UFSC recebe 170 estudantes de diversos países para o primeiro semestre

15/03/2019 13:14

Bienvenidos, bienvenue, willkommen, benvenuto, vítejte, welcome”. As boas-vindas em seis idiomas do secretário de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lincoln Fernandes, deram início ao evento de recepção dos estudantes internacionais em mobilidade na UFSC. Realizada na sexta-feira, 8 de março, no auditório da Reitoria I, a recepção teve como objetivo proporcionar aos alunos uma perspectiva mais ampliada sobre a UFSC, criar um ambiente de interação para os intercambistas e fornecer orientações sobre procedimentos necessários para a estadia no Brasil.

A recepção

“Gostaria de convidá-los a participar desse mundo da Universidade Federal de Santa Catarina, aproveitem tudo o que pudermos oferecer”, incentivou o reitor da UFSC, Ubaldo César Balthazar, após serem apresentados aos alunos internacionais os pró-reitores e secretários da UFSC, além de informações sobre a instituição e os programas de intercâmbio. No primeiro semestre de 2019 a UFSC recebe 152 estudantes internacionais em intercâmbio, de 19 países de origem, pelos programas Incoming, BRACOL, BRAMEX e AUGM. O programa Incoming recebe estudantes de instituições conveniadas à UFSC por meio de acordos bilaterais, sem o pagamento de bolsas. Os demais são programas dos quais a UFSC faz parte, recebendo e enviando estudantes, e incluem auxílio financeiro.  Além disso, a universidade recebe 18 estudantes de 10 países para realizar a graduação completa na UFSC, pelo Programa Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), que oferece a estrangeiros a oportunidade de se graduarem em Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras.

Dividido em três momentos, a segunda parte do evento ficou por conta dos representantes da Secretaria de Relações Internacionais (Sinter) da UFSC, que forneceram instruções aos estudantes relacionadas, por exemplo, ao cadastramento no Restaurante Universitário (RU). “Esse evento é para que todos os estudantes se sintam acolhidos”, comenta Natália Roth, responsável pelo programa Incoming da Sinter.  Pensando nisso, foi oferecido um coffee break aos estudantes, que também puderam assistir a uma apresentação de capoeira no final do evento.

Para Lincoln Fernandes, a recepção reflete a preocupação em promover o bem-estar dos intercambistas e demonstra o quão relevante é para a UFSC a questão da mobilidade. “A vinda desses alunos para cá contribui para o que a gente chama de internacionalização em casa. Eles estão trazendo o ambiente internacional para dentro da universidade. Os nossos alunos também estão se beneficiando disso”. Para viabilizar esse processo, ele enfatiza a necessidade de todas as instâncias trabalharem juntas, o que explica a importância da presença dos pró-reitores e secretários da UFSC no evento. Além do reitor e do secretário de Relações Internacionais da UFSC, integraram a mesa de recepção Sebastião Soares, pró-reitor de Pesquisa; Rogério Bastos, pró-reitor de Extensão; Alexandre Marino, pró-reitor de Graduação; Pedro Luiz, pró-reitor de Assuntos Estudantis; e os secretários da UFSC, Juliano Fernandes, da Secretaria de Esportes (SESP), e Francis Tourinho, da Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (SAAD).

Stephanie cursará a graduação completa na UFSC e a mãe, Mari Perrazas, veio ao Brasil acompanhar a filha nas semanas iniciais.

Oportunidade de aprendizagem

Faltava meia hora para o evento começar e Stephanie Perrazas e sua mãe, Mari Perrazas, já aguardavam no saguão de entrada do auditório. Natural de Santa Cruz, na Bolívia, Stephanie é uma dos 18 estudantes que vieram cursar a graduação na UFSC por meio do PEC-G. Há dois anos, teve a oportunidade de experimentar algo parecido e passou seis meses na Alemanha.

Desta vez, Stephanie ficará no exterior por quatro anos para concluir a graduação em administração na UFSC. “Acho que a princípio vai ser muito ruim estar distante, mas eu espero que minha família possa me visitar e que eu também possa ir para lá”, diz Stephanie. Para Mari, a filha já está acostumada a estar longe de casa. Mesmo assim, veio ao Brasil para dar apoio e acompanhar Stephanie durante as primeiras semanas de adaptação.

“Nós, mães, sempre queremos o melhor para nossas filhas, então se ela tem um objetivo aqui no Brasil de se formar e fazer o que gosta, tenho que apoiar para ela poder sair adiante e ser uma profissional que aproveite e conheça uma nova cultura, um novo país”, destaca Mari sobre a importância da experiência. Assim como a mãe, Stephanie acredita que a oportunidade de estudo na UFSC possibilitará, entre outros benefícios, o aprendizado de uma nova língua e de uma nova cultura, e complementa: “Isso me faz crescer como pessoa”.

Carlota Soriano e seu padrinho, Renan.

