Palestra com sobrevivente do holocausto trata da importância de relembrar a história

01/12/2017 16:44

Considerada uma das maiores tragédias da humanidade, a Segunda Guerra Mundial aconteceu entre 1939 e 1945 e teve como personagens principais o nazismo que vitimou os judeus e as minorias não arianas. O holocausto é um dos eventos mais chocantes da guerra, um assassinato em massa de mais de 6 milhões de pessoas, foi o maior genocídio do século XX. É difícil conhecer um sobrevivente do holocausto hoje em dia, entretanto a comunidade universitária teve essa chance na última segunda-feira, 27 de novembro, na Biblioteca Universitária. Trazida pelo jornalista Salus Loch, a bem-humorada Gabriela Schwartz Heilbraun ou Gitta, de 89 anos, é uma das sobreviventes do holocausto e protagonista do livro ‘A tenda branca’, baseado em sua história. Além de Gitta, a palestra contou com a participação de sua filha, Jaqueline, sua neta, Gabriela e o genro, Jonas.

A importância de falar sobre o assunto foi destacada no evento, no sentido de alertar sobre sistemas totalitários e ideais racistas e intolerantes, a empatia e o respeito podem evitar com que outro desastre como este se repita. “É importante relembrar para que não aconteça outra vez” afirma Gitta. Humildade com certeza é uma palavra que define a mulher que passou por várias situações marcantes durante a vida. Quando Gabriela escreveu a história da avó para o jornalista Salus, que teve o intuito de produzir uma matéria, mas ao se deparar com as histórias de vida de Gitta, a ideia foi de escrever um livro. Ela autorizou, mas sempre achou de que não é importante e de que essa história faz tantos anos que ninguém se interessaria em saber. Mesmo com o auditório cheio, o discurso não mudou. Os familiares pensam que isso pode ser um certo tipo de bloqueio.

Gitta esteve em guetos judaicos e em maio de 1944, no campo de concentração de Auschwitz. Havia duas filas, uma onde os prisioneiros eram encaminhados a uma câmara de gás, e outra em que os prisioneiros com capacidade para trabalhar eram livrados da morte, mas condenados ao trabalho escravo. Gitta ficou na fila da direita, pois tinha boa aparência e parecia saudável, já seus pais e sua irmã, na época com quatro anos de idade, foram encaminhados a fila da câmara. São muitas as histórias vivenciadas pela sobrevivente, viagens a pé por toda Europa, torturas, fome. Quando fugiu, pretendia embarcar para os Estado Unidos, mas seu visto não foi aceito, então veio para a América do Sul, primeiro no Peru e depois no Brasil, onde reside atualmente.

“Ela é tudo pra gente, eu sou muito durona, ela é carinhosa. Ela é muito forte, e também muito boa, não se se eu aguentaria” relata emocionada Jaqueline. “É a força” explica Gitta. Ela se lembra dos pais quando fala sobre sua índole, seu jeito de amar ao próximo, eles faziam comida em panelões e chamavam pessoas sem condições para comer. “Eu tinha um cofrinho e quando minha mãe fazia comida para os outros, ela pedia meu dinheiro emprestado, mas o dinheiro nunca voltou” disse Gitta, com bom humor. Jonas explica que a sogra recorda-se dos fatos e conta histórias sem problemas, mas ela aprendeu a controlar e quem sabe, bloquear os sentimentos quando velhas emoções vem à tona. “Quando eu dei o livro ‘A menina que roubava livros’ para Gitta, ela começou a ler, fechou o livro e me devolveu, aquilo talvez, trazia de volta as emoções que ela evita sentir” conta Jonas.

Hoje Gitta mora em São José (SC). A conversa foi conduzida pelo jornalista Salus e além da participação de Gitta, o evento contou com as perguntas e falas do público presente. No fim do evento foram vendidos livros autografados pela protagonista da história.

Mais informações com o autor do livro, Salus: (54) 9 9199-1473.

Texto e fotos: Luna Mariah Zunino/Estagiária de Jornalismo/Agecom/UFSC