Faleceu ex-reitor da UFSC Caspar Erich Stemmer

12/12/2012 12:40

Caspar Erich Stemmer

A Administração Central da Universidade Federal de Santa Catarina comunica com pesar o falecimento do ex-reitor Caspar Erich Stemmer, ocorrido às 10h nesta quarta-feira, 12 de dezembro de 2012.

O professor Stemmer nasceu em Novo Hamburgo (RS) em 1930. Foi reitor da UFSC no período de 1976 a 1980.

Seu corpo será velado no Templo Ecumênico, no campus Trindade da Universidade, a partir das 15 horas. O sepultamento será no dia 13 de dezembro, às 8 horas, no cemitério Jardim da Paz, no bairro João Paulo, em Florianópolis.

Homenagem da UFSC

A Administração Central da UFSC convida toda a comunidade universitária para prestar a última homenagem ao ex-reitor  Caspar Erich Stemmer, no dia 13 de dezembro (quinta), às 7h45, no Templo Ecumênico. Na sequência, o cortejo segue para o cemitério Jardim da Paz para o seu sepultamento.

 

 

Caspar Erich Stemmer (1930-2012)

Caspar Erich Stemmer nasceu em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em 1930. Graduou-se engenheiro mecânico-eletricista e civil pela Universidade do Rio Grande do Sul. Depois de um período de especialização na Escola Técnica Superior de Aachen, na Alemanha, com bolsa da Fundação Rotária, iniciou sua carreira como docente na universidade em que se formara, em 1959, ministrando a cadeira de Construção de Máquinas no curso de Engenharia Mecânica, que se individualizara recentemente, em decorrência das necessidades criadas pela política desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek.

Projeto de sua autoria serviu de base à criação e implantação, a partir de 1962, do curso de Engenharia Mecânica da Escola de Engenharia Industrial da Universidade Federal de Santa Catarina, escola da qual viria a ser, a partir de 1965, o segundo diretor. Foi quando revelou sua capacidade e seu mérito, de pronto introduzindo na nova escola uma série de inovações que logo a destacaram no cenário nacional: o estágio obrigatório, a formação humanística dos estudantes, o intercâmbio bilateral e permanente com as indústrias, a formação e qualificação dos docentes, as provas periódicas de recondução de docentes, a dedicação exclusiva, a descentralização do vestibular, a criação de uma fundação de apoio (que viria a viabilizar, ainda durante sua direção, a criação dos cursos de engenharia elétrica e civil), a implantação de laboratórios voltados ao ensino, mas preparados para a atividade de pesquisa, o primeiro computador e, por fim, a implantação do ensino de pós-graduação. Algumas dessas inovações seriam universalizadas através da Reforma Universitária introduzida no país a partir de 1970; outras seriam por ela inviabilizadas.

Stemmer foi reitor da UFSC no período de 1976 a 1980

Objetivando mostrar ao país o que era o curso de Engenharia Mecânica da UFSC (e seu mestrado, que começava a produzir os primeiros titulados), o professor Stemmer organizou, em fins de 1970, o 1o Simpósio Nacional de Engenharia Mecânica. Com apenas uma dúzia de trabalhos, sem anais nem referees, o evento serviu para promover a congregação da classe e a discussão de problemas comuns. Ele viria a ser oficializado, rebatizado de Congresso, e logo se tornou conhecido nacional e internacionalmente como o COBEM. Serviu, também, como polo de discussão de que viria a resultar, algum tempo depois, a criação da ABCM, Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas.

O professor Stemmer deixou a direção do Centro Tecnológico em 1974, quando foi chamado para dirigir o PREMESU (Programa de Expansão e Melhoramento das Instalações do Ensino Superior). Voltou a Florianópolis em 1976, como reitor da UFSC.  Marcou seu mandato por um extraordinário programa de obras, pela criação de vários novos cursos, como os de Arquitetura, Computação, Psicologia, Jornalismo, Nutrição, Engenharia Sanitária, Engenharia de Alimentos, Engenharia Química, Engenharia de Produção, diversos bacharelado, o primeiro curso de doutorado da UFSC, em Engenharia Mecânica, e pela conclusão e inauguração do Hospital Universitário, cujas obras estavam paradas havia vários anos.

Mais tarde, integrou o Grupo Especial de Acompanhamento do PADCT e a Comissão de Avaliação do Programa Nuclear Brasileiro. De volta a Brasília, foi o secretário executivo do PADCT; mais tarde chefiou a Diretoria de Coordenação de Programas da Secretaria de Ciência e Tecnologia. Após breve período em Florianópolis, quando foi secretário executivo do Tecnópolis (programa de fomento à incubação de empresas do governo do estado), voltou a Brasília ao início do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, agora chefiando a Secretaria de Desenvolvimento Científico do MCT, sendo, por vezes, ministro interino. Aposentou-se em 1999.

Era membro da ANE, da ABCM e de outras entidades de classe. Era detentor um amplo rol de honrarias, de que se destacam: Professor Emérito da UFSC (1999); Prêmio “Anísio Teixeira”, da CAPES (1986); Ordem Nacional do Mérito Científico (Comendador, 1996, e Grã-cruz, 2002); Ordem do Mérito Naval, 1996; Cidadão Honorário de Florianópolis, 1999.

Estava hospitalizado havia vários meses. Deixa viúva, três filhos, noras e quatro netos.


Por Arno Blass, professor titular aposentado da UFSC, ex-presidente da ABCM e, como Stemmer, membro da Academia Nacional de Engenharia.

Mais informações:
Gabinete da Reitoria: (48) 3721-6018 / 4078