Vestibular 2020: conheça as obras literárias do concurso unificado UFSC e UFFS

27/08/2019 11:25

O edital do Vestibular Unificado UFSC/UFFS 2020 ainda não foi lançado, mas o conteúdo programático das provas já está disponível aos candidatos (clique aqui para acessar). Na prova de Literatura Brasileira, a Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) ressalta que o objetivo será valorizar o candidato pela experiência de leitura do texto literário, mais do que pela memorização de informações descontextualizadas sobre autores, obras, datas etc.

De acordo com o Programa das Disciplinas, as questões irão abordar os seguintes aspectos:
– apreensão da obra literária como produto de um conhecimento de natureza estética;
– estabelecimento de relações do texto com o contexto sociocultural, com o movimento literário a que se vincula e com outros textos;
– compreensão da organização e da estrutura de textos literários, estabelecendo relações pertinentes entre seus elementos constitutivos;
– percepção das possibilidades de leitura, reconhecendo as singularidades e propriedades linguísticas que caracterizam um texto literário.

A Coperve sugere ainda que o candidato leia as obras na íntegra, bem como conheça o contexto histórico, social, cultural e estético de cada uma delas. São seis os títulos literários da próxima edição do Vestibular. Confira as obras a seguir:

Capitães da areia, de Jorge Amado

Na década de 1930, uma série de escritores brasileiros, em especial no Nordeste do país, resolve imprimir maior engajamento social à literatura ao enfocar mazelas nacionais. Jorge Amado integra esse grupo ao lado de escritores como Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Publicado em 1937, Capitães da areia é uma narrativa sobre a vida de um grupo de meninos de rua que vive ao redor de um trapiche e perambula pela Salvador das primeiras décadas do século XX. O romance problematiza a infância abandonada e o descaso de autoridades públicas e de uma imprensa sensacionalista, que contribuem para a marginalização desses menores. Figura entre as obras mais influentes de um dos escritores brasileiros mais lidos no Brasil e no exterior.

Cemitério dos vivos, de Lima Barreto

Romance de fundo autobiográfico em que Lima Barreto relata sua experiência após ser internado compulsoriamente no Hospital Nacional de Alienados, em 1919, devido a problemas com o álcool. Texto inacabado, com elementos da crônica e componentes ficcionais, Cemitério dos vivos é um dos últimos projetos do autor. Por meio do protagonista Vicente Mascarenhas, o livro critica severamente tanto o ambiente manicomial, especialmente no que se refere ao uso de tratamentos agressivos como o choque elétrico, quanto o preconceito e a exclusão social vivenciados pelos internos, o que torna a obra um testemunho bastante atual. Romancista da Primeira República, torna-se conhecido pela publicação de Triste fim de Policarpo Quaresma, mas somente nas últimas décadas a crítica contemporânea vem reconhecendo sua originalidade em utilizar o “escrever brasileiro”, antecipando elementos estéticos e temáticas sociais de um modo absolutamente singular, conferindo-lhe papel da maior importância entre os grandes escritores da literatura nacional.

Melhores contos – Seleção Eduardo Portella, de Lygia Fagundes Telles

Os contos que integram a obra foram publicados entre a década de 60 e a de 80 do século XX e selecionados pelo professor e filósofo Eduardo Portella, o qual destaca a perícia da escritora em “crescer por dentro”, ou seja, em criar uma estética própria, baseada na contenção e na precisão vocabular. Lygia Fagundes Telles começa a publicar em 1938, figurando ao lado de escritores como Clarice Lispector, João Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna, e mantém-se ativa até hoje, tendo se tornado em 2016 a primeira mulher brasileira a ser indicada ao Nobel de Literatura. A autora explora sentimentos como o amor, o ciúme, o desamparo do ser humano e a melancolia diante do envelhecimento e da morte, com uma abordagem que favoreceu as adaptações para a televisão. Fugindo de lugares comuns, como estereótipos femininos e clichês da autoajuda, a escritora se pauta pela imaginação, pela intriga e pelo mistério.

Os milagres do cão Jerônimo, de Péricles Prade

O escritor catarinense integra o pequeno grupo de literatura fantástica praticado no cenário brasileiro, um espaço literário marcado por uma forte tradição realista. Os milagres do cão Jerônimo é uma coletânea de narrativas curtas entre as quais figuram traços do insólito, do absurdo, do fantástico, do maravilhoso e mesmo do surrealismo. Tendo publicado essa obra pela primeira vez em 1970, Prade é contemporâneo de outros expoentes do conto que exploram o fantástico brasileiro, tais como J. J. Veiga e Murilo Rubião.

Quarto de despejo – Diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus

Publicado em 1960, Quarto de despejo é um forte relato biográfico de uma mulher negra e pobre, que sobrevive como catadora de lixo enquanto cria três filhos sozinha. Moradora da Favela do Canindé, à beira do Tietê, os diários relatam a luta pela subsistência na São Paulo de meados do século XX – tematizando a fome, a segregação social, o racismo estrutural, os dramas da convivência na favela e o oportunismo de políticos frente aos grupos marginalizados. Embora os diários sejam seu trabalho mais conhecido por conta do teor testemunhal, Carolina revelou-se uma escritora plural, autora de peças de teatro, romances e poemas, cujo tratamento estético da linguagem supera a leitura meramente antropológica, inserindo-a no cânone da literatura afro-brasileira.

Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas

Publicada em 2012, a coletânea de poemas de Angélica Freitas possui contornos feministas, pois seu lirismo contrapõe questões de gênero fortemente delineadas por uma cultura patriarcal. Por meio de seus poemas, estimula o leitor a repensar estereótipos de beleza, comportamento e identidade naturalizados como regra em nossa sociedade. O livro é articulado ao redor de um eixo temático – a mulher –, o que favorece a construção de uma unidade de composição e o diálogo interno entre os textos. Ironia, humor e sarcasmo são traços marcantes dessa obra contemporânea, constituindo dispositivos de linguagem que estimulam uma reflexão sobre como as mulheres se percebem e sobre como são culturalmente percebidas na atualidade.

Mais informações sobre o Vestibular Unificado 2020 no site vestibularunificado2020.ufsc.br.

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