Academia Brasileira de Letras nomeia professor Berthold Zilly Sócio Correspondente

06/04/2018 12:07

A Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu, no dia 5 de abril, quinta-feira, o professor e tradutor alemão Berthold Zilly para a Cadeira nº 15, de seu Quadro de Sócios Correspondentes, na vaga do professor de espanhol e português da Universidade da Califórnia, o norte-americano Claude Lyle Hulet, falecido em agosto do ano passado. Berthold Zilly, é professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET) desde 2011. O quadro de Sócios Correspondentes da ABL é formado por 20 membros estrangeiros. Um novo integrante somente é eleito pelos Acadêmicos quando um dos efetivos falece.

Zilly será o sétimo ocupante da cadeira 15, que tem como Patrono Frei Gonçalves Ledo (Brasil). Os demais foram: Dom José Echegaray (Espanha), José Santos Chocano (Peru), Rodolfo Rivarola (Argentina), Ricardo Rojas (Argentina), Miguel Ángel Carcano (Argentina) e Caude L. Hulet (Estados Unidos).

“Berthold Zilly é um dos mais importantes tradutores da literatura brasileira na Alemanha. Realizou uma obra-prima ao traduzir ‘Os sertões’, de Euclides da Cunha, com intensidade épica. Fez uma tradução delicadíssima e lírica de ‘Memorial de Aires’, de Machado de Assis. E hoje mergulhou em ‘Grande Sertão: Veredas’, de Guimarães Rosa. Li parte de seus inéditos em alemão e asseguro que se trata de um trabalho de rara beleza”, afirmou o Presidente da ABL, Marco Lucchesi, logo após a eleição.

Sobre Berthold Zilly 

Nascido em 1945, em Danndorf, Norte da Alemanha, Zilly é doutor em filologias românicas e germânicas, com tese sobre Molière, pela Freie Universität Berlin, na qual lecionou letras latino-americanas (1974-2010), o que também fez na Universität Bremen (2004-2010). Ministrou cursos intensivos e palestras em universidades latino-americanas, norte-americanas e europeias. Sempre se engajou também na extensão cultural, colaborando intensamente com a difusão da cultura brasileira na Alemanha.

Publicou numerosos artigos, resenhas, ensaios sobre literatura brasileira e argentina, com dois enfoques: literatura – história; literatura comparada – tradução. Levou clássicos da América Latina e de Portugal para o alemão, Civilización y barbárie, de Domingo F. Sarmiento; Os Sertões, de Euclides da Cunha; Memorial de Aires, de Machado de Assis; Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto; Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro; Lavoura arcaica, de Raduan Nassar.

Zilly pratica a tradução como parte integrante do ensino e da pesquisa de línguas e literaturas estrangeiras e dos estudos interculturais. Recebeu diversas condecorações no Brasil e na Alemanha, a mais recente em agosto de 2017, na UERJ, o Prêmio Blaise Cendrars, que é outorgado anualmente pela Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC), “como reconhecimento a especialista estrangeiro por sua contribuição ao estudo da literatura brasileira em chave comparada”