Universidades relatam experiências de implementação do Sisu

06/11/2014 15:04

Jair Almeida, diretor de processos seletivos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e João Alfredo Braida, pró-reitor de Graduação da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), apresentaram, dia 4 de novembro, na UFSC, as experiências do Sistema Integrado de Seleção Unificada (Sisu) nas suas universidades. O convite foi feito pela UFSC e o Grupo de Trabalho sobre Avaliação de Novas Modalidades de Ingresso na Universidade e dá continuidade ao debate já iniciado com a vinda de representantes da Secretaria de Ensino Superior do MEC e do INEP. O GT da UFSC é formado pelos professores Aureo Moraes, Carlos Eduardo Andrade Pinheiro, Edite Krawulski, Julian Borba e Paulo Ricardo Berton.

Julian Borba, também pró-reitor de Graduação da UFSC, explicou que o GT, que tem o objetivo de analisar e propor alteração no sistema de ingresso na Universidade, já tem o perfil do ingressante, distribuição entre cursos e taxa de ocupação. Os dados indicam que dos estudantes que ingressam por meio de vestibular, 7,5% provêm de São Paulo e 83% da região Sul; sendo 70% de Santa Catarina, 7% do Rio Grande do Sul e 6 % do Paraná. O GT deverá, até o final do ano, encaminhar relatório à Câmara de Graduação propondo quais modalidades de ingresso seriam mais adequadas à instituição.

O professor Jair falou sobre o processo do Sisu na UTFPR que tem 13 campi, 130 mil alunos, 106 ofertas de curso e 45 cursos diferentes.  É a instituição que mais vagas oferece, via Sisu, em todo o Brasil. São 4 mil vagas por semestre.

Jair Almeida (UTFPR) - foto Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

Jair Almeida (UTFPR). Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

Para Jair, o Enem vem melhorando ano a ano incluindo a parte relativa à segurança. O Sisu é um processo que possibilita que todos os candidatos que fizeram o Enem no ano anterior concorram a uma vaga em uma Instituição de Ensino Superior (IES) integrante do sistema. Atualmente cotista concorre com cotista e não cotista com não cotista. Se sobrarem vagas cada um dos casos pode ser usado pela outra categoria.

A UFTPR, no segundo semestre de 2014, usou pela décima vez o Enem, sendo que a avaliação sobre o sistema, pelos estudantes que ingressaram por meio dele, é boa. A média de alunos de outros Estados em cursos de alta procura subiu de 13% para 23%. Para o professor, o Sisu torna o ingresso mais justo, permite maior mobilidade aos concorrentes e a adesão ao sistema aumenta a visibilidade da instituição, além de quase dobrar o volume de recursos financeiros para assistência estudantil. A UFTPR não tem moradia estudantil, mas fornece auxílio-mudança que é acumulável com outras bolsas, dando condições aos alunos com dificuldade econômica de estudar em cidades onde não residem.

Em relação às dificuldades do Sisu, Jair citou o cronograma muito apertado. Para a UTFPR e  para outras instituições que integram o sistema, a segunda chamada que deveria ser feita pela instituição, já que a lista de espera da IES sai no início de fevereiro. Outras dificuldades citadas foram o fato de o candidato poder escolher duas opções em cursos diferentes e o número muito grande de treineiros. Outro problema que ocorre após o Sisu é com os cursos de pouca procura, como as licenciaturas e os cursos de tecnologia. Como fazer para preencher as vagas desses cursos quando se esgota a lista de espera, se não há vestibular? É necessário, então, fazer um processo seletivo alternativo, como o uso do Enem de anos anteriores. Um dos sistemas adotados pela UTFPR é de verificar o número de vagas remanescentes após o quarto dia de início de aulas e fazer uma chamada de dez vezes o número de vagas, usando como critério de ingresso as maiores notas e evitando assim que seja necessário fazer várias chamadas.

Para Jair, os motivos de desistência dos alunos ingressantes pelo Sisu e pelo Vestibular são parecidos: adaptação à sociedade; ao clima frio – para quem vem de outras regiões-;  falta de estrutura na cidade – a UTFPR tem campi estabelecidos em cidades pequenas; a decepção com o curso; a dificuldade em acompanhar o curso; a necessidade de trabalhar; a opção por um curso EAD; entre outros.

Braida, da UFFS, explicou que a universidade só tem cinco anos de existência e que além do Sisu há cursos com ingressos por meio de processos seletivos especiais como o Pronera (Projeto de Educação e Capacitação de Jovens e Adultos nas áreas de Reforma Agrária).

Braida (UFFS), Jair (UTFPR) e Julian Borba (UFSC). Foto Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

Braida (UFFS), Jair (UTFPR) e Julian Borba (UFSC). Foto: Jair Quint/Agecom/DGC/UFSC

O sistema de cotas da UFFS é baseado em estatísticas. Exemplo: se nas regiões abarcadas pela universidade é dado que 86% das matrículas do ensino médio provêm de escolas públicas, a cota é de 85% para este tipo de ingresso. Também há a cota para “parcialmente pública” estabelecida, também, a partir de estatísticas. As relações de inscritos por região e candidato/vaga praticamente dobraram após ingresso no Sisu. Houve também um aumento de ingresso de estudantes do Sudeste. A UFFS, no entanto, é ainda uma universidade de segunda opção. Quanto às vagas ociosas, após o Sisu, é feito um processo seletivo suplementar visando estudantes da região, usando Enem de anos anteriores, mas a inscrição precisa ser presencial. Em relação às desistências um dos fatores detectados é a chamada do Prouni, já que o candidato prefere fazer uma faculdade particular na sua cidade.

Quanto à evasão, costuma ser de 15 a 20% no primeiro ano, sendo que as políticas de permanência são alinhadas ao PNAES. A universidade não possui moradia estudantil, mas auxílio-moradia. Braida relatou que a casa do estudante pode ser instrumento de segregação em vez de inclusão – citou o exemplo do campus de Erechim que fica a 15km do centro da cidade o que deixaria o estudante longe da vida social e isolado no fim de semana.

A UFFS a partir de 2015 não estará mais na categoria de projeto especial (cinco primeiros anos de implantação), entrando na planilha da Andifes de distribuição de recursos. Mas, constatou-se que é necessário um tempo maior para implantação de uma nova IFES especialmente por causa das obras.

Alita Diana/Jornalista da Agecom/DGC/UFSC

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