidades, os quais correspondem a 56% dos municípios catarinenses. Caso não existissem esses empregos proporcionados pela UFSC, a taxa de desocupação passaria de 6% para mais de 10%. Com isso, mais uma vez corrobora-se a grande importância econômica e social da UFSC, não somente para Florianópolis e região metropolitana.

Impactos indiretos

O Campus Florianópolis se localiza em uma região circunscrita por diversos bairros (Trindade, Córrego Grande, Serrinha, Carvoeira, Pantanal, Santa Mônica, Itacurubi etc) bastante populosos e com alta densidade populacional, abrigando parte expressiva da própria comunidade universitária. Com isso, expande-se de forma contínua a demanda por bens e serviços atrelados ou não ao funcionamento da Universidade.

Desta forma, no âmbito interno do próprio campus, nota-se a existência de diversos serviços que são prestados à comunidade universitária. Assim, nessa área estão localizadas agências bancárias e dos Correios que prestam seus serviços, gerando um número expressivo de empregos que terão impactos econômicos e sociais não mensuráveis diretamente pela ação da Universidade. Além desses, registra-se a presença de dezenas de empresas que prestam outros serviços à UFSC (fornecedores de materiais de limpeza, de materiais para laboratórios, de equipamentos eletrônicos, de produtos alimentares para o Restaurante Universitário (RU) e do HU, de equipamentos de transportes etc).

Nos arredores da Universidade também se organizou uma vasta rede comercial que encontra nos membros da comunidade universitária seu público consumidor. Neste caso, devem-se destacar mercados e supermercados, bares e restaurantes, academias de ginástica, cafés, livrarias, lojas de roupas e calçados etc. Na rede de prestação de serviços, destaca-se a expressiva quantidade de escritórios, consultórios médicos, odontológicos e psicológicos e outros espaços de negócios existentes nos prédios comerciais, inclusive, dois shoppings centers.

Da mesma forma, atreladas ou não à Universidade, observa-se o surgimento e a existência de um número expressivo de empresas de tecnologia digital que vão transformando a própria cidade em um polo de inovação tecnológico referência para o país. Sem dúvida, esse fenômeno econômico recente está diretamente relacionado ao trabalho que vem sendo articulado pela UFSC em ações como a constituição do Parque Alfa e, mais recentemente, do Sapiens Parque.

O panorama tem reflexos também sobre o setor imobiliário, dada a manutenção de uma demanda contínua a cada ano com os novos ingressantes na Universidade. Não é por acaso que ao redor da instituição e nos bairros que a circundam verifica-se a existência de quase uma dezena de agências imobiliárias. Certamente esse movimento provoca efeitos positivos sobre o setor da construção civil, uma vez que a construção de novos edifícios residenciais nos últimos anos foi muita expressiva.

Não resta dúvida que todos esses aspectos que geram efeitos econômicos e sociais indiretos para o conjunto da sociedade decorrem, em grande parte, da existência e das ações da UFSC. Portanto, são visíveis os efeitos irradiadores da Universidade sobre a sociedade local e, de certa forma, também na estadual.

Mais informações:

necat.ufsc.br

Edição: Rosiani Bion de Almeida/Agecom/UFSC

Tags: IFESNecatorçamentoUFSC