Câmara de Graduação debate funcionamento e implicações do SiSU

18/07/2014 18:13
Tema foi apresentado por Lilian Carvalho do Nascimento, coordenadora-geral de Projetos Especiais para a Graduação da SESU/MEC. Foto: Wagner Behr

Tema foi apresentado por Lilian Carvalho do Nascimento, coordenadora-geral de Projetos Especiais para a Graduação da SESU/MEC. Foto: Wagner Behr

A Câmara de Graduação realizou na quarta-feira, 16 de julho, uma sessão extraordinária para conhecer e debater o Sistema de Seleção Unificada (SiSU). O tema foi apresentado pela coordenadora-geral de Projetos Especiais para a Graduação da Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação (SESU/MEC), Lilian Carvalho do Nascimento. Em quatro anos de atividade, o SiSU já é adotado por 94% das instituições públicas federais.

O SiSU é um sistema pelo qual as instituições públicas de ensino superior oferecem suas vagas em cursos de graduação para os candidatos que fizeram as provas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), com nota da redação acima de zero. Ao se inscrever no SiSU, o estudante pode fazer até duas opções de curso e concorre a vagas em todas as universidades participantes, independentemente do Estado.

Em 2014, mais de 120 instituições de ensino superior estão operando vagas por meio do sistema. Das 63 universidades federais, 39 oferecem 100% das vagas, enquanto 20 instituições oferecem parte pelo SiSU e parte por vestibular. O sistema é gerenciado pela SESU/MEC.

De acordo com Lílian Carvalho do Nascimento, um dos principais objetivos é promover a democratização do acesso. “É um sistema baseado no mérito. Com sua nota do Enem, um estudante pode escolher entre vagas em mais de 4.700 cursos de 115 instituições públicas”.

Outro objetivo destacado pela coordenadora é a mobilidade acadêmica. “Ao ampliar as opções de universidades, o SiSU proporciona aos estudantes o alargamento das experiências acadêmicas, o que é uma tendência mundial”, explica. Em 2014 o Enem chegará a 1699 municípios.

Além de fazer um retrato do SiSU, Lílian explicou que o sistema foi concebido para ser flexível e preservar a autonomia das instituições. O processo seletivo é semestral e a adesão é voluntária a cada semestre. As IES definem os cursos e o número de vagas que participarão do SiSU, podem determinar o percentual de vagas a ser ofertadas por cotas, atribuir pesos e notas mínimas para provas do Enem para cada um dos cursos. Além disso, pode acompanhar ao longo do tempo o número de inscritos e as vagas ocupadas.

A coordenadora reforçou também a otimização e a segurança no processo de seleção. “Uma das premissas é a eliminação dos custos com o pessoal e materiais de elaboração e aplicação do exame vestibular, incluindo questões de segurança e logística”, explica Lílian. “Este ano os locais de prova do Enem vão ter detectores de metal, de forma a assegurar cada vez mais igualdade de condições entre os candidatos”, completa.

Na parte reservada para perguntas, os participantes questionaram sobre estatísticas de vagas ociosas e evasão. “Ainda estamos em fase de estudo e consolidação de dados para avaliar e aperfeiçoar o sistema, mas é importante que os resultados possam ser comparados com o que existia antes do SiSU”, afirmou Lílian, que adiantou que a intenção é criar uma comissão entre instituições.

Outra questão levantada é se o SiSU agrava as distorções regionais, uma vez que estudantes do sudeste tendem a ocupar vagas em outras regiões. “O SiSU não traz nenhuma novidade de que estudantes paulistas e de Minas Gerais ocupem vagas em outras regiões, isso já vinha ocorrendo com aqueles que tinham condições. Não foi criado pelo SiSU. O grande diferencial do sistema é que estudantes que não tinham condições de fazer vários vestibulares agora têm podem competir”, explica.

Questionada sobre a mudança que o SiSU provoca no perfil dos estudantes de uma instituição, Lílian confirmou este fato, uma vez que os ingressantes são de diferentes regiões. “Sem dúvida, o SISU abre a IES para outro perfil, outro público e isso é algo que a instituição tem que discutir. É uma questão de adaptação e buscar inserir os estudantes com esse perfil diferenciado”, completa. O debate também trouxe temas como a adequação do sistema às políticas de ações afirmativas da UFSC; a questão do financiamento da assistência estudantil; e a dificuldade das comunidades indígenas e quilombolas em ter acesso à internet e participar do programa.

Para o pró-reitor de Graduação, Julian Borba, esta sessão extraordinária da Câmara de Graduação, que aconteceu no auditório da Reitoria, marca o início das discussões sobre o SiSU e a forma de ingresso dos novos estudantes na Universidade Federal de Santa Catarina. Julian Borba informou também que o assunto será amplamente discutido durante o segundo semestre de 2014, para que a UFSC possa tomar a decisão sobre a forma de ingresso em seus cursos de graduação. O evento contou com a presença de diversas autoridades, entre elas a reitora Roselane Neckel, o chefe de Gabinete, Carlos Vieira, a secretária de Gestão de Pessoas, Elci Junckes, o presidente da Comissão Permanente do Vestibular da UFSC, Olinto José Varela Furtado e membros do Conselho Universitário.

Saiba mais

http://sisu.mec.gov.br/

Portaria Normativa que rege o SiSU – MEC 21 de 5/11/2012: http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=8&data=06/11/2012

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Laura Tuyama / Jornalista na Agecom / UFSC

Foto: Wagner Behr / Agecom / UFSC

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