Barcelona pode inspirar urbanização humanizada em cidades brasileiras

27/03/2013 11:52

Se Oscar Niemeyer pertencesse ao Conselho Editorial da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) não teria tido dúvidas em aprovar a publicação de Barcelona – Transformação Urbanística  (1929 – 1992), de Juan Antonio Zapatel. O livro é um dos lançamentos da Feira de Livros da EdUFSC, que está ocorrendo até 2 de abril no Centro de Convivência, no Campus da Trindade, em Florianópolis, com descontos de 30 a 70%.

Exitosa experiência desenvolvida na Espanha e exemplo difundido no mundo, o estudo apresentado no livro enfoca a mobilização das instituições e da comunidade em busca da melhoria dos serviços básicos, da infraestrutura mínima, do respeito ao meio ambiente, à cultura, ao lazer, à arquitetura, enfim, narra a  luta pela formulação e definição de políticas públicas a partir das demandas da sociedade e do processo democrático. Na revitalização urbana dos bairros de Barcelona são levados em conta o pensamento, as críticas e as sugestões das associações de bairro e conselhos comunitários. O processo livre e participativo, descrito na pesquisa, poderia perfeitamente alimentar os planos diretores das cidades brasileiras, incluindo a Capital catarinense.

Em nível nacional, a obra também é um documento digno de atenção. A revitalização de Barcelona aconteceu à esteira  dos Jogos Olímpicos de 1992. E o Brasil tem a oportunidade de se espelhar no modelo  de intervenção urbana  espanhola na Copa  das Confederações, na Copa do Mundo e nas olimpíadas do Rio de Janeiro. Além das pesquisas, estudos, ilustrações, mapas, gráficos e fotos, o livro inclui entrevistas e depoimentos que podem fortalecer políticas de Estado para as cidades.  Portanto, é obra obrigatória para profissionais, lideranças comunitárias, políticos, empresários, entidades, governos e instituições.

O livro foi possível graças ao apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação Técnica Espanhola de Cooperação Internacional. A edição foi viabilizada com auxílio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação da UFSC. O autor, Juan Antonio Zapatel, é Professor Associado da UFSC, onde dedica-se ao ensino, à pesquisa e à extensão.

O pesquisador lembra que “a falta de urbanização deu origem a uma postura reivindicatória da população, com a formação das associações de vizinhos”,  organizadas em centros comunitários, dentro da legalidade oficial, prevista na “lei de associações do governo”.

No que diz respeito à infraestrutura, por exemplo, as reivindicações passavam pelo abastecimento de água, transporte público, espaços públicos e outros direitos básicos. O movimento resultou, segundo o autor, numa “posição de confronto entre a população e as autoridades”. Para evitar a vitória das “forças  especuladoras”, as associações de vizinhos uniram-se a diversos setores sociais.

Mas foi a olimpíada de 1992 a principal geradora da “política urbana no período de 1987 a 1992, seguindo a tradição barcelonesa de transformação urbana sob o incentivo de grandes eventos”. Estas intervenções, constata Zapatel, “alteram as formas de expansão urbana intensificando a relação da cidade com o mar”. Um exemplo é a construção da Vila Olímpica que desencadeia a expansão urbana ao longo da orla.

Outra lição da pesquisa mostra que, em Barcelona, “associa-se a mobilidade ao grau de urbanidade na resolução do conflito entre forma de tráfego e forma urbana”.

O  déficit de urbanização, conta o autor, vem sendo remediado com a ação descentralizadora dos distritos e a insenção urbana destas áreas mediante conexões viárias.

O autor, articulando o geral ao particular, e considerando as demandas locais, enfatiza ainda como as intervenções pontuais nos bairros geram melhorias em todo território urbano.

Com base nestes estudos urbanos, conclui o pesquisador, “compreende-se, explica-se e se intervém em cada bairro, com projetos que sugerem a dissociação entre plano urbanístico, restrito à análise e zonificação, e arquitetura, enquanto campo  de proposta isolada”.

O livro da EdUFSC apresenta-se como uma contribuição concreta para a solução de problemas enfrentados pelas cidades e pelas próprias universidades há décadas.

Texto: Moacir Loth – jornalista na Agecom/UFSC

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