Vestibular UFSC 2017: Angela Medeiros

05/10/2016 08:02

ANGELA_Vestibular_2017

Angela Medeiros, estudante de Psicologia

“Eu escolhi a UFSC por causa das ações afirmativas, e porque já tinha como foco entrar numa universidade federal. Sou de São Bernardo, São Paulo. Eu vim estudar em Florianópolis. Trouxe um dos meus filhos, enquanto o outro ficou em São Paulo, e durante a faculdade tive a minha filha Ísis.

Eu sempre gostei muito do campo da Psicologia, achava muito interessante o trabalho da psicologia social. A importância de entender como o funcionamento da sociedade influencia as pessoas. Eu gosto muito do currículo do meu curso, porque é um currículo generalista e é possível escolher a abordagem que você vai querer na psicologia. Mas ao mesmo tempo é muito pesado, porque são mais de 4500 horas de curso. São oito disciplinas obrigatórias por semestre, e, às vezes, é preciso fazer mais duas optativas para fechar essas milhares de horas. É muito puxado pra mim, que sou mãe, por isso não consegui terminar o curso em 10 semestres. Eu não vinha só estudar, tinha que estudar e trabalhar.

Ser mãe na Universidade sempre foi muito tranquilo. As pessoas da minha turma geralmente entendem a situação, e eu me sinto muito bem. Alguns professores tiveram um pouco mais de dificuldade de entender, e ainda têm. Eu tive que trazer o Pedro algumas vezes para as aulas, porque quando eu comecei a graduação, ele tinha nove meses.É difícil para os professores entender a realidade das pessoas que estão entrando agora. O perfil do aluno é totalmente diferente do perfil de antes: agora são várias mães, vários pais. Mas também há aqueles que ajudam, entendem o perfil do estudante e aproveitam da experiência enquanto mãe para as aulas. Ajuda bastante quando você já tem um conhecimento de desenvolvimento infantil, e eu estou passando por isso em várias etapas.

Sempre trabalhei aqui na UFSC, fazendo estágio. Eu saía da aula e ia para o estágio. O estágio ajuda bastante, muitos professores te levam para o lado profissional mesmo. Eu sou bolsista do Núcleo de Pesquisa em Movimentos Sociais (NMPS), trabalho na área de ações afirmativas, pesquiso sobre as ações afirmativas na UFSC, como elas se implementaram, como os estudantes estão permanecendo.

Eu tenho um perfil diferente de outros alunos, que entram na universidade sem se perceber como negro, eu já sabia que era negra. Então eu cheguei me impondo, algumas pessoas ficam com medo disso. Às vezes eu sinto o racismo nos olhares, ou nas atitudes, como ignorar as coisas que eu falo. É uma coisa sutil, um racismo à brasileira. Mas ao mesmo tempo eu me sinto muito fortalecida porque existem os grupos de estudantes negros, LGBT, que eu participo. Isso fortalece, porque você divide as suas experiências e um vai ajudando o outro. O que me manteve na universidade foi a relação com esses grupos. Ajudei a construir o Coletivo 4P, e tem várias atividades das quais a gente participa, como a recepção de calouros, pra eles poderem se ambientar com o local. Nós batalhamos muito por essas coisas.

Quando eu cheguei aqui me falaram que eu ia sofrer muito, que seria muito difícil. ‘Tem várias pessoas que não querem vocês aqui’, foi o que eu ouvi, era de assustar. Então para quem está querendo entrar é importante entender que esse é um espaço seu, um direito. Nunca deve se preocupar com nada que possa vir a dizer que esse espaço não é seu. Aproveite o máximo e traga o seu conhecimento para dentro da universidade, não é só a universidade que dá conhecimento, a gente também tem conhecimento pra passar.

Eu amadureci muito depois que entrei na UFSC. Aprendi muito do funcionamento da ciência, o que a ciência trabalha e como trabalhar com essas questões. Aprendi a lidar também como esse ritmo frenético que são oito disciplinas obrigatórias e o trabalho. Essa coisa da vida de adulto, de ser responsável por várias coisas. Agora que eu estou saindo percebo o quanto aprendi.”

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