Pesquisa da UFSC analisa efeitos do glifosato na gestação de roedores
Um estudo realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) investigou os efeitos da exposição ao glifosato – mais especificamente ao RoundUp, a formulação comercial a base de glifosato -, durante a gestação de roedores, que dura 21 dias. A pesquisa buscou entender se o contato com o produto, que é o pesticida mais aplicado no Brasil, pode trazer riscos à saúde de mães e filhos.
Os resultados mostraram que, dentro dos níveis considerados seguros por agências reguladoras, não houve efeitos metabólicos significativos. Não foram identificadas alterações como diabetes gestacional, ganho de peso ou mudanças relevantes no comportamento dos animais analisados.
Entretanto, os pesquisadores observaram alterações sutis no fígado, relacionadas à epigenética, mecanismo que regula a forma como os genes se expressam. Esses efeitos não causam impactos imediatos, mas levantam dúvidas sobre possíveis consequências a longo prazo, especialmente em casos de exposição contínua.
O trabalho foi liderado pelo professor Alex Rafacho, Coordenador do Laboratório de Investigações de Doenças Crônicas (LIDoC), do Centro de Ciências Biológicas (CCB). O estudo é resultado da tese de doutorado de Aline Barbosa Lima, que conduziu a parte experimental da pesquisa, e contou com apoio de Victoria Cristina Malinski, Morgana Contini e Natália Stinghen Tonet, que compõem a equipe do LIDoC.
Ainda segundo o pesquisador, os estudos não receberam financiamento externo específico. O trabalho foi realizado com recursos estruturais da própria UFSC, como laboratório, animais de pesquisa e insumos básicos. Entretanto contou com o apoio da Universidade de São Paulo (USP) para experimentos com células.
O estudo foi publicado na revista científica internacional Environmental Pollution, considerada uma das mais relevantes do mundo na área de contaminantes ambientais.
Por fim, a pesquisa indica que, mesmo em concentrações consideradas seguras do ponto de vista ambiental, podem ocorrer efeitos sutis, que não são detectados por análises clínicas ou macroscópicas. Um exemplo são as alterações epigenéticas, identificadas apenas por exames moleculares, mas que podem ter repercussões futuras tanto nas mães quanto nos filhos.
“O Roundup não teve nenhum grande efeito deletério, a gente não viu nada equivalente a diabetes gestacional, nem alterações relevantes de comportamento ou metabolismo”, afirma o professor.
Em testes complementares, foram identificados possíveis efeitos negativos quando as células foram expostas à formulação completa do produto, e não ao glifosato isolado. Isso indica que outras substâncias presentes na mistura podem influenciar na toxicidade.
João Hasse | agecom@contato.ufsc.br
Estagiário da Agecom | UFSC




















