Relação de hipertensão e diabetes com idade e escolaridade é tema de dissertação da UFSC

18/09/2012 08:36

 A hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o diabetes mellitus (DM) estão entre os cinco principais riscos globais para a mortalidade no mundo.  Eles elevam o risco de desenvolvimento de doenças do coração e certos tipos de câncer. Atualmente, no mundo, uma em cada três pessoas adultas tem a pressão arterial elevada; e uma em cada dez apresenta a glicemia de jejum acima dos níveis normais.

Estudo realizado no Programa de Pós-Graduação em Nutrição/UFSC (PPGN), pela estudante de mestrado Catiuscie Cabreira da Silva, sob orientação da professora Arlete Catarina Tittoni Corso e colaboração do professor David Alejandro González Chica, estimou a prevalência e alguns fatores associados à HAS e DM entre adultos e idosos que participaram do cadastramento familiar do Sistema Único de Saúde (SUS) em Florianópolis, no ano de 2011. Este estudo, voltado para a população adulta e idosa, também verificou a evolução temporal da HAS e diabetes mellitusentre os anos de 2004 e 2011. A pesquisa contou com apoio financeiro da CAPES. Para o estudo de Catiuscie, utilizaram-se os dados de 52.556 adultos ou idosos, cadastrados no SUS, com idade entre 20 e 109 anos. Para análise de evolução temporal incluiu-se os dados de 259.252 adultos ou idosos cadastrados entre 2004 e 2011. As informações deste estudo foram retiradas do sistema informatizado CadFamWeb, que foi criado pelo setor de Geo-Processamento da Secretaria Municipal da Saúde de Florianópolis. Esse sistema agrega as informações do cadastramento familiar levantadas por cerca de 600 agentes comunitários de saúde (ACS) que atuam no município.    Nos resultados da pesquisa detectou-se que  a prevalência de Hipertensão e / ou Diabetes Mellitus em Florianópolis é mais elevada entre mulheres, idosos, pessoas menos escolarizadas e moradores dos distritos sanitários Sul e Continente

Os resultados da pesquisa indicaram uma prevalência de 13,5% de HAS, 4,2% de DM e ambos os diagnósticos foram apresentados por 2,9% da população cadastrada em 2011. As prevalências foram mais elevadas entre as mulheres e aumentaram conforme o aumento da idade e diminuição da escolaridade. Também foi mais elevada entre a população residente nos distritos sanitários Continente e Sul da ilha. As prevalências encontradas pela mestranda, em comparação com dados de outros estudos foram menos elevadas, o que pode ser justificado pelo fato de que 48,7% da população cadastrada no SUS em 2011 encontrava-se na faixa etária entre 20 e 39 anos. Nessa faixa de idade, a HAS e o DM são de menor prevalência e esse grupo populacional é o que menos frequenta os serviços de saúde, o que pode acarretar em subdiagnóstico. Entretanto, a mestranda destaca que entre as capitais brasileiras, a cidade de Florianópolis apresenta melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maior percentual de homens (53%) e mulheres (31%) que praticam atividade física, sendo a terceira capital com melhor qualidade no atendimento do SUS o que poderia favorecer nas menores prevalências encontradas na pesquisa.

O estudo também verificou que a HAS e diabetes mellitus combinadas apresentaram uma prevalência muito maior que o esperado ao acaso; a diferença foi mais expressiva entre os homens, adultos com 40 a 59 anos, pessoas com nove anos ou mais de escolaridade e entre os cadastrados no distrito sanitário Centro. Tal fato sugere que existem outros fatores que aumentam a presença destas duas condições, em especial o excesso de peso e a obesidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde 44% dos casos de diabetes e 23% das doenças cardíacas são atribuíveis ao excesso de peso e obesidade, tornando-se uma relação preocupante visto que 48,5% da população brasileira está com excesso de peso e 15,8% com obesidade.

Outro resultado do estudo que merece destaque é que idosos com 80 anos ou mais, tiveram as maiores chances de apresentar HAS e HAS e diabetes mellitus combinadas. Para diabetes mellitus as maiores chances foram entre idosos com 60 a 79 anos, o que pode estar relacionado com o maior número de óbitos provenientes das complicações oriundas do DM, após essa idade. Também foi observado que quanto mais elevado o grau de escolaridade, menores foram as chances da presença das doenças em estudo. Entretanto, os homens com 12 anos ou mais de estudo apresentaram prevalências de HAS e diabetes mellitus mais elevadas que os homens com 9 a 11 anos de estudo. Este fato pode estar relacionado com a alta prevalência de excesso de peso (60%) entre os homens com melhor nível educacional.

De acordo com os resultados encontrados por Catiuscie, as pessoas portadoras de DM possuem 6,6 vezes mais chances de apresentar HAS comparativamente com a pessoa que não tem a doença, sendo observada a mesma chance na relação inversa das doenças. Essas doenças quando associadas intensificam a possibilidade de complicações renais e cardiovasculares.

Na análise da evolução temporal, a mestranda verificou que a prevalência de HAS aumentou entre 2004 e 2011, passando de 7,0% para 13,5%, respectivamente. Para DM, passou de 2,2% em 2004 para 4,2% em 2011. No período analisado ocorreu uma ampliação na oferta de serviços em saúde na cidade de Florianópolis, assim como um incremento no número de equipes de Saúde da Família, o que pode influenciar nos resultados encontrados.

Catiuscie aponta que os resultados encontrados neste estudo, provenientes das informações levantadas pelos agentes comunitários de saúde, no cadastramento familiar no SUS, são muito importantes, já que ações de prevenção das situações decorrentes da HAS e DM podem ter como alvos áreas e grupos populacionais de maior risco.  Ela destaca ainda, que é importante a população aceitar a visita domiciliar dos agentes, pois as informações levantadas viabilizam um melhor conhecimento das condições de saúde da cidade o que pode influenciar em ações governamentais para melhorias na saúde da população.

 

Contatos: Catiuscie Cabreira da Silva:   , Arlete Catarina Tittoni Corso:   e David Alejandro González Chica:

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