Seminário e debate com os editores da revista Oitenta e Quatro dia 22, no CCE

21/08/2017 11:03

Foto: Divulgação.

Os editores da revista “Oitenta e Quatro”, publicação independente lançada por alunos da UFSC em 1984, promovem um seminário e debate no dia 22 de agosto, às 16h30, na sala Drummond, bloco B, do Centro de Comunicação e Expressão (CCE). Aldy Maingué, Jéferson Lima e Mauro Faccioni Filho construíram a revista, que abordava a temática da literatura e da arte, nos moldes das produções marginais da época.

Aos participantes do evento será distribuída a edição composta pelas três publicações da revista em fac-símile e três cadernos, constituídos por um texto crítico, memórias e desdobramentos, embalados em uma caixa com papel couché. Este projeto de reedição foi realizado com o apoio do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Fundação Catarinense de Cultura, Funcultural e do edital Elisabete Anderle/2014. 

O trio de editores não tinha convicção nos movimentos que existiam na época e buscavam expressar suas ideais e críticas produzindo algum tipo de conteúdo. De ideias, desenhos, rascunhos, leituras, nasceu a revista, em meio ao contexto de abertura política e fim da ditadura militar. Quadrinhos, textos críticos, crônicas e poesias eram algumas das produções que constituíam os três números.

Primeira edição da revista Oitenta e Quatro.

A primeira edição foi publicada em 15 de maio de 1984.  Aldy afirma que a escolha de trazer a foto de Carlos Lamarca na capa, foi por eles considerarem a imagem como a de um típico brasileiro, e claro, incluir também uma crítica, comum nas produções da revista. Os editores julgavam necessário conter manifesto na edição de abertura, e assim, a revista contou com três: “Estética do Sentimento”, “Gênesis” e “Enquadramento Geral”.

Em 15 de junho de 1984 ocorreu a publicação da segunda edição. Houve uma mudança no design gráfico: a capa deixou o estilo jornal e passou a ser mais revista e as colunas dentro da publicação quase desapareceram. Além disso a edição contou com a participação de colaboradores.

Dois meses depois a terceira edição era lançada. “Nesse número aprofundamos a ficção, e quando houve discurso revolucionário era pra ser contra a revolução, e contra a direita, e contra a esquerda, e o que mais aparecesse do tipo”, explica Mauro no texto crítico do caderno um da reedição.

“Não tínhamos computadores, datilografávamos, fazíamos recortes e colagens”, pontua Aldy sobre a maneira como a revista era feita. Os editores pressionaram a reitoria, em especial um dos pró-reitores, para que as tiragens fossem impressas na Imprensa Universitária. E conseguiram. Aldy conta que os títulos, além das palavras cortadas de revistas e jornais, eram feitos com letraset, cartelas com fontes e imagens decalcáveis. “Nós literalmente virávamos a noite produzindo, nós gostávamos do que fazíamos”, revela o editor da revista.

Depois de produzidas e impressas, era necessário vender as publicações. Aldy conta que lançaram a revista em Curitiba, e nessa ocasião ofereceram uma edição para o poeta Paulo Leminski, que recusou a oferta. Um ponto de venda importante foi na entrada do Centro Integrado de Cultura (CIC). Contudo, a revista não prosperou e só foi até o terceiro número.

Serviço:
O quê: Seminário e Debate com os editores da revista Oitenta e Quatro
Quando: 22 de agosto, às 16h30
Onde: Sala Drummond, bloco B, do Centro de Comunicação e Expressão
Mais informações: 

Diana Hilleshein/Estagiária de Jornalismo da Agecom/UFSC

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