Seminário de Cem Anos do antropólogo Egon Schaden

08/04/2013 15:17

Antrópologo Egon Schaden

Aluno de Claude Lévi-Strauss e mestre de nomes como a ex-primeira-dama Ruth Cardoso, Egon Schaden é considerado um dos pais da antropologia no Brasil por ter ajudado a criar esta cadeira na Universidade de São Paulo (USP). Discutindo questões de imigração e conflito indígena, ele foi reconhecido no meio científico brasileiro e no exterior, viajando pelo mundo como professor visitante.

A memória deste estudioso, nascido em São Bonifácio no dia 4 de julho de 1913, estará mais viva este ano, quando a cidade acolherá o Seminário de Cem Anos de Egon Schaden, nos dias 25 e 26 de julho. Entre as ações planejadas, está o lançamento da comenda Egon Schaden, pela Câmara de Vereadores de São Bonifácio; mesas redondas e conferências com antropólogos que foram alunos e colegas de Schaden – com a mediação da presidente da Associação Brasileira de Antropologia, Carmen Sílvia Rial.

Os conferencistas programados para o dia 26 (sexta-feira) são:

João Baptista Borges Pereira – antropólogo interessado nas intersecções de raça e imigração estrangeira, professor emérito da USP e presidente da Comissão Permanente de Políticas Públicas para a População Negra.

Roque de Barros Laraia – professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), o autor do livro “Cultura: um conceito antropológico”, na 21ª edição, foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) e envolve-se com as questões do Conselho Nacional de Imigração e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Julio Cezar Melatti – trabalhou em pesquisas de campo com Roberto DaMatta, Roberto Cardoso de Oliveira e David Maybury-Lewis (Harvard) e estudou a organização social dos indígenas no Brasil.

Também está confirmado o lançamento do audiovisual “Egon, meu irmão”, produzido pelo Núcleo de Antropologia Visual (NAVI), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e exposição de fotografias de São Bonifácio de Esdras Pio Antunes da Luz, do Centro de Artes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Ceart/Udesc).

O evento é organizado em parceria entre a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Prefeitura Municipal de São Bonifácio (PMSB), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/Chapecó).

Espaço de memória

A largada para o centenário do antropólogo foi dada com o anúncio da assinatura do contrato para repasse de R$ 670 mil para a construção de um espaço de memória para as questões indígenas e de imigração em São Bonifácio. A verba é fruto de emenda parlamentar de Romanna Remor (PSD) na sua passagem pelo Congresso Nacional como deputada suplente.

“Visitava o antigo museu de meu bisavô (Francisco Schaden) e via o acervo se deteriorando. Quando soube que o museu – único da cidade – tinha sido fechado, tive um choque”, diz Gileno Schaden Marcelino, sobrinho de Egon Schaden, que conviveu com o antropólogo até os 14 anos em São Paulo.

O lugar está planejado para ser um Centro de Documentação, composto não somente por objetos do Museu Francisco Schaden, que hoje está em uma sala alugada pela prefeitura por falta de espaço, mas também o arquivo pessoal do filho Egon – com manuscritos, cartas, diários de campo, imagens e livros que serão trazidos de São Paulo. A ideia é abrir espaço para a comunidade doar suas correspondências, diários e fotos antigas sobre o passado de São Bonifácio.

Quem foi Egon Schaden?

Egon Schaden é o filho mais velho de Francisco Schaden, primeiro professor de São Bonifácio, um imigrante alemão e pesquisador de grupos sociais. Autodidata, o pai também educou Egon em casa. Do aprendizado da astronomia com direito à observação das estrelas mais brilhantes de São Bonifácio, passando pela língua universal do esperanto, o filho parecia se interessar por tudo o que o pai ensinava. Aos 14 anos, após ter e passado três anos fora da escola ao término do ensino primário em sua terra natal, Egon Schaden recebeu uma bolsa do governo do Estado para realizar o ensino secundário no Colégio Catarinense, de onde saiu como melhor aluno e com o título de bacharel.

“A cooperação científica entre pai e filho garantiu ao autodidata Francisco Schaden um lugar na antropologia. Se por um lado o pai pode ter exercido influência na escolha temática do filho pela questão indígena, por outro lado, o filho retribuiu levando a produção científica do pai para congressos e publicações de alcance nacional”, cita o doutor em Antropologia Social pela USP e professor da Udesc Pedro Martins em um de seus artigos sobre o antropólogo.

Mas a vida em São Bonifácio não foi feita apenas de boas lembranças. A cena mais marcante da adolescência de Egon pode ter sido a imagem mostrada pelo pai da fileira de indígenas mortos no chão e sem orelhas – obra de bugreiros que atuavam na região naquela época. Começava aí o interesse de pesquisa por esses grupos que o acompanhou durante toda a vida.

Em entrevista à pesquisadora da Unicamp Mariza Corrêa, em 1984, logo depois de se aposentar, Egon Schaden deixa claro seu compromisso com a educação, mais do que à criação de novas teorias. Herdeiro das atribuições do professor Emílio Willems, autor de “A aculturação dos alemães no Brasil” (1980), Egon começou sua carreira na Universidade de São Paulo (USP) em 1943 onde, em 1953, fundou a primeira publicação científica da área, a Revista de Antropologia, referência até hoje.

Contato:

Pedro Martins
(48) 9944.1448

http://egonschaden.wordpress.com/

Comissão de comunicação do evento:
Izabela Liz Schlindwein (NIGS UFSC), Valter Scharf Filho (PMSB) e Gileno Schaden Marcelino.