Diferentemente de Stephanie, a experiência mais longa de Carlota Soriano longe de casa durou cerca de um mês – agora, passará um semestre a um oceano de distância da família como intercambista do curso de Direito da UFSC. “Os primeiros dias são difíceis, eu falo todos os dias com meus pais. Mas eu estou contente e com muita vontade de conhecer o Brasil”, relata a estudante de 20 anos.

Vinda de Valência, na Espanha, Carlota vê semelhanças entre a cidade de origem e Florianópolis. “Lá também tem praia”, diz, sorrindo. Amenizada a questão da ambientação, ela acredita que o idioma será sua maior dificuldade. “Na Espanha, eu tinha um professor brasileiro, mas ele morava no norte do país, então eu percebo a diferença de como ele falava e de como se fala aqui”, conta.

Kelly Osmar, de 23 anos, também realizará um semestre na UFSC. Há dois dias no Brasil, a colombiana está na última fase do curso de veterinária e conta que o que mais levou em consideração ao optar pela UFSC foi a notoriedade da região na área de agricultura. “Essa cidade é muito forte em agricultura, então quis vir para aprender muito e voltar para a Colômbia aplicando esses conhecimentos”.

Kelly Osmar escolheu fazer intercâmbio na UFSC pelo reconhecimento que a região tem na área de agricultura.

Assim como Carlota, Kelly pouco fala português e acredita que aprender a língua será um de seus maiores desafios. Como uma forma de auxiliar nesse processo e oferecer um modo de intercâmbio cultural sem sair do país, a Sinter promove um programa de apadrinhamento em que alunos da UFSC podem se candidatar para orientar estudantes internacionais. Renan Ribeiro cursa Administração na UFSC e decidiu, pela segunda vez, participar do programa de apadrinhamento.

Neste semestre, Renan é o padrinho de Carlota. Ele conta que sua principal atividade é estar em contato, tirar dúvidas e interagir com o aluno internacional, podendo desempenhar também outras funções. “A Carlota já sabe onde vai ficar, mas no semestre passado acompanhei um colombiano que ainda não sabia onde ia morar e não falava português. Eu busquei no aeroporto, consegui um local para ele ficar e o acompanhei na Polícia Federal. Quando as aulas começaram, ele foi perdendo o medo e começou a conhecer outras pessoas aqui. Mas sempre mantive um contato, caso precisasse de alguma coisa”.

Além de conhecer outras pessoas, Renan tem como objetivo aperfeiçoar seu espanhol. Há dois anos, estuda a língua espanhola no programa de cursos extracurriculares oferecido pelo Departamento de Língua e Literaturas Estrangeiras da UFSC. Assim que se sentiu mais confortável para exercitar o idioma, inscreveu-se para ser padrinho, já que a oportunidade possibilitaria também que conhecesse um pouco de outros países sem precisar sair do Brasil. “Meu objetivo de estudar espanhol é, depois da graduação, morar um tempo fora na América Latina. Conhecer essas pessoas de outros lugares é como também conhecer um pouco dos lugares que elas vieram e eu poder escolher o melhor local para mim no futuro.”

Consolidando o processo de internacionalização

De acordo com o secretário de Relações Internacionais, “a mobilidade é muito importante, mas em si não é internacionalização, é uma das atividades que auxiliam a consolidação desse processo de internacionalização”. Nesse sentido, Lincoln afirma que é essencial aperfeiçoar o que já é oferecido pela UFSC nas atividades de internacionalização e implementar novos serviços, principalmente no que diz respeito à ultrapassagem das barreiras linguísticas entre os países.

Lincoln observa que muitas instituições e estudantes internacionais procuram por disciplinas estrangeiras e cursos de idiomas para uma melhor adaptação no Brasil. Por isso, a Sinter desenvolveu um catálogo com diversas disciplinas em inglês, todas com caráter interdisciplinar.  “Isso ajuda a trazer pessoas de países que não vinham para cá por conta dessa deficiência”, comenta, ressaltando que disponibilizar essas atividades era uma demanda até mesmo de países não falantes do inglês, como Itália e Alemanha.

“Agora a ideia é abrir a Sinter para o mestrado e para o doutorado internacionais, porque até então é só a graduação”, destaca. Em agosto de 2018, o projeto de internacionalização dos programas de pós-graduação da UFSC foi aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação do Ministério da Educação (MEC), pelo Edital CAPES/PRINT nº 41/2017.

O secretário afirma que, com o Projeto Institucional de Internacionalização (PRINT), deve ocorrer uma ampliação do escopo das atividades desenvolvidas pela UFSC, já que o Programa CAPES-Print propicia uma maior visibilidade à pesquisa científica, incentivando o estabelecimento de redes de pesquisa internacionais e facilitando a mobilidade internacional de professores, pesquisadores e estudantes de pós-graduação.

Mais informações sobre os programas de intercâmbio e apadrinhamento no site.

Maria Clara Flores/Estagiária de Jornalismo na Agecom/UFSC

Fotos: Pipo Quint/Agecom/UFSC

 

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