Nota de pesar: falece a professora Gestine Cássia Trindade

23/05/2019 09:44

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) comunica com pesar o falecimento da professora Gestine Cássia Trindade, na manhã de terça-feira, 22 de maio, em Blumenau. O velório foi realizado na manhã desta quinta-feira, 23 de maio,  no Anfiteatro São José em Blumenau.

Membro do Conselho da Editora da UFSC desde 2017, Gestine recebeu homenagem da equipe da Editora, conforme a nota abaixo:

Nota de pesar

Com imensa tristeza, a equipe da Editora da UFSC comunica o falecimento da Profa. Dra. Gestine Cássia Trindade, membro do Conselho Editorial desde 2017, em 22 de maio de 2019.

É uma perda irreparável, pois suas ações sempre foram direcionadas em prol de uma universidade culta, forte, intelectual e aberta à população. Além disso, era defensora de obras dedicadas à cultura, ao saber fazer, ao resgate histórico e educador, que proporcionasse aos leitores mais conhecimento, bem único de cada ser humano.

A equipe da Editora da UFSC presta sua singela homenagem.

Que as luzes do infinito iluminem sua ida e conforte a família e amigos.

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Morre Salim Miguel, escritor e ex-diretor da Editora da UFSC

22/04/2016 22:21

Líbano, 30 de janeiro de 1924. Brasil, 22 de abril de 2016. Em comum entre esses dois países e essas duas datas um nome: Salim Miguel, romancista, contista, um jornalista cirúrgico nas palavras, inovador nas reportagens da extinta revista Manchete e que marcou época como crítico literário nas páginas do Jornal do Brasil nas décadas de 1970 e 1980.

Salim Miguel faleceu aos 92 anos na noite desta sexta-feira em Brasília, onde estava internado em UTI desde o dia 7, para tratar uma broncopneumonia. Nos últimos dez dias, estava em coma, contrariando um de seus desejos: que não estivesse inconsciente até chegar a hora de sua morte. Estava com a saúde debilitada há anos e em 2012 já havia chegado a ficar em coma após uma queda em casa, mas se recuperou. O corpo do artista deve ser cremado em Brasília e depois as cinzas trazidas a Florianópolis para as homenagens póstumas.

Nascido em Kfarssouron, Salim Miguel chegou com três anos de idade ao Rio de Janeiro, cidade onde morou com a família durante um ano. Mas o destino estava (sem trocadilho) escrito: após morar em São Pedro de Alcântara e Antônio Carlos, em Santa Catarina, sua família fixou residência em Biguaçu, onde se estabeleceu com um pequeno comércio.

Desde cedo, Salim lia tudo o que lhe caía nas mãos, dos folhetins de Michael Zevaco a Eça de Queiroz, passando por Arthur Schopenhauer e Machado de Assis. Na venda do pai, conheceu figuras que mais tarde viraram personagens de seus romances, e na livraria de João Mendes, poeta cego de Biguaçu, passava horas lendo em voz alta para manter o livreiro ligado ao mundo da literatura.
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Dois livros da Editora da UFSC em oferta a partir de segunda-feira

01/04/2016 17:25

A partir da próxima segunda-feira, 4 de abril, dois livros do catálogo da Editora da UFSC (EdUFSC) entram em “superoferta” de mais de 50% de desconto. Os títulos Soldados de seis pernas: usando insetos como armas de guerra e Mímesis: desafio ao pensamento podem ser adquiridos na Feira do Livro da Editora, no Centro de Cultura e Eventos.0a5ea0b817d1e09243460a1c397fd241

O livro Soldados de seis pernas: usando insetos como armas de guerra, do entomologista estadounidense Jeffrey A. Lockwood, conta a história do uso de insetos como armas de guerra e instrumentos de tortura. Nele, são descritos os métodos de utilização de insetos desde os tempos de paleolítico. O preço da obra, traduzida por Carlos Brisola Marcondes, professor da UFSC, cai de R$ 48 para R$ 20.

dc27335c3f2a8edf5b35ecd96967ddb0Já o título Mímesis: desafio ao pensamento, de Luiz Costa Lima, implica que a revisão empreendida do conceito mímesis, tradicionalmente mal-interpretado como correspondente ao latino “imitatio”, mostra que o fenômeno analisado não se encerra nas fronteiras da arte verbal e pictórica, senão que, enquanto correspondência a algo anterior, de que, ao mesmo tempo, difere, é um desafio para o pensamento de fato reflexivo. Originalmente por R$ 30, a partir de segunda-feira o livro passa a custar R$ 10.

