Equipe do HU passa orientações e técnicas sobre amamentação em trabalho remoto 

10/08/2020 11:54

A equipe que faz o trabalho de apoio e incentivo à amamentação no Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC) já se adaptou aos tempos da pandemia e, desde abril, está atendendo mães que tiveram alta da maternidade de forma remota. Até o final de julho, mais de 600 mulheres tiveram contato periódico com as profissionais da Central de Aleitamento Materno (Ciam), em um trabalho que atinge cerca de 92% de índice de satisfação, segundo levantamento entre as pessoas atendidas.

Após a alta da maternidade, por meio do WhatsApp, as mulheres esclarecem dúvidas sobre o processo de aleitamento, recebem orientações quando reclamam de alguma dificuldade, perguntam sobre tempo de mamada, ordenha mamária, cólicas, como doar leite, dúvidas em relação ao sono do recém-nascido, soluços, arroto, entre outros pontos. Também são compartilhados vídeos, fotos e textos explicativos.

“A partir deste trabalho, observamos que são evitadas muitas complicações relacionadas ao aleitamento materno, e idas ao serviço de saúde para assistência a amamentação. É uma forma de proteger mães e bebês neste momento de vulnerabilidade e desafogar os serviços de saúde durante a epidemia por Covid-19”, explicou a enfermeira Isabel Maliska, do Ciam.

Segundo ela, as questões que estão dentro da área de um profissional especializado em aleitamento são esclarecidas; aqueles pontos que precisam da avaliação de outro profissional são encaminhados para o centro de saúde (que também tem desenvolvido estratégias desta natureza) e, nos casos que precisam de um atendimento  presencial, a equipe do Ciam agenda o atendimento no HU em local especial, tomando os cuidados para minimizar os riscos relacionados à Covid-19.

Atendimento remoto 

Quem faz o atendimento remoto é a auxiliar de enfermagem Mabel Vieira Souto, que por ser de grupo de risco, também está trabalhando em casa devido à pandemia. “A orientação é para que as mães me procurem das 8 às 14 horas, mas elas me chamam em outros momentos. Como eu já conheço o histórico das mães, passo a orientação ou agendo o atendimento no horário, se for possível”, explicou Mabel.

Segundo ela, a grande maioria dos casos – 95% – é de mães que passam pelo momento da apojadura (ou descida do leite). “Isso é normal e existe uma conduta para administrar esta situação. Elas já recebem esta orientação na maternidade, no pós-parto, mas muitas nos procuram quando a situação acontece. É quando as mamas ficham cheias, as pessoas chamam de ‘peito empedrado’; a mãe sente um desconforto e é preciso fazer a ordenha correta. Então se realiza toda uma orientação específica para esta situação, além do envio de vídeos explicativos”, disse Mabel.

Outra queixa bastante frequente é a dor e fissura mamilar, correspondendo a 10 % das queixas, em que a mãe apresenta desconforto no momento de amamentar. Para esta questão também são realizadas várias orientações.

O acompanhamento tem duração média de 15 dias, e ao final deste período é encaminhado um formulário de avaliação para que as mulheres avaliem o atendimento recebido na maternidade, desde sua entrada na emergência obstétrica, até o período pós-alta, com o suporte remoto do serviço de amamentação.

Cerca de 40% das mulheres tem respondido a esta avaliação global, que tem como objetivo além de identificar se a assistência oferecida pela maternidade segue em consonância com os princípios de um Hospital Amigo da Criança, verificar o nível de satisfação do atendimento na maternidade.

Em relação ao atendimento remoto, realizado por WhatsApp, o nível de avaliação entre “satisfeito” e “muito satisfeito” é de 92,2%, destacando nos comentários das mulheres os atributos “excelente”, “atenção”, “ótimo”, “bom atendimento”, “segurança”, “suporte”, “disponibilidade”. Neste momento de crise, percebemos que este trabalho está sendo muito importante, e já estamos pensando no momento pós-pandemia.

Tanto Isabel quanto Mabel afirmam que o trabalho remoto está sendo um sucesso e apostam na continuidade deste tipo de atendimento, complementar às atividades da Ciam. “Com certeza, nós vamos discutir uma forma disso continuar. É um resultado maravilhoso”, afirma Mabel.

Central de Aleitamento Materno 

A Ciam funciona desde a abertura da maternidade do HU, em 1995. Hoje, são duas enfermeiras, uma técnica de enfermagem e duas auxiliares de enfermagem que fazem o trabalho de assistência e de educação em saúde relacionado à amamentação.

Este trabalho faz parte da filosofia de um Hospital Amigo da Criança, título que o hospital detém desde 1997, que entre outros aspectos, deve manter em sua política assistencial o incentivo ao aleitamento materno inclusive em situações especiais, bem como a formação dos profissionais atuantes na instituição, para que todos possam orientar, promover e proteger a amamentação.

Em termos normais, diariamente, a equipe tem como rotina visitar todos os leitos do Alojamento Conjunto da maternidade, a fim de prestar orientações, sanar dúvidas, oferecer ajuda prática as mulheres que estão iniciando a amamentação. Além disso, outros setores são atendidos por todo o hospital, conforme demanda diária.

“As portas da Ciam também estiveram abertas durante todos estes anos de atuação para a comunidade externa, tendo em vista que a filosofia de um Hospital Amigo da Criança tem como prerrogativa também oferecer apoio pós alta hospitalar, conforme consta no passo 10, dos Dez passos para o sucesso no aleitamento materno”, explica Isabel.

Toda mulher que tenha alguma dúvida ou dificuldade relacionada a amamentação pode procurar a central diariamente, das 7 às 19 h, de segunda a sexta-feira, sem nenhum entrave burocrático, independentemente do local que tenha dado à luz a seu bebê. Vale dizer que em torno de 50% da demanda de atendimento externo são de mulheres que tiveram seus filhos no próprio HU, procurando o serviço por dúvidas ou dificuldades na amamentação, geralmente nos primeiros 15 dias pós parto.

Nesta fase de atendimento remoto, desde 15 de abril, a equipe atende as mulheres no hospital e explica sobre a possibilidade de acompanhamento pós-alta e quem concorda – a maioria – disponibiliza seu número de telefone.

Da metade de abril até final de julho, nasceram no HU-UFSC 835 bebês e a equipe conseguiu estabelecer contato pós-alta com 766 mulheres, o que corresponde a 91,73 % das mulheres que tiveram alta. Destas mulheres, 13% não deram continuidade ao atendimento, 7,4 % não se estabeleceu contato por não terem o aplicativo de mensagens ou número estar incorreto. Até final de julho, o atendimento foi realizado efetivamente para 605 mulheres, correspondendo a 79% das mães contactadas, que responderam as mensagens e passaram a se comunicar periodicamente com Mabel, estabelecendo de um a vários contatos, à medida que as dúvidas vão surgindo.

Unidade de Comunicação Social/Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC)

 

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