Espetáculo apresentado no Teatro da UFSC fala sobre empoderamento feminino

19/07/2018 14:53

No palco um músico toca uma melodia oriental, ambientando a plateia ao que vai ser apresentado. Minutos depois, duas atrizes entram, trajadas de suas personagens, a chinesa Hua Mulan e a francesa Joana D’arc. Assim tem início o espetáculo “Guerreiras Donzelas”, elaborado por Jussyane Emídio e Luane Pedroso, pesquisadoras do Programa de Pós-graduação em Teatro (PPGT) e, dirigido pela Professora Brígida Miranda, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) .

As atrizes começam então a contar a história de suas personagens, que são mulheres que enfrentaram os preconceitos da época em que viviam e se disfarçaram de homem para participar das guerras em que seus países estavam envolvidos . A história é toda pensada para fazer uma reflexão sobre o papel da mulher na sociedade, utilizando uma linguagem que conversa com o público infanto-juvenil.  

Durante a apresentação as atrizes interagem com o público. Em uma das cenas, perguntam se na época das personagens – Mulan e Joana D’arc- as mulheres podiam ir para guerra. A resposta negativa vem em coro da plateia, que é composta, em sua maioria, por crianças.

Após contar a história das guerreiras, as atrizes propõe uma mudança em seus finais. Trazem a reflexão para os dias de hoje, e chamam a atenção para a união e o empoderamento feminino. O público aplaude e a após as luzes serem acesas, formam uma  fila para fotos com as atrizes.

Letícia, de 10 anos, veio de Teresina com os pais para participar do Congresso de Antropologia e assistiu a peça, conta o que achou “bem legal, porque fala sobre o poder feminino. Elas lutaram na guerra, porque se vestiram de homem, porque naquele tempo a restrição da mulher era muito grande, mas hoje em dia já é bem menor. Por exemplo, se hoje em dia ainda tivesse guerra eu acho que as mulheres poderiam lutar.”

A elaboração da peça

A peça inicialmente foi elaborada para um trabalho da disciplina “Introdução ao teatro feminista”, ministrada pela professora Brígida Miranda na Udesc. Jussyane e Luane se juntaram  para elaborar o trabalho. Jussyane já tinha um trabalho parecido, uma pesquisa sobre Hua Mulan com a elaboração de uma contação de histórias para adultos, utilizando o arquétipo da donzela guerreira. Ao se unir com Luane, incorporaram ao projeto a figura de Joana D’arc, além de mudar o público alvo.

Nas primeiras vezes em que se apresentaram o formato era bem diferente, a música era eletrônica e a peça era mais crua. Com a direção de Brígida, também ocorreram algumas modificações. “A primeira vez que a gente apresentou só um esqueleto da peça durante a disciplina. Depois apresentamos três vezes ano passado, só eu e a Jussyane. Aí a Brígida se propôs a dirigir e começou esse ano esse trabalho”, conta Luane.

Hoje a peça conta com música ao vivo, danças marciais coreografadas por Débora Zamarioli, professora de Artes Cênicas da UFSC, e outros colaboradores.

A apresentação fez parte da programação cultural do 18º IUAES: Congresso de Antropologia, que termina nesta sexta-feira, na UFSC.

 

Aline Souza / Estagiária de Jornalismo / Agecom / UFSC 

Fotos: Henrique Almeida / Agecom / UFSC 

 

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