A Feira do Livro da Editora da UFSC dura até o dia 15 de abril. O evento é realizado semestralmente, e tem como objetivo fornecer aos estudantes universitários livros com preços mais acessíveis, além de buscar integração da comunidade dos bairros próximos. A feira ocorre no Centro de Cultura e Eventos, na nova sede da Editora.

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Feira do Livro da Editora da UFSC começa segunda-feira

11/08/2014 10:06

Durante o evento, todo o catálogo da Editora, que inclui obras de Shakespeare, Aristóteles, Jacques Derrida, Judith Butler, Luiz Costa Lima, entre outros,  fica à venda com descontos de até 70%. Estarão expostos também títulos de outras editoras universitárias e editoras comercias, como a LP&M, a Companhia das Letras, a Insular e a Letras Contemporâneas, com descontos de até 30%.

O site da Editora e o perfil no Facebook oferecem mais detalhes sobre a programação, os títulos à venda e a lista de descontos. A Feira vai até 11 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 19h, no Centro de Convivência da UFSC, junto à Praça da Cidadania, no campus Trindade.

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Aulas recomeçam na UFSC com uma superfeira de livros

24/02/2012 11:43

De 5 de março a 4 de abril, a Editora UFSC vai expor 1.800 grandes títulos com até 70% de desconto. Ecos no porão 2, de Silveira de Souza, que faz parte da seleção do Vestibular 2013, será vendido a R$ 15,00.

A realização da Feira de Livros da Editora UFSC marca a volta às aulas em Florianópolis. De 5 de março a 4 de abril, em uma grande tenda coberta na Praça da Cidadania, a Editora vai expor com até 70% de desconto 1.800 títulos e cerca de 20 mil exemplares, entre lançamentos do seu catálogo, das instituições livreiras que integram a Liga de Editoras Universitárias e de outras empresas nacionais reconhecidas. Poesia, conto, romance, filosofia, bioética, história, sociologia e literatura, além de obras didáticas na área de engenharia, física e matemática, estão entre os 21 lançamentos programados para a mostra.

Novos livros serão lançados na presença de escritores, como Silveira de Souza, autor da coletânea de contos *Ecos no Porão II*, que faz parte da lista do Vestibular 2013 da UFSC, e Leonilda Antunes Pereira, líder dos trabalhadores rurais e autora do livro de poemas *Gralha azul; nas asas da esperança*. Nesta edição da feira, os autores terão uma tenda especial para autografar e conversar com os leitores. A mostra vai funcionar de segunda a sexta, das 8:30 às 19 horas, com extensão do horário nas quartas-feiras até as 20h30min. 

Além de lançar a segunda edição de Ecos no Porão II, a editora vai oferecer com descontos obras que tiveram grande repercussão no ano passado, como *Homo academicus*, do sociólogo francês Pierre Bourdieu, e a caixa *Poemas*, de

Rodrigo de Haro, com os volumes “Folias do Ornitorrinco” e “Espelho dos Melodramas”. *Ao que Minha vida veio*, de Alckmar dos Santos, vencedor do Concurso Romance Salim Miguel; e ainda *Ligação direta*, livro inédito do filósofo italiano Mario Perniola sobre as relações entre estética e política também se destacam na mostra.

A EdUFSC preparou outros lançamentos inéditos especialmente para a feira, como *O Espelho da América: de Thomas More a Jorge Luis Borges*, de Rafael Ruiz, que desbrava a história da primeira modernidade da América através da literatura clássica e *Filosofia da Tecnologia*, de Alberto Cupani. Estão na lista dos novos livros também *Ongs e políticas neoliberais no Brasil*, de Joana Aparecida Coutinho, *Bioética*, do filósofo José Heck e *Percursos em teoria da Gramática*, de Roberta Pires de Oliveira e Carlos Mioto.

