Alunos do Colégio de Aplicação apresentam projetos de pesquisa em seminário

06/05/2016 11:32

O 5º Seminário de Iniciação Científica do Colégio de Aplicação da UFSC ocorreu na manhã desta quarta-feira, 4 de abril, com apresentação dos alunos bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Ensino Médio (PIBIC-EM). O Seminário reuniu oito grupos de trabalhos, que realizaram apresentações simultâneas em salas diferentes.

Cada grupo foi coordenado por um professor e continha de quatro a cinco estudantes. Os alunos expuseram os resultados parciais de suas pesquisas, que continuarão a ser realizadas até junho através do PIBIC – EM. Dentre os trabalhos apresentados, estavam temas como transexualidade na mídia, o vestuário na UFSC, HPV e saúde da mulher, a imigração na Alemanhã e evasão de alunos nas escolas.

Alunos do ensino médio do Colégio de Aplicação produziram 34 projetos de pesquisa que foram apresentados durante o seminário. Foto: Ítalo Padilha

Alunos do ensino médio do Colégio de Aplicação produziram 34 projetos de pesquisa que foram apresentados durante o seminário. Foto: Ítalo Padilha

 

Jéssica Luiza Quint, aluna do segundo ano, abordou o tema da transexualidade a partir do projeto “Conversas sobre Nadir”, orientado pela professora Débora da Rocha Gaspar. O trabalho tem a forma de um relato, em que a aluna conta a história de Nadir, uma personagem bigênera que se identifica com o gênero feminino e o masculino. Os filmes Tomboy, Tudo sobre minha mãe, Transamérica, A garota dinamarquesa e Ma vie en rose serviram de influência para a construção de sua personalidade.

Na história, Nadir tem um roupeiro de duas cores, que ilustra a diversidade do seu comportamento. A criação das roupas da personagem foi influenciada por desenhos animados, ícones como Marilyn Monroe e a moda gender bender, conhecida por romper a divisão de gênero e criar roupas que não se dividem em femininas e masculinas. Jéssica Quint diz que o objetivo é produzir um vídeo ao final da pesquisa, para conscientizar as pessoas. “Quero fazer algo mais dinâmico e parecido com um documentário para as pessoas saberem que isso existe e se passa nas escolas”.

Mayara Freitas Joaquim e Gabrielly Cabral Monsani apresentaram, respectivamente, os trabalhos “A culpa é de quem? Estudo de caso da evasão escolar no Colégio de Aplicação/UFSC” e “Êxito ou fracasso escolar no Colégio de Aplicação? A influência do Capital Cultural na construção identitária dos estudantes”. Orientadas pela professora Thereza Cristina B. S. Viana, as alunas falaram sobre os índices de reprovação no Colégio de Aplicação, bem como suas possíveis causas.

Segundo os dados apresentados, 3% dos alunos que entraram na 1ª série, em 2002, não concluíram a 4ª série na data prevista; 19% dos alunos que entraram na 5ª série, neste mesmo ano, não concluíram a 8ª série; e 65% dos alunos que ingressaram no 1º ano do ensino médio, também em 2002, não terminaram o terceirão segundo o tempo esperado. Dos estudantes que iniciaram a 1ª série em 2003, 12% não concluíram a 4ª série; dos que iniciaram a 5ª série, o número de alunos que não terminou a 8ª série segundo o calendário escolar baixou de 19%, em 2002, para 17% em 2003; e 67% não concluíram o Ensino Médio de acordo com a previsão.

Os estudantes tiveram de 15 a 20 minutos para apresentar os resultados parciais de suas pesquisas, que serão concluídas em junho.

Os estudantes tiveram de 15 a 20 minutos para apresentar os resultados parciais de suas pesquisas, que serão concluídas em junho. Foto: Ítalo Padilha

As evasões das séries configuram reprovação, transferência para outras escolas, trancamento por um tempo ou desistência. Um dos principais motivos pesquisados por Mayara Freitas e Gabrielly Monsani como causa para que os estudantes não frequentem as turmas previstas para sua faixa-etária é a influência do Capital Cultural, definido pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu como a acumulação de cultura específica de uma classe.

Segundo as alunas, a escola precisa “reconhecer diferenças de Capital Cultural” para não priorizar certos tipos de acúmulo de cultura e gerar uma hierarquia que, muitas vezes, se torna motivo de intimidação e afastamento dos jovens.

 

 

 

Giovanna Olivo e Carolina Maingué/Estagiárias de Jornalismo da Agecom/DGC/UFSC