Obra que redescobre manuscrito com história das Fortalezas será lançada

26/08/2011 11:20

Publicação ilustrada e multimídia de grande importância para reconstituição histórica da vida nas cidades fortificadas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul será distribuída para escolas, meios de comunicação, instituições de memória

Santa Catarina já teve 26 Fortificações de Defesa no século XVIII e o Rio Grande do Sul chegou a erguer 42, das quais sobram oito na Grande Florianópolis e uma em São Francisco do Sul e as ruínas de apenas duas no estado vizinho. Em alguns momentos mais tensos na história das invasões e das disputas territoriais entre Portugal e Espanha, praticamente toda a população da antiga Desterro e do Rio Grande de São Pedro viveu protegido pelas Fortalezas. Examinando-se mapas demarcados dessa época, observa-se que se enfileiravam uma ao lado da outra, formando extensos cordões nas ilhotas e ao longo do litoral. O início dessas construções de defesa coincide com a própria data de fundação dos dois estados, tamanha foi sua importância no desenvolvimento dos povoados. As possibilidades de se conhecer a vida dentro dessas cidades fortificadas e o seu funcionamento esteve por três séculos encerrada dentro de um manuscrito original de 1786 que só agora vem à luz da história com a publicação de uma grande obra que une os esforços da iniciativa individual, pública e privada.

A publicação tardia desse documento inédito pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina e Prefeitura de Florianópolis, com apoio cultural da Unimed, devolve aos pesquisadores e curiosos em geral a chance de conhecer melhor esse capítulo decisivo e ainda obscuro da história do Brasil. O mérito maior cabe à determinação de dois pesquisadores que inscreveram o projeto de publicação explicada, complementada e ilustrada do chamado Códice de Santa Catarina na Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Fundação Franklin Cascaes: Roberto Tonera, arquiteto da UFSC, responsável pelas obras de restauração e conservação das fortalezas da Ilha de Santa Catarina mantidas pela universidade, e Mário Mendonça de Oliveira, professor de arquitetura da Universidade Federal da Bahia, condecorado pelo Exército por sua obra de reconstituição da memória militar do Brasil e restauro das fortificações.

Ambos são responsáveis pela organização do livro “As defesas da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro em 1786”, que será lançado em uma data histórica em um lugar também histórico, na véspera do aniversário da Independência do Brasil, em 6 de setembro, às 19 horas, no Palácio Cruz e Sousa. Com uma tiragem de mil exemplares, a obra será distribuída gratuitamente às escolas públicas, meios de comunicação e instituições ligadas à memória e patrimônio. A edição inclui textos introdutórios e explicativos sobre o contexto histórico, mapas, iconografias, plantas das fortalezas da época complementadas com fotografias das fortificações ainda existentes, e um glossário ilustrado que busca auxiliar na compreensão dos termos técnicos do manuscrito, reproduzido em forma de fac-símile, ao lado da transcrição em ortografia atualizada. A obra acompanha ainda um CD–ROM com o conteúdo do material impresso em linguagem multimídia, com recursos de animação tridimensional e links hipertextuais. O lançamento terá a presença do diretor do Arquivo Histórico Militar de Lisboa, Aniceto Afonso, que cedeu os direitos de publicação e assina a apresentação do livro, exaltando-o como “um acontecimento cultural de grande relevo”.

Mas há um primeiro autor que deu início a tudo, quando a forma de registro recorrente da história no Brasil ainda era a dos calígrafos medievais: o engenheiro militar José Correia Rangel. De nacionalidade indefinida, Rangel escreveu de próprio punho o Códice de Santa Catarina do qual seus seguidores partem para compor as 223 páginas do dossiê moderno. Em letra cursiva esmeradamente talhada a pena e no português do século XVIII, Rangel compôs o documento duas partes: a primeira contém o levantamento das fortificações, que na época chegaram a ter uma população de quase mil habitantes, e dos uniformes das tropas da Ilha de Santa Catarina (atual Florianópolis) e do Rio Grande de São Pedro (primeira cidade do estado vizinho). Apresenta ainda relações com quantidades precisas das guarnições militares existentes e dos armamentos e demais petrechos de artilharia, todos quantificados e discriminados com minúcia e precisão. A parte final do documento redescoberto traz um detalhado inventário de todos os mantimentos existentes nos armazéns das vilas gaúchas de Rio Grande, Porto Alegre e Rio Pardo. Extensas listagens de armas, munições, ferramentas, utensílios, móveis, tecidos, vestimentas, medicamentos; objetos de uso pessoal, religioso e militar; acessórios de montaria e veículos de transporte, instrumentos musicais (mostrando que a vida nas fortalezas não era tão dura) entre outros artefatos e equipamentos diversos oferecem matéria prima para historiadores da vida privada e pública.