Os livros *Seis décadas de poesia alemã*, organizado por Rositha Blume e Markus Weininger; *O liberalismo de Ralf Dahrendorf*, de Antônio Carlos Dias Júnior, e o aguardado *A ética do uso e da seleção de embriões*, de Lincoln Frias (prêmio melhor tese de doutorado pela UFMG), sairão direto da gráfica para a feira. O editor Sérgio Medeiros terá uma reunião na primeira semana de março com a família de Glauber Rocha para ultimar a edição de *Riverão Sussuarana*, o grande romance do cineasta, co-editado com o Itaú Cultural, que também poderá ficar pronto para a feira, assim como *Códices,* do historiador e pesquisador mexicano Miguel León-Portilla, considerado o maior especialista em escritas ameríndias (maia e asteca) da atualidade.

Por Raquel Wandelli/Assessora de Comunicação da SeCArte

www.secarte.ufsc.br

Informações: (48) 3721-8729 e 9911-0524

SERVIÇO:

O QUÊ: Feira de livros da UFSC

QUANDO: 5 de março a 4 de abril

LOCAL: Praça da Cidadania da UFSC

FUNCIONAMENTO: segunda a sexta, das 8:30 às 19 horas (quartas-feiras até as 20h30min)

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Rodrigo de Haro e Pedro Garcia lançam obras em Santo Antônio de Lisboa

16/02/2012 16:56

Santo Antônio de Lisboa tem noite de poesia no dia 15 de março com lançamento das duas últimas obras de Rodrigo de Haro e Pedro Garcia

Festa, luto, folia, melodramas. Arcabouços. Da matéria da tragédia e da celebração se faz a arte desses dois grandes poetas, amigos de longa data, Rodrigo de Haro e Pedro Garcia. Juntos, eles lançam às 20 horas do dia 15 de março, no Espaço Coisas de Maria João, em Santo Antônio de Lisboa, suas duas últimas obras poéticas.

O multiartista catarinense lança o livro-embalagem Poemas, que contém as obras: “Folias do Ornitorrinco” e “Espelho dos Melodramas”, em uma única edição pela Editora UFSC. Já o poeta carioca Pedro Garcia, que em 2000 teve reeditado seu primeiro livro, Viagem Norte, com serigrafia de Rodrigo de Haro, lança em Florianópolis pela Ibis Libris Arcabouços 2007.

Nessa noite de poesia em dose dupla na também poética Santo Antônio, os dois autores que compartilharam momentos
históricos da cultura e da política brasileira dividirão agora o mesmo palco para a leitura de seus versos. O público poderá contemplar a maturidade, as semelhanças e as diferenças entre as duas obras: a de Rodrigo, mais grave, mais narrativa, mais enigmática, com versos que caminham ao ritmo de uma escrita do sagrado; a de Pedro, simples, direta, antibarroca, atravessada pelo humor e pelo imediatismo da fala cotidiana.

Os dois volumes de Rodrigo de Haro costuram a unidade antagônica representada pela imagem dessa espécie meio ovípara, meio mamífera que o autor homenageia no título e no poema “Ornitorrinco”. A figura do ornitorrinco bem representa esse poeta-pintor, filho do artista plástico modernista Martinho de Haro e de Maria Palma, uma dona de casa de notória sensibilidade. “Elaborado, como todos nós,
de partes antagônicas para maior triunfo da unidade”, o ornitorrico é, como escreve o poeta, “animal sonhador que fecunda e brota de si mesmo”. Nascido em 1939 em Paris, por peripécias do destino, Rodrigo foi o fruto da lua de mel parisiense dos pais, que aproveitavam uma viagem de estudos recebida como prêmio pelo famoso pintor.

Resgatado às pressas da maternidade quando os nazistas invadiram a França, o recém-nascido fugiu nos braços dos pais da capital mundial da arte e retornou para a instância da São Joaquim no planalto catarinense, a quem dedica com grande afeto suas melhores elaborações surrealistas em conto e poesia.  Sobre essa história, diz ainda o poema: “Celebremos as núpcias do ornitorrinco/ gentil e pertinaz. Brindemos/ a natura folgazã, que – /por incansável amor/ao paradoxo – cheia de/ recursos, concebeu/este jardim de todas as delícias/ com a torre inclinada e/o tarot de Marselha./– Mas sobretudo/criou o ornitorrinco solidário”.

