Palestra com engenheiro da Fórmula 1 marca início de associação de egressos da Engenharia Mecânica

12/11/2019 14:36

Rico Penteado comemora as 200 corridas na Fórmula 1. Foto: Acervo pessoal

O egresso da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Ricardo Penteado retornou à instituição para compartilhar com a comunidade acadêmica a experiência de participar de mais de 200 corridas de Fórmula 1, na última segunda-feira, dia 11 de novembro, no Auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos. A palestra “Qual é a ‘tua’ Fórmula 1?” marcou a assembleia de constituição da Associação de Ex-alunos do Departamento de Engenharia Mecânica (Alumni EMC).

Ao relembrar sua trajetória, Rico – como prefere ser chamado – destaca que o sucesso “é poder ser quem você é” e que não existe um caminho certo para se tornar chefe de Operações de Pista, função que exerce desde 2016 na Renault. “Cada um deve procurar quais os dons que possui, as competências, os objetivos de vida, onde quer trabalhar, com o quê quer trabalhar, em quê se realiza…”, ressaltou o engenheiro.

Egresso em palestra no Centro de Eventos. Foto: Jair Quint

A oportunidade de voltar à Universidade e palestrar significa para Rico o fechamento de um ciclo. “Fiz quatro anos e meio em uma instituição muito boa e não retornei o trabalho no Brasil, nunca trabalhei no país. Então vir pra cá, poder integrar a Associação dos Ex-alunos da Mecânica e contribuir na educação dos estudantes é uma forma de compensar e dar um retorno ao investimento feito em mim aqui no Brasil”, disse o engenheiro, cuja graduação iniciou no segundo semestre de 1995.

Durante os cinco anos em que cursou Engenharia Mecânica na UFSC, ele aproveitou o espaço acadêmico para aprender, orientar-se e descobrir em quais áreas se destacava. No seu último semestre, deu o primeiro passo na carreira no automobilismo: um estágio na fábrica da Renault, na França, por indicação do professor Narciso Ramos Arroyo, uma das cerca de 250 pessoas presentes na palestra. “Quando comecei no estágio achei que poderia não acompanhar os colegas. Porém, como a base de conhecimento técnico que a graduação me deu, finalizei um estágio de seis meses em apenas dois”, explicou.

Rico com equipe da Renault. Foto: Acervo pessoal

O gosto pelo automobilismo surgiu aos oito anos de idade, quando andava um quilômetro até a casa de um amigo para assistir às corridas em uma televisão em preto e branco. Mas foi o fato de escutar o funcionamento do motor V10 da Ferrari de Rubens Barrichello, em 2000, que o fez perceber que ‘não tinha outra alternativa’ a não ser trabalhar com a Fórmula 1.

Em quase duas décadas no meio automobilístico, Rico coleciona histórias e relembrou na palestra as mais marcantes de sua carreira. O início, em 2001, como engenheiro de teste do motor V10 da Renault e, nas temporadas de 2005 e 2006, a conquista do campeonato mundial como engenheiro de motores. Evidenciou ainda seu trabalho ao lado de diversos pilotos, como Robert Kubica, Nelsinho Piquet, Bruno Senna, Kimi Räikkönen, com quem alcançou sua primeira vitória como engenheiro de pistas em 2012.

Atualmente Rico coordena uma equipe de 60 pessoas, sendo 35 mecânicos e 25 engenheiros, e procura desenvolver as qualidades e competências de cada integrante, instruindo para que “tragam o lado humano que faz falta na Fórmula 1”.

Chefe de Operações de Pista com Nelsinho Piquet. Foto: Acervo pessoal

Associação de ex-alunos

A cerimônia de constituição da Associação de Ex-alunos do Departamento de Engenharia Mecânica (Alumni EMC) definiu os diretores e os conselheiros em um ato que reuniu ex-professores, egressos, estudantes, o pró-reitor de Extensão (Proex), Rogério Cid Bastos, o diretor do Centro Tecnológico (CTC), Edson de Pieri, e o chefe de Departamento, Sérgio Luiz Gargioni.

Os integrantes da mesa destacaram a presença dos engenheiros mecânicos em diversas partes do mundo, desempenhando funções de responsabilidade. Segundo Cid Bastos, a ideia da associação “é muito importante por manter ampliada a rede de contato de egressos e estudantes”. Já Edson de Pieri salientou o papel da Associação em ‘rastrear’ os engenheiros mecânicos formados pela UFSC e a inspiração que os estudantes do curso terão ao verem como profissionais bem-sucedidos estão desempenhando seu papel no mundo.

Da esquerda para direita: Sérgio Gargioni, Rogério Cid Bastos e Edson de Pieri. Foto: Jair Quint

“A Engenharia Mecânica é pioneira mais uma vez. Esta será uma forma de interagir com as pessoas que fazem a diferença no estado e no país. Um quarto da receita de Florianópolis, por exemplo, vem do setor tecnológico, sendo grande parte dessas empresas pertencentes a ex-alunos”, frisou de Pieri, que anunciou a pretensão de implantar a iniciativa em todo o CTC e, posteriormente, na Universidade.

Os interessados em se tornar membro da Associação precisam submeter, preenchida, a ficha cadastral disponível neste link.

 

Vitória Hasckel Loch/Estagiária de Jornalismo/Agecom/UFSC

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