Pesquisa desenvolvida na UFSC para capturar e reaproveitar gás é premiada no Ciência Delas 2026

27/08/2026 09:44

A pesquisadora Mariana Schneider

Um projeto desenvolvido na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que busca dar um novo destino ao dióxido de carbono (CO₂), um dos gases mais associados às emissões industriais, foi premiado no Prêmio Ciência Delas 2026 – Categoria Brasil. A pesquisa tem como proposta capturar o gás e transformá-lo em matéria-prima para a produção de combustíveis e outros produtos.

O estudo, conduzido pela pesquisadora Mariana Schneider durante atividades de pós-doutorado júnior, no Laboratório de Energia e Meio Ambiente (LEMA), pretende transformar um problema ambiental em uma oportunidade: em vez de somente liberar ou armazenar o CO₂, ela estuda maneiras de capturá-lo e reaproveitá-lo.

O prêmio busca gerar oportunidades de conexões nos principais ecossistemas globais de inovação para impulsionar o desenvolvimento de mulheres cientistas, “ao mesmo tempo em que reconhece iniciativas inovadoras na área de pesquisa e desenvolvimento no setor de energia, nos temas de transição energética, energia renovável e descarbonização”.

Mariana explica que o trabalho é baseado em duas etapas principais. Primeiro, o CO₂ é retirado de gases de exaustão por meio de materiais capazes de absorvê-lo, ou seja, retê-lo em sua superfície. Depois, o gás capturado passa por processos de conversão química que podem transformá-lo em outros compostos com aplicações na área de energia.

Para fazer essa conversão, os pesquisadores utilizam a energia da luz. A água participa do processo e fornece os elementos necessários para que o CO₂ seja transformado em produtos de maior valor agregado. Uma das possibilidades estudadas é a produção de combustíveis.

Um dos diferenciais do projeto é o uso de resíduos da mineração de rocha fosfática na produção dos materiais utilizados para capturar o CO₂. Dessa forma, a pesquisa reúne duas frentes ambientais: a redução das emissões e o reaproveitamento de resíduos que poderiam ser descartados.

Inovação

Para a captura do gás, os pesquisadores desenvolveram materiais formados pela combinação de geopolímero e zeólita 13X. O grupo também utiliza tecnologias como impressão 3D e eletrofiação para modificar a estrutura desses materiais. Estuda-se a criação de superfícies que favoreçam o contato com os gases e, consequentemente, melhorem a eficiência da captura.

“Na etapa de captura, nosso objetivo é desenvolver materiais que tenham uma boa capacidade de absorver o CO₂ e que também possam ser produzidos de uma maneira viável. Depois, queremos que esse CO₂ capturado possa ser encaminhado para uma etapa de conversão”, explica Mariana. A pesquisadora explica que a ideia é aproximar duas etapas que muitas vezes são estudadas separadamente: a captura e a utilização do CO₂. Isso porque, depois de capturado, o gás precisa ser encaminhado para uma etapa de conversão. No projeto, os próprios materiais desenvolvidos para a captura podem também funcionar como suporte para componentes utilizados nessa transformação.
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