Na dualidade entre o universal e o local, o sagrado e o profano, o clássico e o maldito, o político e o surreal se constrói o universo imagético desse delicado e erudito artista que deixou a escola ainda adolescente para construir sua formação. O paradoxo Rodrigo de Haro tem 14 livros publicados e pelo menos outros seis (de contos, poemas, novelas) manuscritos esperando edição. Sua marca como artista plástico – o único catarinense que consta nos catálogos internacionais como pintor e poeta surrealista – está em vários cantos de Florianópolis, onde se criou entre artistas e intelectuais e se confunde com a própria paisagem da Ilha. A mais notória está nas paredes externas do prédio da Reitoria da UFSC, onde construiu o maior mural em mosaico do país.

Pedro Garcia:

Poeta e educador, doutor em Antropologia Social do Museu Nacional da UFRJ e pesquisador do CNPq, Pedro Garcia leciona na Universidade Católica de Petrópolis. Ao recomendar a leitura de Arcabouços 2007, o psicanalista e crítico cultural Muniz Sodré escreve na apresentação da obra: “Pedro Garcia é alguém que nos convida a entrar no jogo secreto da linguagem, alguém que percebeu que as palavras podem ser mágicas e prazerosamente brincalhonas sem ambiguidade comprazendo-se em dizer em se acentuar na sua pura forma (…). Seu modo é musical e intenso, sim, desde que se entenda sua musicalidade como a do silêncio, este que, diz o aforismo nagô, dá à luz a fala. E a intensidade, no caso de Pedro Garcia, é a dinâmica de sua tensa atenção à articulação silenciosa das palavras”.

Autor de uma extensa e premiada obra, Garcia publicou seu primeiro livro, Viagem Norte, em 1959. Ilha submersa e Paisagem Móvel vieram no mesmo ano de 1973 (Prêmio Poesia UFSC). A respeito de Trapézio & Trapezista, publicado em 1977, o famoso poeta Pedro Nava escreveu: “Sua poesia correta, simples, antibarroca, direta e com a dose indispensável de humor é de criação imediata, no leitor, dum estado congênere ao do autor. Seus livros são destes para guardar entre os preferidos”.

Quase uma década depois publicou Frutos do mar; Sobre a carne do poema e Índice de percurso (Prêmio Luís Delfino), em 1986. A invenção do tempo veio em 1993; ano em que publicou também Escadas improváveis, sobre o qual o prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, escreveu: “Obrigado mesmo. Obrigado pelo livro e pelo gozo de tê-lo lido. E não por serem as Escadas Improváveis uma página 39, mas porque todas as páginas são para ler e reler, como Penélope desfazia e tornava a fazer”.

Flechas & Flechas e 34 poemas dois pedros são de 1996; Sobre nomes, de 1998 e 360º (poesia reunida), de 2005, coletânea reeditada em 1997 pelo Consejo Nacional para la Cultura y las Artes, do México. Em 1999, participou do Projeto Fonte de Poesia/Poemas no mar, com o apoio da Unesco, Biblioteca Nacional e Light. Em 2009, organizou a agenda poética Tempo passageiro, da qual fez parte com mais 11 poetas.

 

Serviço:

NOITE DE POESIA EM SANTO ANTÔNIO DE LISBOA

Data: 15 de março de 2012

Hora: 20 horas

Local: Coisas de Maria João (Espaço cultural e restaurante)

Santo Antônio de Lisboa – Florianópolis (SC)

 

RODRIGO DE HARO – EDITORA UFSC
Poemas (caixa-livro)
“Folias do Ornitorrinco”
“Espelho dos Melodramas”

PEDRO GARCIA – EDITORA IBIS LIBRIS
Arcabouços 2007

 

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC
Fones: (48) 3721-8729 e 9911-0524

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Professor Alckmar Santos lança em sua terra natal livro vencedor do concurso Salim Miguel

03/02/2012 10:27

“Ao que minha vida veio” galopa até Silveiras

“E foi assim que, sem mais escorregar nada não e com bem menos de dificuldade, ele apegou-se um só instantinho àquele e último galho, antes de se despenhar de lá de cima e chegar no ao-chão a bordo de um baque seco cheio de ecos. Que tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca param de ecoar.”(trecho de Ao que minha vida veio, de  Alckmar Luiz dos Santos)

Tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca se desesquece, sobretudo quando assistidos por um futuro escritor. Ficam mesmo “atroando ainda depois de terem silenciado as carpideiras todas, e desaparecido tudo quanto é soluço fingido e não”, como diz a abertura do romance de Alckmar Luiz dos Santos. Vencedor do Concurso Romance Salim Miguel, promovido pela Editora UFSC no ano passado, Alckmar faz a cena de um adolescente de 17 anos caindo de um prédio de 12 andares que guardou na memória por muitos anos derivar e entrelaçar-se à aparição do cometa de Halley em 1954. O romance dá partida nos anos 30 e se desdobra em quatro décadas de alucinante narrativa, desfilando uma rede de paisagens e de personagens históricos e fictícios na saga do tropeiro Juca Capucho.

