Laboratórios do CDS avaliam atleta da patinação de velocidade

27/04/2012 12:11

Patinação de velocidade no CDS João Vicente Scarpin , 33 anos, é administrador, mas faz da patinação de velocidade mais que um hobby – trata o esporte quase como uma vocação. Ele é um dos dois únicos atletas brasileiros internacionalmente competitivos nessa modalidade que já tem, especialmente na Europa, um peso considerável, tanto que integra os Jogos Olímpicos de Inverno, realizados a cada quatro anos. Na semana passada, João Vicente fez uma bateria de testes específica e inédita no Brasil nos laboratórios de Esforço Físico e de Biomecânica da UFSC, localizados no Centro de Desportos da instituição.

O teste foi também uma preparação para o Campeonato Brasileiro de Patinação de Velocidade, que vai acontecer no Terminal de Integração de Capoeiras (desativado), em Florianópolis, nos dias 29 e 30 deste mês. Esta semana, o Centro de Desportos vem sendo palco de palestras, de um curso de formação de árbitros e, neste sábado, dia 28, do I Encontro Nacional de Técnicos nesta modalidade.

Na UFSC, Scarpin fez várias avaliações, como o de força isométrica, que confere a capacidade dos extensores do joelho, e outras provas para medir sua capacidade física atual. Elas fazem parte do estudo piloto de um projeto de doutorado que tem o objetivo de elaborar e validar um teste de esforço máximo incremental para avaliação fisiológica e biomecânica da performance de atletas da patinação in-line.

O Laboratório de Esforço Físico da UFSC, vinculado ao Centro de Pesquisas em Rendimento Esportivo, desenvolve estudos nesta e em outras modalidades voltados para a alta performance. Trata-se de um centro de excelência criado com o apoio do Ministério do Esporte para avaliar atletas de alto rendimento que vão para a Olimpíada de Londres e já se preparam para os jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

“É um trabalho de extensão, prestado sem custos, como uma contribuição da UFSC à sociedade”, afirma o coordenador do laboratório, Luiz Guilherme Guglielmo. Ele trabalha com Fernando Diefenthaeler, responsável pela avaliação biomecânica e coordenador do programa de pós-graduação em Educação Física, que tem conceito 5 pela Capes.

O laboratório fez o mesmo trabalho, sem custo, com Murilo Fischer, ciclista de Brusque que reside e compete na Espanha e que faz parte da seleção brasileira da modalidade nos eventos internacionais. Atletas juvenis do Avaí e Figueirense também realizam avaliação fisiológica e biomecânica ali, analisando o desempenho e identificando suas principais deficiências, podendo corrigi-las ou eliminá-las, a partir de um planejamento que também conta com a participação do laboratório.

A estrutura dos laboratórios do Centro de Desportos da UFSC melhorou muito nos últimos anos. Apenas uma bicicleta para testar a resistência de atletas custou 40 mil euros. “Os atletas ficam sabendo dos recursos que temos e nos procuram”, diz Guglielmo. A Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 levaram o governo a investir mais no aprimoramento dos atletas brasileiros. No Estado, a ideia é colocar a modalidade da patinação de velocidade nos Jogos Abertos de Santa Catarina, com o apoio da Federação.

Uma aposta para o futuro – Único catarinense que pratica o esporte, João Vicente Scarpin conta que apenas os estados do Rio de Janeiro e São Paulo têm “patinódromos”, o que limita a capacidade de formar atletas nesta modalidade no Brasil. Mesmo assim, como prova de que ela está se fortalecendo, foi criada em 2011 a Federação Catarinense de Hóquei e Patinação (FCHP), dirigida por ele.

Ainda tratada por muitas pessoas como recreação, a patinação de velocidade pode ser praticada em pistas criadas para este fim ou na rua. Diferente da patinação no gelo, que nasceu no norte da Europa ainda no século XIII e é largamente praticada mundo a fora, esta categoria utiliza patins de rodinhas e equipamentos e materiais diferenciados (em fibra de carbono), em vista das características das pistas e vias públicas, que provocam forte fricção com o asfalto. João Vicente é mais competitivo nas ruas, e por isso treina na avenida Beira-mar Norte e na SC-401.

Sem patrocínio, ele tem o apoio do governo do Estado para as viagens e também ensina o que sabe para crianças de uma escola do Rio Vermelho, já pensando em formar uma geração de atletas nesta modalidade.

Scarpin diz que a Colômbia é o país sul-americano com mais força no esporte, tanto que tem cerca de 20 patinadores competitivos que não raro são contratados para representar outras federações em competições internacionais. A Argentina também tem um grupo de atletas representativo e já foi campeã do mundo na modalidade. “Disputei um campeonato lá e não cheguei perto deles, especialmente porque foi num circuito de pista, que não é o meu forte”, diz ele. Numa competição em Berlim, ele ficou em 38º. lugar, mas foi o melhor brasileiro classificado. O circuito mundial da categoria tem oito etapas e acontece todos os anos nos países que mais praticam o esporte.

O atleta catarinense diz que os testes têm ajudado muito a melhorar o rendimento e que vem adquirindo os equipamentos nos Estados Unidos, onde os custos podem chegar à metade dos que são praticados no Brasil. “Sou obrigado a ter um estoque de rodas em casa, por causa das dificuldades de comprar os materiais aqui”, conta. Ele diz que não é incomum se acidentar, por isso usa proteção e joelho. “Em geral, utilizamos lycra, porque um material mais pesado prejudica o desempenho”, afirma. No mundo, há cerca de 30 milhões de praticantes do esporte, o que aumenta a expectativa de que se torne uma modalidade olímpica nos Jogos de 2020.

Por Paulo Clóvis Schmitz/jornalista na Agecom

Fotos: Wagner Behr/Agecom e Laef/Biomec