Laboratório da UFSC conduz pesquisas de âmbito internacional na área de Geociências

06/09/2017 16:00

O Programa Integrado de Perfuração Oceânica (IODP) – Integrated Ocean Drilling Program – é o maior programa científico multinacional na área de Geociências, com pesquisadores de 23 países reunidos em torno do objetivo comum: o de investigar a história da Terra e monitorar a dinâmica de fundo dos ambientes marinhos através da aquisição de dados provenientes de sedimentos e rochas marinhas. Suas expedições e pesquisas oceanográficas são financiadas por um consórcio de oito agências, entre elas a a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

No âmbito de uma das linhas de pesquisa prioritárias do programa – Mudança Climática e Oceânica: lendo o passado, informando o futuro -, pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e  a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob coordenação geral de João Carlos Coimbra (UFRGS), reuniram-se e aprovaram, junto a Capes, o projeto de pesquisa “Paleoprodutividade e mecanismos de fertilização oceânica na margem continental sul brasileira em resposta às mudanças climáticas do Quaternário tardio”.

As pesquisas em desenvolvimento deste projeto envolvem as áreas de sedimentologia, geoquímica e micropaleontologia marinha. Na UFSC, estão sendo conduzidas por pesquisadores do Laboratório de Oceanografia Costeira (LOC), vinculado à Coordenadoria Especial de Oceanografia do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM). A equipe reúne os professores Antonio Henrique da Fontoura Klein e Carla Bonetti, o pesquisador de pós-doutorado, André Rosch Rodrigues, a mestranda Patricia Schmitt, ambos do Programa de Pós-Graduação em Oceanografia (Ppgoceano), e as bolsistas de Iniciação Científica do curso de Oceanografia, Ana Carolyna Duarte de Sousa, Patricia Tortora e Maria Rita Lua de Quadros.

A professora Carla Bonetti, coordenadora da equipe da UFSC, explica que estão disponíveis mais de 30 testemunhos, com até seis metros de coluna sedimentar, coletados na plataforma externa e talude da Bacia de Pelotas. No momento, estão em processamento no LOC três testemunhos, dois deles obtidos ao norte do Terraço do Rio Grande e o outro na direção da Lagoa dos Patos, em profundidades entre mil a dois mil metros. A datação por radiocarbono de um deles revela que estão trabalhando com sedimentos depositados há mais 30 mil anos. A equipe é responsável pelo estudo das associações de foraminíferos bentônicos de todos os testemunhos e tem até o ano de 2020 para gerar resultados que subsidiem um modelo de evolução paleoceanográfica da Bacia de Pelotas, considerando os mecanismos de fertilização oceânica por meio da reconstrução das condições da hidrografia superficial desta bacia e as flutuações da produtividade marinha, em resposta à alternância de condições glaciais e interglaciais ao longo do Quaternário.

Segundo André Rodrigues, os resultados obtidos até o momento revelam associações faunísticas típicas de regiões marinhas profundas com grande concentração de matéria orgânica (ambientes eutróficos). Inclusive, em determinadas profundidades dos testemunhos, a abundância de algumas espécies de foraminíferos sugerem o aumento no aporte de fitodetritos de origem planctônica. O avanço nos estudos taxonômicos e no número de testemunhos analisados poderão vir a confirmar que as associações de foraminíferos encontradas na Bacia de Pelotas são, de certa forma, diferentes das associações das bacias de Santos e Campos, localizadas mais ao norte e compostas por espécies mais adaptadas a sedimentos com menor teor orgânico (ambientes oligo-mesotróficos).

Mais informações pelos e-mail:s ou

Fonte: Laboratório de Oceanografia Costeira da UFSC