Depois do lançamento em Florianópolis e na capital paulista, obra e autor estão sendo recebidos em festa em Silveiras, no interior de São Paulo, terra natal do escritor e cenário dessa narrativa que entremeia lembranças de juventude no universo campeiro e história do Brasil em tempos de guerra e de esquadria da fumaça. O lançamento ocorrerá às 19h30min, na Terra dos Encantos. Radicado há 20 anos em Santa Catarina, onde é professor de Letras e Literatura da UFSC e coordena há 17 anos o Núcleo de Pesquisa em Informática Linguística e Literatura, maior banco digital de literatura do Brasil, o escritor carrega na sua criação o traço dos lugares geográficos e literários onde viveu.

Na reinvenção de uma sintaxe tropeira, na largueza e riqueza de vocabulário que lança o dicionário regionalista em uma linguagem e uma reflexão universalizante, salta aos olhos a influência da prosa de Guimarães Rosa, cuja obra Alckmar estudou no mestrado. A gramática ao mesmo tempo erudita e popular, o modo selvagem de enrilhar as frases e puxar os diálogos, trazendo para o registro escrito o ritmo e a musicalidade da fala tropeira, torna a leitura desafiante, mas sem freios. A estranheza de vocabulário não param a leitura, trôpega como um terreno montanhoso, mas veloz como um cavalo xucro.  Não é do tipo de romance que começa devagarzinho, para ir fisgando o leitor aos poucos. Ao que minha vida veio começa com o cavalo encilhado e dispara até o fim, antes que o leitor pense em saltar, montado na garupa de um narrador que busca descobrir na história de sua região suas próprias origens: o nome do pai e da mãe que lhe são escondidos.

Na busca de repostas para sua história pessoal, há o esforço de reconstrução de fatos da história do Brasil. “Por exemplo, há uma passagem do cometa Halley, contada pelo meu avô, que ficou muito espantado ao ver voar aquela bolona com rabo no céu.” Esse evento individual se emaranha a casos importantes para a região, como a revolução de 1932, quanto Silveiras foi bombardeada por aviões cariocas das forças federais,  chamados de vermelhinhos pelos habitantes. “É história que ouço ainda hoje de minha mãe. Ninguém conhecia avião, mas todos sabiam que dele se jogavam bombas”. A história adentra a Segunda Guerra Mundial, quando o personagem desiludido, vai, como voluntário da FEB, lutar na Itália e se entremeia com memórias da infância do autor sobre pessoas que perderam amigos na guerra ou de jovens que regressaram loucos.  O romance passa pelo  suicídio de Getúlio, em 54, e segue sempre cruzando a história miúda com a história grande, uma forma, segundo o responsável por essa obra de alquimia, de dizer que uma é tão importante quanto a outra.

Sobre o autor
Alckmar Santos é professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde coordena o Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL). Foi pesquisador convidado na Université Paris 3 – Sorbonne Nouvelle (2000-2001) e na Universidad Complutense de Madrid (2009-2010). É também poeta, romancista e ensaísta. Autor dos livros Leituras de nós: ciberespaço e literatura, Dos desconcertos da vida filosoficamente considerada (ensaio e poemas, respectivamente Prêmio Transmídia – Instituto Itaú Cultural), Rios imprestáveis (poemas, Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira da revista Cult).

Sobre o livro
Romance  – Ao que minha vida veio…
Autor: Alckmar Santos
Editora UFSC
Páginas: 202
Preço: R$ 29,00

Lançamento
Data: dia 3 de fevereiro de 2011.
Hora: 19h30min
Local: Terra dos Encantos, em Silveiras (São Paulo)
Contatos do autor:
E-mail:

Textos: Raquel Wandelli
Jornalista – SeCArte – UFSC
Fones: (48) 3721-8729/8910 e 9911-0524
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