Pesquisadoras da UFSC incentivam a prática culinária por meio de oficinas

14/07/2016 11:36

É comum que nos dias de hoje jovens universitários não tenham o hábito de cozinhar. Condições financeiras, falta de equipamentos e utensílios, de tempo, de habilidades ou insegurança na cozinha são barreiras que impedem os estudantes de preparar suas refeições. Além disso, estudos mostram uma mudança nos hábitos alimentares de jovens que saem da casa dos pais ao entrar na faculdade, pois passam a fazer refeições com baixo valor nutricional, principalmente comidas industrializadas, prejudiciais pelo excesso de açúcar, sódio, gordura e conservantes.

Oficina no dia 27 de junho no Laboratório de Técnica Dietética, CCS. Foto: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

Oficina no dia 27 de junho no Laboratório de Técnica Dietética (CCS). Foto: Ítalo Padilha/Agecom/UFSC

Com o objetivo de incentivar a prática culinária e ensinar técnicas de cozinha aos estudantes que moram sozinhos, as doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Nutrição da UFSC, Greyce Luci Bernardo e Manuela Mika Jomori, com orientação da professora Rossana Pacheco da Costa Proença, conduziram oficinas de culinária com alunos da Universidade. O projeto é parte da tese de Greyce que, por meio das oficinas, pretende melhorar as práticas alimentares dos estudantes e avaliar a influência da intervenção no costume de cozinhar e consumir alimentos saudáveis.

Greyce relata a necessidade de pesquisar mais sobre essa relação. “Existem alguns programas de intervenção com oficinas culinárias, mas que não trabalham com os conceitos da culinária e nutrição. Não existe ainda estudo aprofundado de que a realização dessas oficinas irá trazer efeito com relação à saúde em determinado público, principalmente a longo prazo, como iremos avaliar”. O projeto tem parceria da professora Margareth Condrasky, que há mais de 20 anos coordena o projeto “Cooking with chefs” na Universidade de Clemson, nos Estados Unidos, onde Greyce fez doutorado-sanduíche pela Capes. A tese de Manuela envolve a tradução, adaptação e validação do questionário utilizado para analisar as habilidades culinárias que, aqui no Brasil, foi respondido por 850 alunos ingressantes no segundo semestre de 2015.

O principal desafio foi adaptar as oficinas à cultura brasileira, uma vez que a comida, o modo de cozinhar e até mesmo as receitas estadunidenses são diferentes. Além disso, a duração das oficinas foi estendida para suprir a necessidade de ensinar aos alunos técnicas básicas de culinária que facilitam o preparo diário das refeições e ajudam a conservação dos alimentos.

Uma participante relata que as oficinas ajudaram a selecionar melhor os alimentos que consome. “Eu já cozinho faz algum tempo, mas passei a prestar atenção em coisas que eu achava que não tinha tanta necessidade, na escolha dos alimentos, principalmente as saladas e outras opções para complementar minha alimentação”, diz Bruna Cardozo de Campos. Outro participante afirma que as oficinas ajudaram a criar confiança na hora de cozinhar. “Eu estou há seis meses morando sozinho e era um desastre na cozinha. Hoje eu já consigo fazer um bife” – diz Luiz Fernando Martins Pastuch.

Bruno Rosa Ramos/Estagiário de Jornalismo Científico/Agecom/UFSC