Em 76 páginas de manuscrito, o autor entremeia 29 estampas coloridas, com desenhos aquarelados dos uniformes, das plantas das fortificações e dos mapas gerais de levantamento dos lugares fortificados das duas povoações. O bom gosto e talento na elaboração do incunábulo revelam a provável formação do autor em escolas jesuítas do Rio de janeiro, biografado no início do livro, conforme mostra sua biografia no início da obra. Pinçados na tropa entre os mais capazes intelectualmente e habilidosos nas artes dos desenhos, os engenheiros se destacavam dos oficiais comuns e da massa inculta dos exércitos coloniais, relegada ao analfabetismo. “Eles foram nossos primeiros urbanistas e projetistas de fortificações, igrejas, palácios, edifícios administrativos e outras obras civis e militares, muitas ainda presentes nos centros históricos das nossas cidades”, explicam os organizadores no prefácio.

Como viviam, como sobreviviam, como se organizavam, como se vestiam, o que comiam, o que consumiam, como casavam e constituíam família, como se divertiam, o que faziam os moradores das cidades fortificadas? Sem saber, o futuro capitão deixou um dos documentos mais antigos e importantes da história das fortificações dos dois estados, uma fonte para historiadores pesquisarem o cotidiano da vida militar, o estudo das fortificações portuguesas no Brasil e para a compreensão das origens históricas dos dois estados.  Antes de ser incorporado ao acervo do Arquivo Histórico Militar de Lisboa, o relatório técnico pertenceu no século XIX ao general de Divisão do Exército Português, Jaime Agnelo dos Santos Couvrer, grande colecionador de manuscritos e foi adquirido em 1919 pela Livraria dos Paulistas, de Lisboa.

Ao tomar conhecimento da existência do documento, em 2006, Tonera, que é também coordenador do Projeto Fortalezas Multimídia da UFSC, enviou projeto ao diretor da instituição portuguesa, Aniceto Afonso, solicitando permissão para que a universidade o publicasse na íntegra com as devidas complementações, transcrições e contextualizações sem os quais seria incompreensível para o grande público. O produto que chegará às mãos do leitor que comparecer ao lançamento é resultado, portanto, de um sonho acalentado durante cinco anos por essa rede de investigadores que começou a escrever, já no século XVIII, o grande Códice das Fortalezas.

SERVIÇO

Lançamento: “As Defesas da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro em 1786 – de José Correia Rangel”.

Organizadores: Roberto Tonera e Mário Mendonça de Oliveira.

Data: 6 de setembro de 2011 – terça-feira

Horário: 19 horas

Local: Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa

Praça XV de Novembro – Florianópolis/SC

Publicação: Editora da UFSC

Patrocínio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Florianópolis/Fundação Cultural        Franklin Cascaes

Apoio cultural: Unimed Grande Florianópolis

Apoio para o lançamento: Universidade Federal de Santa Catarina;  Projeto Fortalezas da Ilha/ Secarte-UFSC, Projeto Fortalezas Multimídia – UFSC; Museu Histórico de Santa Catarina.

Por Raquel Wandelli (jornalista, SeCarte)

Contatos: (48) 99110524 – 37219459

raquelwandelli@yahoo.com.br

raquelwandelli@reitoria.ufsc.br

www.secarte.ufsc.br

Tags: fortalezassanta catarinaUFSC

Lançamento de livro sobre as fortalezas

19/08/2011 10:26

Será lançado no dia 6 de setembro o livro e CD “As Defesas da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro em 1786 – de José Correia Rangel”, organizado por Roberto Tonera e Mário Mendonça de Oliveira. A publicação, que tem por base um dos documentos mais antigos e importantes da história das fortificações de Santa Catarina e do Rio Grande Sul, é patrocinada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Florianópolis/Fundação Cultural Franklin Cascaes e conta com o apoio cultural da Unimed Grande Florianópolis.

O lançamento da obra contará também com a presença especial do Coronel Aniceto Afonso, ex-diretor do Arquivo Histórico Militar de Lisboa, autor do texto de “apresentação” do livro. O evento será realizado às 19h, no Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa, na Praça XV de Novembro, Florianópolis.

Patrocínio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Florianópolis/Fundação Cultural Franklin Cascaes

Apoio cultural: Unimed Grande Florianópolis

Apoio para o lançamento: Universidade Federal de Santa Catarina; Secarte-UFSC; Editora da UFSC; Projeto Fortalezas da Ilha-Secarte-UFSC; Projeto Fortalezas Multimídia – UFSC e Museu Histórico de Santa Catarina.

Informações: (48) 9963-6324, projeto@fortalezasmultimidia.com.br e http://www.fortalezasmultimidia.com.br/novidades/

Saiba mais:

O manuscrito original Defesa da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro, elaborado entre 1786 e 1789 pelo engenheiro militar José Correia Rangel – hoje pertencente ao acervo do Arquivo Histórico Militar de Lisboa – é um dos documentos mais antigos e importantes da história das fortificações de Santa Catarina e do Rio Grande Sul.

