Clássico póstumo de Jacques Derrida em promoção na Feira da EdUFSC

11/09/2013 13:27

A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) lançou no ano passado a primeira edição póstuma mundial do clássico Pensar em não ver: escritos sobre as artes do visível, do filósofo francês Jacques Derrida, traduzido por Marcelo Jacques de Moraes.  O livro é um dos destaques da 17ª Feira da EdUFSC, que acontece no Centro de Convivência, Campus de Florianópolis, até 20 de setembro. Em promoção, Pensar em não ver está 30% abaixo do preço de capa: passou de R$ 46 para R$ 32. Os organizadores e editores da obra, Ginette Michaud, Joana Masó e Javier Bassas, esclarecem que, para  Derrida,  “o visível é o lugar da oposição fundamental entre o sensível e o inteligível, a noite e o dia, a luz e a sombra”. Derrida denuncia o visível cada vez que esse “privilégio do óptico for posto como a questão que domina toda a história da metafísica ocidental”.

Os editores expressam especial gratidão à viúva Marguerite Derrida “pela confiança e apoio ao projeto que resultou na publicação, que mereceu esmerado projeto gráfico e uma belíssima capa criada pela design gráfica Maria Lúcia Iaczinski. Presente ao lançamento, o escritor e historiador João Carlos Mosimann elogiou a iniciativa, incentivando a edição de títulos universais ao lado de autores locais e regionais.

Ainda de acordo com os editores, no gesto da desconstrução, “as artes ditas visuais serão um lugar importante não apenas para desenvolver um questionamento próprio à história da filosofia, mas também para dar a pensar um visível articulado pelo movimento do rastro e das figuras derridianas da escrita”. O filósofo mostra que as artes do visível estão, na desconstrução, profundamente investidas pelo próprio movimento da escrita. “Mesmo que não haja nenhum discurso, o efeito do espaçamento já implica uma textualização”, o que, complementa Derrida, revela que, aqui, “a expansão do conceito de texto é estrategicamente decisiva”. Jacques Derrida era um intelectual integrado ao mundo artístico. Portanto, teorizava e colaborava com artistas, arquitetos, historiadores da arte, especialistas em estética e críticos de cinema, marcando presença constante em encontros, mesas-redondas, debates e seminários.

Os textos constantes nesta tradução encontram-se esgotados ou são de difícil acesso ao público. O livro reúne uma coletânea dos principais textos do filósofo sobre a questão das artes, tornando, assim, “sensíveis ao leitor algumas das proposições e dos axiomas mais inventivos de Derrida em um domínio, o da arte e da estética, que jamais foi por ele confinado na antiga delimitação das belas-artes, mas sempre apreendido, de pleno direito, como lugar movente de um pensamento”. O tradutor Marcelo Jacques de Moraes explica que o texto de Derrida “se constitui numa exploração constante da tensão entre a materialidade da língua e seus efeitos de sentido”.

Pensar em não ver oferece aos leitores artigos produzidos ao longo de 25 anos (de 1979 a 2004). São testemunhos sobre o primado filosófico do visível nas artes deslocados para questões de língua; textos e parcerias com artistas diversos ressaltando a singularidade do desenho e da pintura; artigos dedicados à fotografia, ao cinema e ao teatro, além de um texto, escrito dois meses antes da sua morte, em escancarando a sua complexa relação com a própria imagem. Os organizadores fazem questão de recomendar a leitura de uma bibliografia e de uma filmografia, que fecham o volume, e que podem aquilatar e dimensionar o valor do filósofo para as artes.

A publicação  do livro de Jacques Derrida dá solidez e coerência à política editorial da EdUFSC de inserir-se também no cenário nacional e internacional. Na mesma linha e estirpe, a editora brindou recentemente os eleitores brasileiros com a publicação, por exemplo, de Códices – os antigos livros do novo mundo, de Miguel León – Portilla; Homo Academicus, de Pierre Bordieu; Negerplastik (Escultura Negra), de Carl Einstein; Seis décadas de poesia alemã, de Rosvitha Friesen Blume e Markus J. Weininger; e Divagações, de Stéphene Mallarmé.

O compromisso com a qualidade da literatura e o incentivo à leitura são legitimados pelo Conselho Editorial com a publicação e reedição de autores como Cruz e Sousa, Rodrigo de Haro, Silveira de Souza, Jair Hamms, Péricles Prade, Franklin Cascaes e João Simões Lopes Neto.

Ao mesmo tempo, a EdUFSC não renega as suas origens. Fortaleceu e modernizou esteticamente a Coleção Didática, que percorre todas as áreas do saber e do conhecimento. A estrela da coleção é a quarta edição revista de Introdução à Engenharia – Conceitos, ferramentas e comportamentos, de Walter Antônio Bazzo e Luiz Teixeira do Vale Pereira. A obra, que comemora 25 anos, inaugurou o novo projeto gráfico da coleção que soma mais de 80 títulos.

Mais informações: (48) 3721-9408 / 3721-9686 / editora@editora.ufsc.br / www.editora.ufsc.br.

Diretor executivo – Fábio Lopes – flopes@cce.ufsc.br,

Moacir Loth/Jornalista da Agecom/UFSC
lothmoa@gmail.com

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