Segurança do paciente cirúrgico é debatida na 1ª Jornada Científica Catarinense de Bloco Operatório

26/11/2018 11:10

O Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) recebeu na sexta-feira, 23 de novembro, a primeira edição da Jornada Científica Catarinense de Bloco Operatório, promovida pela Associação Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Pós-Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC). Profissionais e estudantes da área acompanharam, durante todo o dia, no Auditório da Reitoria, palestras que abordaram a segurança do paciente cirúrgico.

Essa é a primeira vez que um evento desta temática é realizado no Sul do país e, segundo Ana Graziela Alvarez, professora do Departamento de Enfermagem e coordenadora da Comissão Local da I Jornada, a UFSC foi escolhida por ser um local de referência em eventos, pesquisa, extensão e ensino. “O objetivo foi compartilhar experiências e promover o aperfeiçoamento científico dos profissionais que atuam nas instituições de Santa Catarina, como também docentes e estudantes”.

Cerca de 120 pessoas compareceram ao evento em busca de informações sobre Cultura de segurança na área cirúrgica, Informatização do checklist cirúrgico, Segurança do paciente no ambiente cirúrgico: do ensino à gestão do processo, Estilização de materiais para a segurança na gestão do ambiente cirúrgico-Temática CME e Mídia social no bloco operatório.

“A ideia de desenvolver a jornada com essa temática surgiu de uma série de ações que vêm acontecendo na área da saúde atualmente, inclusive referente à segurança do paciente. Todas as falas e as palestras giram em torno de cultura, segurança e assistência do paciente”, explica Alvarez.

O paciente se torna vulnerável no centro cirúrgico por uma série de fatores, sendo a anestesia um dos principais. “O papel do líder de equipe de enfermagem no processo chamado de perioperatório (etapas de pré, durante e pós-operatório imediato) é o de preparar o paciente para a cirurgia, atuar na gestão das salas cirúrgicas dentro do Centro Cirúrgico, deliberar sobre acessos e emergências, conferir se os equipamentos estão corretos e as pessoas capacitadas”, diz a professora.

Soraya Palazzo, diretora da Comissão de Eventos Regionais da SOBECC, reforça a necessidade de eventos como esse para que a enfermagem cirúrgica seja exercida com mais segurança e qualidade, “tendo as crenças centradas sempre no paciente e na família”.

Ao organizar esse evento na UFSC, a equipe de profissionais da saúde acredita que possa ser preenchida uma lacuna de debate sobre o paciente cirúrgico, uma vez que nos últimos anos não foram realizados eventos sobre o assunto na região. Além disso, a tecnologia é um fator cada vez mais presente nos ambientes de trabalho e também foi debatido na Jornada.

Para a vice-reitora da UFSC, Alacoque Lorenzini Erdmann, um dos desafios dos profissionais que estão na prática é o acelerado avanço tecnológico. “A enfermagem é uma profissão consolidada, mas é preciso abordar e liderar protocolos mais atualizados, incorporando as bases científicas e tecnológicas nesses protocolos”.

Em específico sobre isso, uma palestra abordou as mídias sociais. Segundo Alvarez, essa questão está sendo discutidas em vários meios. “Não é diferente na área da saúde, em especial por conta da vulnerabilidade maior do paciente cirúrgico. É uma preocupação, especialmente dentro do centro cirúrgico. Neste local, alguns profissionais podem vir a usar essas mídias para compartilhamento indevido referente ao procedimento ou identificando a instituição e o paciente sem a devida autorização. Além disso, a discussão vai além da exposição do paciente, passando pela distração dos profissionais e da interferência de equipamentos utilizados durante a cirurgia”, finaliza a professora.

FUTURO: a expectativa é que eventos como esse sejam realizados anualmente em Santa Catarina, com a possibilidade de apresentação de trabalhos científicos.

Nicole Trevisol / Jornalista da Agecom / UFSC

*Fotos: Pipo Quint / Agecom / UFSC