Nesta obra, uma publicação de 224 páginas coloridas, capa dura, optou-se pela publicação do fac-símile do documento (tabelas, mapas, plantas das fortificações e uniformes das tropas), acompanhado de sua transcrição com ortografia atualizada.

Acrescentou-se ao original alguns conteúdos adicionais e didáticos, em forma de textos introdutórios e notas explicativas – complementados com fotografias das fortificações ainda existentes, outras iconografias da época e um glossário ilustrado –, que buscam auxiliar na compreensão dos termos técnicos e na contextualização dos dados apresentados por Rangel. O livro também traz encartado um CD-ROM com o conteúdo integral da obra impressa, acrescido de outros recursos virtuais.

Com essa publicação, os organizadores esperam “estar contribuindo para a pesquisa sobre o cotidiano da vida militar em nossos fortes e vilas da segunda metade do século XVIII, para o estudo das fortificações portuguesas no Brasil, para a compreensão das origens históricas dos dois estados do Sul, bem como para a valorização de nossa memória e do nosso patrimônio cultural”.

Tags: cdfortalezaslivro

TV UFSC apresenta documentário sobre as Fortalezas da Ilha

27/05/2011 14:23

A TV UFSC vai exibir neste sábado o documentário “As Fortificações da Ilha de Santa Catharina”. O vídeo foi feito como parte do Projeto Fortalezas da
Ilha de Santa Catarina, que começou em 1989, restaurou e mantém as fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim, São José da Ponta Grossa e Santo Antônio de Ratones. Com iniciativa da SECARTE/UFSC, produção e direção de Tatiana Kviatkoski, o documentário traz a história, o processo de restauração e as atividades culturais disponíveis nas fortalezas.  O vídeo será exibido no programa Cinema Catarinense, que vai ao ar no sábado, 28, às 21h.
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Tags: Cinema CatarinensefortalezasTV UFSC

Exposição Fortalezas da Ilha de Santa Catarina

05/05/2011 08:55

O Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, ligado à Secretaria de Cultura e Arte da UFSC, apresenta no Espaço Cultural do Arquivo publico do Estado de Santa Catarina a exposição Fortificações da Ilha de Santa Catarina. Visitação de segunda a sexta, entre 13h e 19 horas. A mostra é composta por fotografias das fortalezas, trajes de época, réplicas de canhão e maquetes das fortificações de São José da Porta Grossa (Ilha de Santa Catarina/Praia do Forte), Santa Cruz (Ilha de Anhatomirim) e Santo Antonio (Ilha de Ratones Grande).

Local: Espaço Cultural do Arquivo Público de Estado de Santa Catarina.
Rua Duque de Caxias, 261, Saco dos Limões, Florianópolis/SC

Data: 02/05 a 03/06/2011(2ª a 6ª feira, das 13h às 19 horas)

Maiores Informações: telefone  (48) 3721-8302 c/ Joi Cletison ou (48) 3239-6070

Para conhecer mais sobre essas fortificações mantidas pela UFSC, acesse na Internet o endereço: www.fortalezas.ufsc.br
Para conhecer sobre essas fortalezas e todas as demais fortificações da Ilha de Santa Catarina acesse na Internet o endereço: www.fortalezasmultimidia.com.br/santa_catarina

Promoção:

Universidade Federal de Santa Catarina / Secretaria de Cultura e Arte (SeCArte)

Secretaria do Estado de Administração de Santa Catarina

Imprensa e Editora Oficial de Santa Catarina

Arquivo Público do Estado de Santa Catarina

Realização:

Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina/UFSC

Tags: exposiçãofortalezas

Exposição Fortificações da Ilha de Santa Catarina

07/04/2011 08:20

A mostra Fortificações da Ilha de Santa Catarina é composta por fotografias das fortalezas, trajes de época, réplicas de canhão e maquetes das fortificações de São José da Porta Grossa (Ilha de Santa Catarina/Praia do Forte), Santa Cruz (Ilha de Anhatomirim) e Santo Antonio (Ilha de Ratones Grande).

LOCAL: Espaço Cultural do Shopping Ideal.
Rua Adão Manoel da Silva, nº 584 – Areias, São José/SC

DATA: 8 a 28/04/2011(2ª feira a sábado das 10 as 22)

Mais Informações: telefone (48) 3721-8302 c/ Joi ou 48 3029-7305 ou carolina@shoppingideal.com.br

Para conhecer mais sobre as fortificações mantidas pela UFSC acesse o site http://www.fortalezas.ufsc.br
Para conhecer sobre as demais fortificações da Ilha de Santa Catarina acesse o site http://www.fortalezasmultimidia.com.br/santa_catarina

Promoção: Universidade Federal de Santa Catarina / Secretaria de Arte e Cultura / Shopping Ideal

Realização: Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina / UFSC

Tags: exposiçãofortalezas
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