Pesquisadoras da UFSC são selecionadas em edital do Instituto Serrapilheira

09/06/2026 16:06

Duas professoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram contempladas na 9ª chamada pública de apoio à ciência do Instituto SerrapilheiraNara Rubiano da Silva, do departamento de Física (FSC/UFSC), e Tamara Silva Rodrigues, do departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (MIP/CCB/UFSC), estão entre os dez pesquisadores selecionados nesta iniciativa, que é destinada a cientistas em início de carreira. Cada pesquisadora receberá entre R$ 380 mil e R$ 450 mil para desenvolver suas pesquisas ao longo de cinco anos. Eles também poderão acessar recursos adicionais por meio do bônus da diversidade, destinado à formação e inclusão de pessoas de grupos sub-representados em suas equipes de pesquisa.

Com o projeto “Como feixes de luz com polarização não homogênea podem revelar propriedades invisíveis de materiais?”, Nara Rubiano da Silva pretende desenvolver novas técnicas que usam feixes de luz com diferentes direções de polarização — isto é, com a luz “vibrando” de formas variadas — para investigar amostras biológicas e nanomateriais magnéticos de modo mais rápido e eficiente. Tamara Silva Rodrigues, por sua vez, propôs a pesquisa: “Por que alguns vírus, como o SARS-CoV-2, podem causar sintomas neurológicos persistentes, enquanto outros não deixam sequelas?”. Seu objetivo é compreender os mecanismos que determinam a persistência ou a resolução da neuroinflamação após uma infecção viral.

Professora Tamara Silva, do departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da UFSC. Foto: Arquivo Pessoal.

Tamara expressou seu contentamento pelo reconhecimento do potencial e da originalidade de seu trabalho: “Como pesquisadora em início de carreira e recém-estabelecida na UFSC, esse apoio traz não apenas recursos financeiros, mas também confiança para perseguir perguntas científicas mais ambiciosas e de longo prazo. O financiamento permitirá implementar abordagens que seriam difíceis de desenvolver apenas com os recursos tradicionais de pesquisa. Em particular, poderemos incorporar tecnologias avançadas, como modelos de barreira hematoencefálica em chip (BBB-on-chip), que reproduzem de forma mais fiel a interface neurovascular humana, além de integrar análises transcriptômicas de célula única e modelos experimentais inovadores.”

Nara explica que seu projeto une conceitos e fenômenos que ela vem estudando, separadamente, desde o doutorado, mas o projeto, em si, é uma nova linha de pesquisa na sua carreira: “Pretendo desenvolver ferramentas ópticas de análise de materiais que sejam mais eficientes e rápidas por duas razões. Primeiro, por utilizar luz que “vibre” de formas variadas em pontos diferentes de um único feixe luminoso. Segundo, por transferir informações sobre os materiais gravadas na luz que neles incide para outros comprimentos de onda mais fáceis de detectar. A combinação daquela polarização não-homogênea com esta conversão não-linear deve resultar em técnicas de microscopia e espectroscopia com capacidade de caracterizar, por exemplo, nanomateriais magnéticos e amostras biológicas de forma, potencialmente, mais acessível.”

Nara Rubiano da Silva, professora do departamento de Física da UFSC. Foto: Arquivo Pessoal.

A chamada pública do Instituto Serrapilheira contemplou projetos nas áreas de ciências naturais (ciências da vida, física, geociências e química), matemática e ciência da computação. “Os projetos aprovados trazem hipóteses ousadas e arriscadas. São de alto risco, mas também com grandes possibilidades de impacto. Eles buscam responder a perguntas fundamentais da ciência, questionando o conhecimento atual, abrindo novas perspectivas de avanço e aprofundando a compreensão sobre fenômenos naturais”, afirma o diretor-presidente do Serrapilheira, Hugo Aguilaniu.

O objetivo do edital, segundo o Instituo, é criar condições para que jovens cientistas desenvolvam pesquisas originais com autonomia, flexibilidade e abertura ao risco. “Os jovens cientistas receberão recursos flexíveis para atender às necessidades às vezes imprevisíveis da pesquisa de ponta, mas o apoio do Serrapilheira vai além da transferência de recursos. A partir de agora, eles integram uma comunidade que promove uma cultura de valorização à ciência feita de forma colaborativa, aberta, com equidade e diversidade”, reforça Aguilaniu.

Mais informações na página do Instituto Serrapilheira.

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