Vestibular UFSC 2019: candidatos com condições especiais realizam provas com acompanhamento

10/12/2018 19:35

Corina (de colete verde) é coordenadora do atendimento especial na Biblioteca Universitária (BU) na UFSC. (Foto: Pipo Quint/Agecom/UFSC)

O Vestibular da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) atende, todos os anos, uma série de condições especiais dos candidatos. Sejam adaptações ocasionadas por algum tipo de deficiência, acidentes, doenças, motivos religiosos, ou circunstâncias imprevistas. Sempre que é solicitado algum atendimento especial, a Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) decide, por meio de uma comissão, qual será o encaminhamento adequado, e busca atender às necessidades dos candidatos.

No Vestibular UFSC 2019, 85 candidatos solicitaram provas em Língua Brasileira de Sinais (Libras), 69 deles em Florianópolis. Duas penitenciárias catarinenses receberam as provas, em Florianópolis e em Joinville, totalizando 251 candidatos apenados. Candidatos sabatistas, que, por motivos religiosos só puderam fazer a prova de sábado após o pôr do sol, totalizaram 124 este ano, 80 deles em Florianópolis. Candidatos que pediram condições especiais diversas (professor ledor, transcritor, provas ampliadas, tempo adicional, cadeirantes, entre outros) foram 145, sendo 107 deles em Florianópolis.

Vice-reitora Alacoque visita Hospital Universitário, onde quatro candidatos faziam o vestibular neste domingo. (Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC)

São muitas as situações previstas no edital do vestibular, e o atendimento pode ser feito em qualquer uma das cidades onde as provas são aplicadas, com exceção dos candidatos que optarem por fazer a prova em Libras (seja como primeira ou segunda língua) e para os candidatos sabatistas, os quais devem optar por realizar as provas em uma das cidades onde há campus da UFSC, além de Chapecó. Na Biblioteca Universitária (BU) do campus da UFSC em Florianópolis, concentram-se os candidatos que apontaram, no momento da inscrição, alguma necessidade especial. Ali realizam-se as provas de candidatos com dificuldades de locomoção, surdez, baixa visão ou cegueira, entre outros. É na BU também que mulheres lactantes fazem a prova, trazendo seus bebês, que ficam com um acompanhante em uma sala separada e, sempre que necessário, a candidata vai até o seu bebê para amamentá-lo.

A assistente social Corina Martins Espíndola coordena o atendimento especializado na BU e ressalta que é preciso oferecer, acima de tudo, um ambiente acolhedor. “Todos os candidatos sofrem com o nervosismo, a ansiedade. Para o candidato com necessidades especiais, essa ansiedade é dez vezes maior. Temos que ter um olhar cuidadoso e carinhoso com eles”, salienta Corina, que trabalha no Colégio de Aplicação da UFSC como coordenadora dos Anos Finais e verifica, a cada ano do vestibular, que o atendimento está cada vez mais especializado. “Esse atendimento é a minha vida, já perdi a conta de quantos vestibulares eu já trabalhei fazendo esta atividade.”

O Hospital Universitário (HU) também recebe candidatos que necessitam de acompanhamento médico ou algum tipo de isolamento. Neste ano, uma equipe de dez pessoas acompanhou candidatos que apresentaram necessidades como doenças infecciosas, tratamento de câncer e pós-operatório. O presidente da Coperve, Olinto Varela, e a ex-presidente da Comissão, Maria Luiza Ferraro, ressaltam que, desde que as solicitações estejam dentro das normas previstas, e que atendam critérios de razoabilidade e viabilidade, a UFSC busca atender os pedidos.

Letícia Tobal e Sergio Sena acompanharam a aplicação do vestibular na Coordenadoria de Inclusão Digital, onde foram realizadas as provas em Libras. (Foto: Mayra Cajueiro Warren/Agecom/UFSC)

A tradutora e intérprete de Libras, Letícia Tobal, que no vestibular deste ano atuou como coordenadora de Setor, destaca que já vivenciou uma série de adaptações para atender os candidatos, como a confecção de provas em tamanho ampliado, em braile, entre outras. “Essas adaptações são o cuidado necessário da instituição com as características de cada candidato. A gente acredita na instituição, em ser uma Universidade inclusiva, então estou aqui a cada ano, e gosto muito do que faço”, salienta.

A vice-reitora Alacoque Lorenzini Erdmann considerou muito necessário que a Administração Central da UFSC visitasse os locais de prova com atendimento especial. “É o ambiente onde acolhemos, damos atenção a cada condição que se apresenta e nos dedicamos a fazer da melhor forma possível.”

A secretária de Ações Afirmativas e Diversidades (Saad), Francis Tourinho, que é uma das integrantes da comissão da Coperve que avalia os pedidos de condições especiais, conta que ali também estão duas pedagogas, uma médica e uma psicóloga, além dela própria, que é enfermeira. “O candidato tem que apresentar uma série de documentos, que estão descritos no edital do vestibular. É essencial para a UFSC, que é uma universidade inclusiva, proporcionar aos candidatos e candidatas essa acessibilidade para que eles possam fazer uma boa prova, ter êxito e sentir que aqui temos diversidades”, pontua. Para o pró-reitor de Graduação, Alexandre Marino Costa, receber os milhares de candidatos da melhor forma possível é fundamental. “Nosso vestibular tem uma grande procura, é um reconhecimento da sociedade para a nossa UFSC”, reflete.

 

Mayra Cajueiro Warren / jornalista da Agecom / UFSC