Pesquisadores da UFSC participam de projeto interinstitucional apoiado pelo programa IODP/Capes

16/01/2018 12:00

Uma equipe de pesquisadores vinculados ao Laboratório de Oceanografia Costeira (LOC/CFM) da UFSC, composta pelos professores Carla Bonetti e Antonio Henrique da Fontoura Klein, o pós-doutorando do PPGOceano André Rosch Rodrigues, a mestranda do PPGOceano Patricia Schmitt e três bolsistas de Iniciação Científica do curso de Oceanografia, Ana Carolyna Duarte de Sousa, Patricia Tortora e Maria Rita Lua de Quadros, participa do Programa Integrado de Perfuração Oceânica (IODP, em inglês Integrated Ocean Drilling Program).

Localização dos testemunhos analisados até o momento pelo LOC/UFSC. Mapa elaborado por André Rosch Rodrigues.

Se trata do maior programa científico multinacional na área de Geociências, com pesquisadores de 23 países reunidos em torno do objetivo comum de investigar a história da Terra e monitorar a dinâmica de fundo dos ambientes marinhos, através da aquisição de dados provenientes de sedimentos e rochas marinhas. Suas expedições e pesquisas oceanográficas são financiadas por um consórcio de oito agências, entre elas a Capes.

Os membros da UFSC atuam em conjunto com os pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e da Universidade Federal do Rio Grande Do Sul (UFRGS) na linha de pesquisa Mudança Climática e Oceânica: lendo o passado, informando o futuro e, para atuar nessa linha, foi aprovado junto à Capes o projeto Paleoprodutividade e mecanismos de fertilização oceânica na margem continental sul brasileira em resposta às mudanças climáticas do Quaternário tardio. O grupo é coordenado pelo professor da UFRGS, João Carlos Coimbra (UFRGS). As pesquisas em desenvolvimento dentro deste projeto envolvem as áreas de sedimentologia, geoquímica e micropaleontologia marinha.

A professora Carla Bonetti, coordenadora da equipe da UFSC, explica que estão disponíveis ao projeto mais de 30 testemunhos, com até seis metros de coluna sedimentar, coletados na plataforma externa e talude da Bacia de Pelotas. “No momento, estão em processamento no LOC três testemunhos, dois deles obtidos ao norte do Terraço do Rio Grande e o outro na direção da Lagoa dos Patos, em profundidades entre 1000 e 2000 metros. A datação por radiocarbono de um deles revela que estamos trabalhando com sedimentos depositados há mais 30.000 anos. Nossa equipe é responsável pelo estudo das associações de foraminíferos bentônicos de todos os testemunhos e temos até o ano de 2020 para gerar resultados que subsidiem um modelo de evolução paleoceanográfica da Bacia de Pelotas, considerando os mecanismos de fertilização oceânica, através da reconstrução das condições da hidrografia superficial desta bacia e as flutuações da produtividade marinha, em resposta à alternância de condições glaciais e interglaciais ao longo do Quaternário.”

Segundo André Rodrigues os resultados obtidos até o momento revelam associações faunísticas típicas de regiões marinhas profundas com grande concentração de matéria orgânica (ambientes eutróficos). “Inclusive, em determinadas profundidades dos testemunhos, a abundância de algumas espécies de foraminíferos sugerem o aumento no aporte de fitodetritos de origem planctônica.” André menciona que o avanço nos estudos taxonômicos e no número de testemunhos analisados poderão vir a confirmar que as associações de foraminíferos encontradas na Bacia de Pelotas são, de certa forma, diferentes das associações das bacias de Santos e Campos, localizadas mais ao norte e compostas por espécies mais adaptadas a sedimentos com menor teor orgânico (ambientes oligo-mesotróficos).

Espécies de foraminíferos bentônicos que indicam diferentes entradas de matéria orgânica no fundo marinho como fitodetritos, com as espécies Alabaminella weddellensis (A e B) e Epistominella exigua (C e D), ou alta concentração de bactérias, com a espécie Uvigerina peregrina (E).