Bloomsday em Florianópolis terá leitura performática de Ulisses

13/06/2011 16:53

Celebrado em cidades de todo mundo, sempre no dia 16 de junho, o “Bloomsday”  é uma festa-performance em homenagem a Leopold Bloom, o protagonista do romance Ulisses, do irlandês James Joyce. Cidades como Dublin, Nova York e também Florianópolis vão comemorar o advento do romance mais revolucionário do século XX, lançado em 1922. Para rememorar essa grandiosa aventura livresca, os amantes de Joyce promovem na quinta, 16, às 17 horas, no Museu Victor Meirelles, uma leitura simultânea dos capítulos de Ulisses em várias línguas: inglês, português, alemão, espanhol.

Participarão desse culto literário alunos do Curso de Artes Cênicas da UFSC, professores e alunos do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC, além de admiradores da obra de Joyce. Com a leitura performática, o Bloomsday 2011 de Florianópolis recriará a metáfora joyciana maior: quanto mais espesso o caldo do enredo, melhor o romance, melhor a Odisséia. A organização é do casal de pesquisadores Dirce Waltrick do Amarante Medeiros e Sérgio Medeiros, professores do curso de Artes Cênicas e de Pós-Graduação em Literatura da UFSC, respectivamente.

Leopold Bloom é o “judeu errante” que leva e traz mensagens, e que, após um dia e uma noite perambulando por Dublin, “reencontra” o filho já falecido e se reconcilia com a mulher que o trai.  Trata-se de uma versão paródica da poesia épica homérica, ou seja, da “Odisséia” (considerada a mãe de todas as narrativas ocidentais), que descreve as aventuras de um herói sofrendo de aguda crise de identidade e que, por isso, precisa regressar para casa e reencontrar a mulher e o filho, explica Dirce, autora da obra Para ler Finnegans Wake de James Joyce. Nesse aspecto, Odisseu, ou Ulisses, o herói da Odisseia, é o oposto de Aquiles, o herói da Ilíada. Aquiles só sabe ir para a frente, Ulisses, para trás, para casa.

Para tratar desse tema clássico, situando-o porém no contexto moderno e dessacralizando-o, Joyce descreve minuciosamente a prolixidade do real e do delírio. “Ele o faz criando novas técnicas narrativas e cunhando novas palavras que possam dar conta da balbúrdia ou do caos contemporâneos”, completa Sérgio Medeiros, que é também diretor da Editora da UFSC e autor de vários ensaios acerca do romancista que reinventou a arte narrativa.

Informações: Dirce Waltrick do Amarante e Sérgio Medeiros, organizadores do Bloomsday ;

Raquel Wandelli
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